Arroz de Matrincha na Pressao: o Almoco Ribeirinho de Outubro no Para na Piracema

Arroz de Matrincha na Pressao: o Almoco Ribeirinho de Outubro no Para na Piracema
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 02/10/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaArroz de matrincha na pressao, classico das mesas paraenses na epoca da piracema. Veja receita com Brycon amazonicus, arroz tipo agulha, cheiro verde e piracema.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
55 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
13 ingredientes
|
12 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. O que e a matrincha e por que outubro e a melhor época
  2. Ingredientes para o arroz de matrincha na pressão
  3. Modo de preparo do arroz de matrincha
  4. Tempo de preparo, cozimento e rendimento
  5. Variações regionais da matrincha na Amazônia
  6. Como servir e conservar o arroz de matrincha
  7. Tire suas duvidas

Atualizado em outubro de 2026. O arroz de matrincha na pressão e um clássico das mesas paraenses e amazonenses na época da piracema: o peixe reofílico (Brycon amazonicus), capturado nos cardumes que sobem o rio Amazonas no inicio das enchentes, e cozido em panela única com arroz, leite de coco, cheiro verde e pimentamalagueta da região, gerando um prato refogado de panela de cor dourada e caldo grosso. A receita combina a praticidade do arroz de panela única com a intensidade do peixe de agua doce amazônico, rendendo um almoço de domingo perfeito para outubro.

O que e a matrincha e por que outubro e a melhor época

A matrincha, também chamada de jatuarana, garrincha ou piabanha em diferentes regiões do Brasil, e uma especie de peixe de agua doce da família Bryconidae, de nome cientifico Brycon amazonicus (Spix & Agassiz, 1829). Habita as bacias dos rios Amazonas e Orinoco em seis países da América do Sul, com ocorrência confirmada no Brasil, Peru, Bolivia, Colômbia, Guiana e Venezuela. No Brasil, aparece nos mercados e feiras do Para, Amapá, Amazonas e parte do Maranhão, onde chega viva nos dias que sucedem a captura no rio.

Outubro e um mes especial para a matrincha porque coincide com a piracema, a migração reprodutiva que a especie faz rio acima. Segundo dados de literatura cientifica sobre o gênero, a desova total da matrincha coincide com o aumento da temperatura da agua e com o inicio das enchentes nos rios da região, formando grandes cardumes que sobem os afluentes do Amazonas. A pesca artesanal captura exemplares adultos de ate oito quilogramas, em pleno vigor de gordura, nas áreas de piracema que se estendem de outubro ate marco. E quando o peixe esta mais saboroso, com carne firme e escamas brilhantes.

Ingredientes para o arroz de matrincha na pressão

Closeup of a vibrant Amazonian fish with detailed patterns captured underwater.
Ingrediente Quantidade Observação
Postas de matrincha fresca 800 g Equivalente a quatro postas grandes, com escamas e couro
Arroz tipo agulha 500 g Equivalente a duas xícaras e meia, lavado e escorrido
Leite de coco fresco 400 ml Equivalente a duas xícaras, de preferencia natural
Cebola media 180 g Equivalente a duas cebolas medias, em cubos pequenos
Tomate maduro 200 g Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, em cubos
Pimentão verde 120 g Equivalente a um pimentão médio, em tiras de cubos
Pimentamalagueta regional 8 g Equivalente a uma unidade pequena, sem sementes, picada fino
Alho 20 g Equivalente a seis dentes médios, triturado
Cheiro verde fresco 30 g Equivalente a um moco de cebolinha e coentro, picado fino
Óleo de urucum (colorau) 30 ml Equivalente a duas colheres de sopa
Sal grosso 18 g Equivalente a uma colher de sopa rasa
Pimenta-do-reino branca 3 g Equivalente a meia colher de cha, acinzentada na hora
Agua 800 ml Equivalente a tres xícaras e meia, para o cozimento na pressão

Modo de preparo do arroz de matrincha

O segredo do arroz de matrincha paraense esta em selar bem as postas antes de adicionar o arroz, para criar uma base de charme no fundo da panela, e em usar a agua dos vegetais como ponto de partida do cozimento. O peixe entra em pedaços grandes, sem tirar a pele, porque o couro da matrincha e fino e ajuda a saborder presente no prato final.

Como preparar as postas de matrincha e o refogado aromático

  1. Lave bem as postas de matrincha em agua corrente, sem remover a pele nem as escamas. Seque com papel toalha e tempere com sal grosso (12 g), pimenta-do-reino branca (2 g) e metade do alho triturado. Reserve por quinze minutos.
  2. Em uma panela de pressão de seis litros, aquecca o óleo de urucum (colorau) em fogo médio ate ficar quente, mas sem deixar fumegar. Sele adicione a frente com a frente para baixo e doure por tres minutos de cada lado. Reserve em um par de pratos.
  3. Na mesma panela, adicione a cebola e refogue por quatro minutos ate ficar translucida. Acrescente o alho restante, o pimentão verde e a pimentamalagueta, refogando por mais dois minutos.
  4. Adicione o tomate em cubos e cozinhe por tres minutos ate começar a desmanchar, formando um molho grosso no fundo.

Como cozinhar o arroz na pressão com a matrincha

  1. Volte as postas de matrincha para a panela, acomodando por cima do refogado. Acrescente o arroz tipo agulhados, distribua uniformemente e adicione a agua dos vegetais: a agua e a metade do leite de coco fresco.
  2. Tampe os fechos da panela de pressão, leve ao fogo alto. Quando começar a apitar, iniciar o apito, baixar para fogo baixo e cozinhar por dez minutos contados a partir do primeiro apito.
  3. Desligue o fogo e espere a pressão sair naturalmente, sem forcar a válvula. Abra a panela apenas quando todo o vapor tiver saído.
  4. Acrescente o restante do leite de coco fresco, o cheiro verde fresco picado e o sal restante. Misture suavemente com uma colher de pau, sem desfiar as postas.
  5. Tampe a panela sem pressão e deixe descansar por mais cinco minutos em fogo desligado, para que o arroz absorva os sabores finais e o cheiro verde libere aroma.

Como preparar o pirão de caldo que acompanha o prato

  1. Com a importaca das postas, separe um pouco do caldo que ficou no fundo da panela e coloque nas torres pequenas. Adicione tres colheres de sopa de farinha de mandioca crua, aos poucos, mexendo sempre com um batedor de arame para evitar resistência.
  2. Cozinhe o pirão em fogo baixo por tres minutos, mexendo sem parar ate soltar da panela. O ponto certo e cremoso mas consistente, não duro nem mole demais.
  3. Sirva o pirão ao lado do arroz de matrincha, em uma cadoxa ou tigela pequena, com cheiro verde por cima da acaés.

Tempo de preparo, cozimento e rendimento

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 25 minutos.

tempo total: 55 minutos.

Rende 6 porcoes generosas.

O tempo de preparo inclui a lavagem das postas, o corte dos vegetais e o tempero das carnes. O tempo de cozimento inclui a selagem das postas, o refogado aromático, o cozimento sob pressão e o descanso final antes de servir. As seis porcoes são calculadas para almoço de domingo em mesa de família, considerando que cada pessoa se serve com cerca de um copo e meia duplo de arroz com peixe.

Variações regionais da matrincha na Amazônia

O arroz de matrincha tem ajustes de acordo com a região e a época do ano. Cada comunidade ribeirinha do eixo Amazônico tem sua própria versão, passada de geração em geração, e as variações mais conhecidas incluem:

Versão amazonense (Manaus e arredores): acrescenta tucupi verde na corriaguenta final, em cerca de 100 ml, e adiciona macaxeira em cubos de meia polegada, que cozinha junto com o peixe. Quem preferir ver um primo amazonense documentado pode experimentar o caldo de pirapitinga com tucupi e jambu, outro peixe reofílico da região. Para outras receitas amazônicas de panela única com peixe, vale conferir também o caldo de tucunaré com banana-da-terra, prato amazônico da mesma família, ou o arroz de capivara pantaneiro, versão com outra proteína ribeirinha.

Versão amapaense (Macapa e Santana): usa leite de coco em maior quantidade (500 ml no total) e acento de cheiro verde de amanha, com coentro predominante e pouca cebolinha, dando um sabor regional marcante.

Versão maranhense (Baixo Parnaíba): substitui parte do leite de coco por leite de coco de amanha, acrescenta arroz de amanha e tira ou adiciona cheiro verde de amanha, com coentro e cebolinha verde, gerando uma versão mais cremosa da amanha.

Versão do Baixo Tocantins (Cametá e Abaetetuba): e a versão mais tradicional do estado do Para, sem tucupi, com leite de coco fresco em quantidade generosa, pimentamalagueta regional e cheiro verde da região, e arroz cozido em panela de pressão de urgência. E o que costuma ser servido nas mesas de domingo do Baixo Tocantins.

Versão para fritar (comum em Santarém): as postas são separadas, fritas em óleo de urucum ate dourarem por fora, e em seguida cozidas em finas massas com arroz cozido a parte, gerando uma versão para fritar com posta frita e arroz cozido a parte, servidos na mesma travessa.

Como servir e conservar o arroz de matrincha

O arroz de matrincha deve ser servido bem quente, logo apos o descanso final, com pirão de caldo em uma tigela pequena ao lado. Acompanha bem uma salada verde de cidreira com tomate em rodelas, ou uma farofa de urucum com cebola e manteiga. Em dias mais quentes, uma limonada de limão regional (comum no Para) cai muito bem como sobremesa.

Para conservar na geladeira, deixe o arroz esfriar completamente, transfira para um pote de vidro com tampa e guarde por ate tres dias e meia calor. Na hora de reaquecer, adicione duas colheres de sopa de agua ou leite de coco e leve ao fogo baixo em panela tampada, mexendo de vez em quando para o arroz não agarrar no fundo. Para congelar, distribua em porcoes individuais em potes de vidro com tampa, tampe e leve ao freezer por ate tres meses. Calor descartado e resfriado, não recongele.

Tire suas duvidas

O que e matrincha?

A matrincha e o nome popular de um peixe de agua doce da família Bryconidae, de nome cientifico Brycon amazonicus (Spix & Agassiz, 1829), encontrado nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco em seis países da América do Sul. No Brasil, e encontrada principalmente nos estados do Para, Amapá, Amazonas e Maranhão, e tem como sinônimos regionais o jatuarana, a garrincha, a piabanha e a pirabinha.

Em que mes e a piracema da matrincha?

A piracema da matrincha comeca em outubro, quando o nível das águas dos rios da região Amazônica comeca a subir, e se prolonga ate marco. E nesse intervalo que os cardumes sobem o rio Amazonas para desovar, e a pesca artesanal captura os exemplares adultos em pleno vigor de gordura, com carne firme e escamas de brilho prata.

Posso substituir a matrincha por outro peixe?

Sim. A matrincha pode ser substituída por peixes de carne firme e sabor suave, como o tambaqui, a pirapitinga, o pacu ou o jaraqui. O prato finaltera um pouco o sabor, mas manterá a técnica do cozimento na prensa. Evite peixes de carne muito delicada, como a sardinha ou a tainha, porque eles se desfiam durante o cozimento na prensa.

Preciso de panela de pressão para fazer a receita?

A panela de pressão e recomendada porque cozinha o arroz em metade do tempo e mantem o sabor do peixe mais concentrado, mas a receita pode ser feita em panela comum com tampa, aumentando o tempo de cozimento para vinte e cinco minutos em fogo baixo e adicionando mais 100 ml de agua para compensar a evaporação maior.

Posso fazer a receita sem leite de coco?

O leite de coco fresco e parte essencial do perfil de sabor do prato paraense, mas em uma emergência pode ser substituído por 200 ml de leite de vaca integral com uma colher de sopa de óleo de coco derretido. O sabor final sera diferente, mas o prato ainda ficara cremoso e aromático.

O arroz de matrincha pode ser congelado?

Sim. O prato pode ser congelado por ate tres meses, desde que tenha sido resfriado completamente em temperatura ambiente antes de ir para o freezer. Reaquecca em panela tampada com duas colheres de sopa de agua ou leite de coco, em fogo baixo, mexendo de vez em quando para que o arroz não agarre no fundo.

Qual a diferenca entre matrincha e jatuarana?

Matrincha e jatuarana são sinônimos do mesmo peixe, Brycon amazonicus, e o nome usado varia de acordo com a região. No Para e no Amazonas, o nome mais comum e matrincha; em algumas áreas do Maranhão, o nome mais comum e jatuarana; em outras áreas, garrincha, piabanha ou pirabinha. E o mesmo peixe, com a mesma textura firme e o mesmo perfil de sabor suave.

Como sei que a carne da matrincha ficou no ponto?

A carne da matrincha fica no ponto quando se solta facilmente do espinhao com um garfo, mas ainda mantem a forma da posta. Se o garfo entrar com resistência, cozinhe por mais cinco minutos sob pressão. Se a carne se desfiando sozinha, cozinhou demais e pode ficar um pouco seca no final.

O pirão e obrigatório ou pode ser dispensado?

O pirão de caldo e parte tradicional do prato no estado do Para, mas pode ser dispensado se você preferir um arroz mais seco ou se não tiver farinha de mandioca em casa. Em substituição, sirva o arroz com rodelas de batata inglesa cozida no próprio caldo, ou com uma farofa de manteiga feita na frigideira.

Posso adicionar tucupi na receita?

Sim, e a variação amazonense (Manaus e arredores) acrescenta matrinchama (tucupi) verde na corriaguenta final, em cerca de 100 ml, dando um sabor de amapá predominante. Adicione o tucupi apenas no final do cozimento, depois de abrir a panela de pressão, porque o calor excessivo pode amargar o tucupi.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 02 de outubro de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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