Índice do Conteúdo
- Por que o curimatã combina com a cozinha pantaneira de setembro
- Ingredientes do caldo de curimatã com mandioca e pirão de arroz
- Modo de preparo do caldo e do pirão de arroz
- Tempo de preparo e rendimento do caldo de curimatã
- Variações regionais e substituições do caldo de curimatã
- Como servir e conservar o caldo de curimatã
- Tire suas dúvidas sobre o caldo de curimatã pantaneiro
- O curimatã tem muitas espinhas?
- Posso usar curimatã congelado?
- Dá para fazer o caldo só com a cabeça e a espinha do curimatã?
- Qual a diferença entre curimatã e curimbatá?
- Preciso retirar a pele do curimatã antes de cozinhar?
- O pirão pode ser feito só com a farinha de mandioca?
- Esse caldo combina com qual bebida?
- Como aproveitar as sobras?
- Curimatã de cativeiro tem o mesmo sabor?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Por que o curimatã combina com a cozinha pantaneira de setembro
- Ingredientes do caldo de curimatã com mandioca e pirão de arroz
- Modo de preparo do caldo e do pirão de arroz
- Tempo de preparo e rendimento do caldo de curimatã
- Variações regionais e substituições do caldo de curimatã
- Como servir e conservar o caldo de curimatã
- Tire suas dúvidas sobre o caldo de curimatã pantaneiro
Atualizado em setembro de 2026. O caldo de curimatã com mandioca e pirão de arroz é um dos almoços de panela mais tradicionais do Pantanal Sul-Mato-Grossense, preparado nos meses de transição entre a seca e o início das chuvas (setembro e outubro), quando o curimatã (Prochilodus lineatus, também chamado de curimbatá, papa-terra ou branquinha) entra em cardume nos rios da planície pantaneira para a piracema. A carne clara e sem espinhas grandes rende um caldo delicado, levemente adocicado, que casa com a doçura natural da mandioca e com o pirão de arroz grosso engrossado no próprio cozimento.
Por que o curimatã combina com a cozinha pantaneira de setembro
O curimatã é um peixe de fundo, iliófago, que se alimenta de lodo, algas e detritos orgânicos no leito de rios e lagoas (Wikipedia, “Prochilodus lineatus”). Por isso a carne tem sabor suave, diferente de peixes carnívoros como o dourado ou o pintado. A família Curimatidae está presente em praticamente todas as bacias brasileiras (Amazônica, Tocantins-Araguaia, Prata, Parnaíba, São Francisco) e também nos açudes do Nordeste, o que torna o peixe versátil em receitas regionais que vão do caldo com pirão de arroz (Mato Grosso do Sul) ao assado na brasa com vinagrete (rio São Francisco) e ao cozido com pirão de leite (Bahia).
Setembro é o mês da transição no Pantanal Sul-Mato-Grossense: as águas ainda estão baixas nas baías e corichos, mas as primeiras chuvas começam a subir o nível dos rios, acionando a migração reprodutiva do curimatã. É nessa janela que os pescadores artesanais de Corumbá, Ladário e Porto Murtinho capturam os cardumes para o consumo nas fazendas e nos restaurantes do Porto Geral, em Corumbá. O caldo de panela com mandioca é a forma mais simples e fiel ao preparo caseiro da região, segundo registros da Embrapa Pantanal.
Ingredientes do caldo de curimatã com mandioca e pirão de arroz

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Postas de curimatã fresco | 1,2 kg | Equivalente a quatro postas grandes com cerca de 3 cm de espessura |
| Mandioca descascada e cortada em toletes | 800 g | Equivalente a aproximadamente 3 raízes médias de mandioca |
| Arroz branco tipo 1 | 200 g | Para o pirão, lavado e escorrido |
| Cebola média picada em cubos | 180 g | Equivalente a duas cebolas médias |
| Tomate maduro picado | 160 g | Equivalente a dois tomates médios sem sementes |
| Pimentão verde em cubos | 90 g | Equivalente a um pimentão médio |
| Alho picado | 20 g | Equivalente a cinco dentes médios |
| Cheiro-verde (salsinha e cebolinha) picado | 15 g | Equivalente a um maço pequeno |
| Folha de louro | 1 g | Equivalente a duas folhas pequenas |
| Pimenta-de-cheiro picada | 8 g | Equivalente a duas pimentas pequenas sem sementes |
| Sal grosso | 18 g | Ajustar conforme o gosto |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 3 g | Equivalente a uma colher de chá |
| Azeite de oliva | 30 ml | Para refogar os aromáticos |
| Água filtrada | 2,5 L | Pode ser substituída por caldo de legumes caseiro |
Modo de preparo do caldo e do pirão de arroz
O preparo segue a sequência clássica das panelas pantaneiras: refogado aromático, cozimento da mandioca junto com o peixe, finalização do pirão com o caldo do cozimento. A ideia é aproveitar o máximo do sabor que sai das espinhas do curimatã durante a fervura.
Como preparar o refogado aromático e cozinhar o peixe
- Aqueça o azeite em uma panela de fundo grosso (capacidade para 4 litros) em fogo médio.
- Refogue a cebola até ficar translúcida, durante 3 a 4 minutos, mexendo de vez em quando.
- Acrescente o alho, o pimentão e a pimenta-de-cheiro e refogue por mais 2 minutos, até os aromáticos murcharem.
- Adicione o tomate picado, a folha de louro, metade do sal e a pimenta-do-reino e cozinhe por 3 minutos até o tomate começar a desmanchar.
- Despeje os 2,5 litros de água, aumente o fogo e espere levantar fervura.
- Coloque os toletes de mandioca na panela e cozinhe por 12 a 15 minutos, até ficarem macios, mas sem desmanchar.
- Adicione as postas de curimatã, abaixe o fogo para médio-baixo e cozinhe por 10 a 12 minutos, até a carne se soltar do osso com facilidade.
- Retire as postas com cuidado, reserve em uma travessa e mantenha o caldo na panela em fogo baixo.
Como finalizar o pirão de arroz e servir o caldo
- Com o caldo ainda no fogo baixo, acrescente o arroz lavado e mexa bem para distribuir.
- Cozinhe por 18 a 20 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo, até o arroz ficar macio e o caldo engrossar na consistência de pirão grosso.
- Prove e ajuste o sal e a pimenta-do-reino.
- Volte as postas de curimatã para a panela, desligue o fogo e polvilhe o cheiro-verde picado por cima.
- Tampe a panela e deixe descansar por 5 minutos antes de servir, para que os sabores se acomodem.
- Sirva em pratos fundos, com bastante pirão ao lado de cada posta de peixe e da mandioca.
Tempo de preparo e rendimento do caldo de curimatã
Tempo de preparo: 20 minutos.
Tempo de cozimento: 50 minutos.
tempo total: 70 minutos.
Rende 6 porções generosas (cada porção tem 2 postas pequenas, mandioca e pirão).
Variações regionais e substituições do caldo de curimatã
No Pantanal Sul-Mato-Grossense, a versão mais tradicional acrescenta colorau (urucum) e cheiro-verde em abundância no final, dando ao caldo uma cor amarelo-ouro. Na região do rio São Francisco (MG/BA/PE), o curimatã costuma ser assado na brasa com vinagrete de cebola, tomate e coentro, em vez de virar caldo de panela. No Nordeste, especialmente nos açudes da Bahia e de Pernambuco, o peixe entra em cozido com pirão de leite de coco, chamado regionalmente de “curimbatá de coco”.
Caso não encontre curimatã fresco, você pode substituir por outro peixe de carne clara e firme da bacia em que mora: jatuarana (no Norte), piapara (no São Francisco), piavuçu (no Pantanal) ou mesmo tilápia de cativeiro (em todo o Brasil). O pirão de arroz pode ser substituído por pirão de farinha de mandioca, bastando dissolver 150 g de farinha de mandioca branca no caldo quente, mexendo até engrossar. Para uma versão com pirão de leite, finalize o caldo com 200 ml de leite de coco no lugar do arroz.
Como servir e conservar o caldo de curimatã
Sirva o caldo bem quente, em pratos fundos, acompanhado de arroz branco, pirão extra à parte e uma salada verde de agrião ou couve. Em Corumbá, o costume é comer a mandioca com as mãos, regada com o pirão, antes de provar o peixe. Uma rodela de limão-galego espremida por cima de cada posta acentua o sabor sem mascarar a delicadeza do caldo.
Para conservar, espere o caldo esfriar completamente, retire os ossos grandes das postas e guarde em pote de vidro com tampa na geladeira por até 3 dias, ou em porções individuais no freezer por até 3 meses. Na hora de reaquecer, faça em fogo baixo e acrescente um fio de água se o pirão tiver engrossado demais. Não é recomendável recongelar após descongelar.
Tire suas dúvidas sobre o caldo de curimatã pantaneiro
O curimatã tem muitas espinhas?
Sim, é um peixe de espinhas ramificadas (espinha em Y), típico da família Curimatidae, e exige cuidado na hora de comer. Por isso o caldo com pirão é uma das formas mais práticas de aproveitá-lo: as espinhas maiores ficam na panela e o pirão ajuda a puxar as pequenas no momento de mastigar.
Posso usar curimatã congelado?
Pode, desde que o peixe tenha sido congelado ainda fresco e mantido a -18 °C ou menos. Descongele lentamente na geladeira de um dia para o outro, seque bem as postas com papel toalha antes de colocar no caldo e reduza o tempo de cozimento em 3 a 4 minutos para não ressacar a carne.
Dá para fazer o caldo só com a cabeça e a espinha do curimatã?
Dá, e é a versão preferida de quem usa postas para assar separadamente. Use 600 g de cabeça, espinha e cauda em 2,5 litros de água, cozinhe por 30 minutos, coe e use o caldo como base para o refogado de mandioca e o pirão de arroz.
Qual a diferença entre curimatã e curimbatá?
São a mesma espécie, Prochilodus lineatus, com nomes regionais diferentes. “Curimbatá” é mais comum em São Paulo, Minas Gerais e Goiás; “curimatã” predomina no Mato Grosso do Sul e no Pantanal; “papa-terra” é o nome popular no Norte; “branquinha” no Nordeste, segundo a Embrapa Pantanal.
Preciso retirar a pele do curimatã antes de cozinhar?
Não precisa. A pele do curimatã é fina e ajuda a manter a carne úmida durante o cozimento. Lave bem as postas com água corrente, seque com papel toalha e leve direto para o caldo fervente, já temperado com o refogado.
O pirão pode ser feito só com a farinha de mandioca?
Pode. Nesse caso o prato deixa de ser “caldo com pirão de arroz” e vira “caldo com pirão de farinha”. Dissolva 150 g de farinha de mandioca branca no caldo já cozido com a mandioca e mexa vigorosamente em fogo baixo até engrossar. O sabor fica mais rústico e lembra a versão clássica do Norte de Minas.
Esse caldo combina com qual bebida?
A combinação clássica no Pantanal é com suco de caju gelado ou limonada bem gelada. Quem prefere bebida alcoólica pode servir uma cerveja pilsen bem fria, que não rouba o sabor delicado do peixe. Para um almoço de fim de semana, um vinho branco seco e leve, como um Sauvignon Blanc jovem, funciona bem.
Como aproveitar as sobras?
Desfie a carne restante das postas, misture com o pirão frio e recheie pastéis ou empadas caseiras. Outra opção é transformar as sobras em um bolinho de peixe: misture a carne desfiada com ovo, farinha de trigo, cheiro-verde e sal, modele os bolinhos e frite em óleo quente até dourar. Servem como petisco no lanche da tarde.
Curimatã de cativeiro tem o mesmo sabor?
Tem sabor mais neutro e textura mais firme, porque a alimentação é controlada e o peixe se movimenta menos. Funciona bem no caldo, mas o sabor fica menos pronunciado que o do peixe selvagem. Se puder, prefira o curimatã de pesca artesanal, vendido fresco em feiras livres de cidades ribeirinhas como Corumbá, Cáceres ou Porto Murtinho.

