Índice do Conteúdo
- Ingredientes do arroz cearense com pequi
- Como dessalgar e desfiar a carne seca
- Modo de preparo do arroz cearense com pequi
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- A origem do arroz cearense com pequi
- Dicas para o arroz cearense com pequi ficar cremoso e bem temperado
- Variações regionais do arroz com pequi pelo Brasil
- Como servir e conservar o arroz cearense com pequi
- Tire suas dúvidas sobre arroz cearense com pequi
- O que é arroz cearense com pequi?
- Pode usar pequi em conserva no lugar do fresco?
- Quanto tempo leva para dessalgar a carne seca?
- Posso substituir o leite de coco?
- O arroz cearense com pequi é prato principal ou acompanhamento?
- Qual o ponto certo do arroz no prato final?
- Posso fazer a receita em panela elétrica ou na air fryer?
- Como armazenar o arroz cearense com pequi pronto?
- Dá para fazer a receita sem carne seca?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Ingredientes do arroz cearense com pequi
- Como dessalgar e desfiar a carne seca
- Modo de preparo do arroz cearense com pequi
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- A origem do arroz cearense com pequi
- Dicas para o arroz cearense com pequi ficar cremoso e bem temperado
- Variações regionais do arroz com pequi pelo Brasil
- Como servir e conservar o arroz cearense com pequi
- Tire suas dúvidas sobre arroz cearense com pequi
Ingredientes do arroz cearense com pequi
O arroz cearense com pequi leva ingredientes simples da cozinha do sertão nordestino: carne seca (charque), pequi fresco ou em conserva, arroz branco, leite de coco caseiro, cebola, alho, tomate, pimentão e cheiro-verde fresco. Para quem está no Centro-Sul, o pequi em conserva (vidro, sem amargar) funciona bem e mantém o perfume da receita. Confira a lista completa logo abaixo, com as quantidades certas para servir bem em família no almoço de domingo do mês de julho.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Carne seca (charque) dessalgada e desfiada | 500 g | Prefira a ponta de agulha ou o miolo, com pouca gordura |
| Pequi fresco ou em conserva | 6 unidades (cerca de 200 g) | Sem amargar, caroço retirado se for fresco |
| Arroz branco tipo 1 | 3 xícaras (chá) | Lavado e escorrido até a água ficar transparente |
| Leite de coco caseiro ou de boa qualidade | 400 ml (1 garrafa pequena) | Se for caseiro, coe antes de usar |
| Cebola média picada em cubos pequenos | 1 unidade | Da região Norte ou do Nordeste, se possível |
| Dentes de alho picados | 4 unidades | Mineiro ou roxo, mais suave |
| Tomate maduro picado, sem sementes | 2 unidades | Tipo italiano ou caqui, bem vermelho |
| Pimentão verde pequeno picado | 1 unidade | Dá cor e aroma típicos do sertão |
| Colorau (urucum) em pó | 1 colher (chá) | Para a cor alaranjada tradicional |
| Caldo de carne ou legumes caseiro | 1 litro (aproximadamente) | Quente, para o cozimento do arroz |
| Cheiro-verde (cebolinha e salsinha) picado | 1/2 xícara (chá) | Adicionar no final, com o fogo já desligado |
| Sal e pimenta-do-reino moída na hora | A gosto | Prove a carne seca dessalgada antes de acertar o sal |
| Azeite de oliva ou óleo de pequi | 3 colheres (sopa) | Óleo de pequi dá o sabor mais autêntico |
Como dessalgar e desfiar a carne seca

Esse passo é o que garante que o arroz cearense com pequi não fique salgado demais. Corte a carne seca em cubos médios e deixe de molho em água fria na geladeira por pelo menos 12 horas, trocando a água de 4 a 5 vezes. Depois desse tempo, cozinhe os cubos em panela de pressão com água limpa por 30 minutos, até ficarem macios. Desfie com as mãos (ainda morna, para não queimar) ou com dois garfos, separando bem as fibras. Reserve o caldo do cozimento para engrossar o arroz, se necessário.
Modo de preparo do arroz cearense com pequi
- Aqueça o azeite (ou óleo de pequi) em uma panela grossa, de fundo largo, em fogo médio. Refogue a cebola até ficar translúcida, sem queimar.
- Acrescente o alho e o pimentão e mexa por 1 minuto, até perfumar a cozinha inteira.
- Adicione o tomate picado e o colorau. Mexa bem por 2 minutos, até o tomate desmanchar e o colorau tingir tudo de laranja-avermelhado.
- Junte a carne seca desfiada e refogue por mais 3 minutos, até ela absorver bem o tempero da panela.
- Coloque os pequis (inteiros, se frescos, ou em pedaços, se em conserva) e mexa com cuidado para não desmanchá-los.
- Acrescente o arroz lavado e escorrido, refogue por 2 minutos, até os grãos ficarem brilhantes e levemente transparentes nas bordas.
- Despeje o leite de coco e o caldo de carne (ou legumes) quente na proporção de 2 medidas de caldo para cada medida de arroz (cerca de 6 xícaras de caldo para as 3 de arroz).
- Acerte o sal (lembrando que a carne seca já tem sódio) e a pimenta-do-reino. Tampe a panela e abaixe o fogo.
- Cozinhe em fogo baixo por 25 minutos, sem mexer, até o arroz ficar cremoso e o líquido secar quase todo.
- Desligue o fogo, polvilhe o cheiro-verde fresco e tampe por mais 5 minutos para terminar de cozinhar no vapor residual.
- Sirva direto da panela, com o pequi inteiro aparecendo entre os grãos de arroz, no almoço de domingo ou no prato principal do São Pedro.
Tempo de preparo e rendimento desta receita
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 30 minutos.
tempo total: 55 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Cada porção tem aproximadamente 420 kcal (varia conforme o corte da carne seca e a proporção de gordura).
A origem do arroz cearense com pequi
O arroz cearense com pequi é herança direta da cozinha sertaneja do Nordeste, principalmente do Ceará, do Piauí e do norte da Bahia. O pequi (Caryocar brasiliense) é um fruto do Cerrado que cai das árvores entre os meses de novembro e fevereiro, e as populações tradicionais aprenderam a conservar o aroma e o sabor únicos em compotas, licores e pratos salgados. Nas fazendas do sertão, a carne seca era a proteína disponível o ano inteiro, e o arroz (trazido pelos colonizadores portugueses) virou a base das refeições de domingo. A combinação dos dois com leite de coco, típica da culinária litorânea nordestina, gerou o prato cremoso e aromático que conhecemos hoje.
Em julho, mês em que o frio chega ao sertão e as festas de São Pedro prolongam o São João, esse arroz é presença garantida nas mesas de cidades como Quixadá, Sobral, Crato e Juazeiro do Norte. É servido como prato principal no almoço, sempre acompanhado de farofa de manteiga, vinagrete regional e, nas versões mais fartas, de torresmo ou paçoca de carne de sol. É a comida que aquece e reconforta noites frescas do mês de julho.
Dicas para o arroz cearense com pequi ficar cremoso e bem temperado
Para que o arroz fique cremoso e solto ao mesmo tempo, siga três cuidados da cozinha do sertão: primeiro, refogue bem os temperos no azeite antes de colocar o arroz, criando uma base aromática intensa; segundo, mantenha o fogo baixo durante todo o cozimento e não mexa na panela depois de tampar, para que os grãos cozinhem apenas no vapor; terceiro, use caldo caseiro (de carne ou de legumes) bem temperado, porque o arroz absorve todo o líquido durante o cozimento. Se a carne seca ficou levemente salgada depois do dessalgue, reduza a quantidade de sal no caldo para equilibrar o prato.
O ponto certo do pequi também faz diferença: ele deve ficar macio, mas inteiro, sem desmanchar no meio do arroz. Se for fresco, dê um pequeno corte na casca para que o aroma penetre e para evitar que estoure na boca de quem está comendo. Quem prefere sabor mais suave pode substituir metade do pequi fresco por pequi em conserva, já amaciado.
Variações regionais do arroz com pequi pelo Brasil
O arroz com pequi é clássico em vários estados do Brasil, e cada região adaptou a receita ao que tinha na mesa. Em Goiás, virou a galinhada goiana com pequi e frango caipira, na qual o frango inteiro (não a carne seca) cozinha junto com o arroz e o pequi, criando um caldo mais encorpado. No norte de Minas, o arroz com pequi acompanha sempre uma paçoca de carne de sol com cebola roxa e pimentão verde. No Piauí, é comum adicionar paçoca de pilão no final, para uma textura mais rústica e um sabor ainda mais nordestino.
Quem quiser uma versão mais leve pode substituir o leite de coco por caldo de legumes caseiro e reduzir a carne seca para 300 g, adicionando cubos de abóbora moranga ou jerimum refogados. O resultado lembra o quibebe paraibano com jerimum e carne seca, típico de julho, e funciona bem como prato principal vegetariano para o jantar de inverno.
Como servir e conservar o arroz cearense com pequi
Sirva o arroz cearense com pequi bem quente, em tigelas grandes de barro ou de alumínio, como prato principal do almoço ou do jantar. Os acompanhamentos clássicos do sertão são: vinagrete de tomate, cebola e pimentão, farofa de manteiga com cebola caramelizada, uma concha de dobradinha com grão-de-bico (em versão menor, como caldo de entrada), e torresmo crocante nos dias mais frios. Uma cerveja gelada ou um vinho tinto leve do Vale do São Francisco harmoniza muito bem com a cremosidade do prato.
Para conservar, espere esfriar completamente, guarde em pote de vidro com tampa na geladeira por até 3 dias, ou congele em porções individuais (de 1 a 2 porções cada) por até 2 meses. Na hora de reaquecer, coloque em panela antiaderente com um fio de azeite e uma colher (sopa) de água, mexendo devagar em fogo baixo até o arroz voltar à textura cremosa original. Evite o micro-ondas, que resseca os grãos.
Tire suas dúvidas sobre arroz cearense com pequi
O que é arroz cearense com pequi?
É um prato tradicional do sertão do Ceará feito com arroz branco, carne seca desfiada, pequi (fruto do Cerrado) e leite de coco, cozidos juntos em uma panela grossa com cebola, alho, tomate e cheiro-verde. O resultado é um arroz cremoso, aromático e levemente adocicado, típico das mesas nordestinas de julho e das festas de São Pedro. Quem quiser ver outras receitas com a mesma pegada regional pode experimentar a sopa quente do Pará com jambu e tucupi, outra especialidade nortista de julho.
Pode usar pequi em conserva no lugar do fresco?
Sim, é a opção mais comum fora da temporada (que vai de novembro a fevereiro). O pequi em conserva vendido em vidro (sem amargar) já vem cozido e com a polpa macia, perfeito para o arroz. Só escorra bem o líquido da conserva antes de adicionar, para não deixar o prato aguado. Se for fresco, lembre-se de fazer um pequeno corte na casca antes de usar, para liberar o aroma característico.
Quanto tempo leva para dessalgar a carne seca?
Entre 12 e 24 horas, trocando a água de molho de 4 a 5 vezes. O processo começa com a carne cortada em cubos médios, imersa em água fria na geladeira. A cada 3 ou 4 horas, escorra a água (que vai ficar amarelada e salgada) e coloque água limpa de novo. Depois, cozinhe na pressão por 30 minutos, até a carne ficar macia o suficiente para desfiar com as mãos.
Posso substituir o leite de coco?
Pode, mas o sabor e a cremosidade mudam bastante. O leite de coco é o que dá o perfume adocicado e a textura aveludada do prato. Em substituição, use 200 ml de caldo de legumes caseiro bem concentrado e adicione 2 colheres (sopa) de manteiga na mesma proporção. Não use leite de vaca, que talha com o calor do arroz e com a acidez do tomate.
O arroz cearense com pequi é prato principal ou acompanhamento?
É prato principal. É rico em carboidrato, proteína (da carne seca) e gordura (do azeite ou do óleo de pequi), por isso sustenta bem o almoço de domingo por conta própria. Para quem quer montar um menu mais completo, sirva com uma entrada leve (como a sopa de capeleti com galinha caipira, que funciona bem como primeiro prato) e uma sobremesa à base de frutas da estação.
Qual o ponto certo do arroz no prato final?
O arroz deve ficar cremoso e úmido, com os grãos soltos mas envoltos em um molho leve formado pelo leite de coco, o caldo e a gordura da carne seca. Ele não pode ficar seco como um arroz branco comum, nem empapado como uma papa. Se, ao abrir a panela, ainda houver muito líquido, deixe mais 5 minutos em fogo baixo sem tampa; se estiver muito seco, regue com um pouco de caldo quente e mexa devagar.
Posso fazer a receita em panela elétrica ou na air fryer?
Não recomendo. O arroz cearense com pequi precisa de cozimento lento em panela grossa de fundo largo, com tampa, em fogo baixo, para que os sabores se integrem e o leite de coco não talhe. A air fryer não distribui calor de forma homogênea para esse tipo de receita com líquido, e a panela elétrica costuma deixar o arroz empapado. A panela de pressão pode ser usada para acelerar o cozimento da carne seca, mas o arroz deve ser finalizado em panela aberta.
Como armazenar o arroz cearense com pequi pronto?
Espere esfriar completamente, distribua em potes de vidro com tampa (de preferência pequenos, para abrir só o que vai consumir) e guarde na geladeira por até 3 dias. Para congelar, divida em porções de 1 a 2 porções em sacos próprios para freezer, retire o ar e congele por até 2 meses. Reaqueça sempre em panela antiaderente com um fio de azeite e uma colher (sopa) de água, em fogo baixo, mexendo devagar.
Dá para fazer a receita sem carne seca?
Dá, embora o sabor fique bem diferente. A carne seca é o que dá a base salgada e a textura fibrosa do prato. Em substituição, use 500 g de frango caipira desfiado (cozido e puxado na cebola e no alho) ou 300 g de linguiça calabresa fresca em rodelas (refogada antes de entrar no arroz). Para a versão vegetariana, troque por 300 g de tofu firme em cubos dourados na frigideira, mantendo o pequi e o leite de coco.

