Índice do Conteúdo
- O que é o sarapatel e por que ele é pernambucano de verdade
- Ingredientes do sarapatel pernambucano
- Tempo de preparo e rendimento
- Modo de preparo do sarapatel pernambucano
- Como escolher e limpar o sangue de porco
- Variações regionais do sarapatel no Nordeste
- Como servir e conservar o sarapatel
- Erros comuns que você pode evitar
- Tire suas dúvidas
- O que é exatamente o sarapatel?
- Posso fazer sarapatel sem sangue de porco?
- Onde comprar sangue de porco coagulado?
- Sarapatel é o mesmo que buchada?
- Quanto tempo o sarapatel dura na geladeira?
- Posso fazer sarapatel na panela de pressão?
- Qual a diferença entre sarapatel e dobradinha?
- Qual o melhor acompanhamento para sarapatel?
- Posso usar só fígado se não achar coração e pulmão?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que é o sarapatel e por que ele é pernambucano de verdade
- Ingredientes do sarapatel pernambucano
- Tempo de preparo e rendimento
- Modo de preparo do sarapatel pernambucano
- Como escolher e limpar o sangue de porco
- Variações regionais do sarapatel no Nordeste
- Como servir e conservar o sarapatel
- Erros comuns que você pode evitar
- Tire suas dúvidas
Atualizado em julho de 2026. O sarapatel pernambucano é o cozido clássico do Recife e do Agreste feito com sangue de porco, fígado, coração e pulmão, refogados em panela de ferro com cebola, cominho, coentro, limão e vinagre. É o prato que fecha a mesa do São Pedro em julho, servido com arroz branco, farofa de manteiga e pirão do próprio cozido.
O que é o sarapatel e por que ele é pernambucano de verdade
O sarapatel (também chamado de sarapatéu ou sarrapatel, dependendo do bairro) é um cozido de sangue coagulado e miúdos de porco que tem raiz portuguesa, a palavra vem do termo árabe sarab, ligado a mistura. Em Pernambuco, a receita ganhou identidade própria no século XIX, no ciclo do açúcar, quando os escravizados dos engenhos do Cabo e da Zona da Mata tinham acesso às vísceras dos porcos abatidos nas festas de São João e São Pedro e aprenderam a transformar esse ingrediente em um cozido aromático, encorpado e picante.
Hoje o sarapatel é presença garantida em três momentos do calendário pernambucano: nas quermesses de São Pedro que prolongam o São João até julho, nos almoços de sábado nas casas do Arruda e da Casa Forte, e nas feiras do bairro de São José, no centro do Recife, onde os cozinheiros servem o prato em panelões de alumínio com cheiro que toma conta da calçada. Quem visita Caruaru no São João encontra versões mais rústicas, com mais coentro verde e mais pimenta; quem vai a Olinda encontra a versão com adição de queijo coalho ralado por cima, herdada da vizinhança com a Bahia.
A diferença entre sarapatel e buchada é simples e ajuda quem está começando: a buchada é feita com o estômago (a bucha) do porco recheado com os miúdos; o sarapatel não leva bucha, vai direto ao refogado de sangue e miúdos cortados em cubos. As duas receitas são primas e compartilham a base aromática, mas o sarapatel tem textura mais cremosa, vinda do sangue coagulado que dissolve no cozido e dá liga.
Ingredientes do sarapatel pernambucano

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Sangue de porco fresco | 500 ml (aproximadamente 2 xícaras) | Coagulado e cortado em cubos, comprado em casas de carne nordestinas |
| Fígado de porco | 300 g | Cortado em cubos pequenos |
| Coração de porco | 200 g | Sem gordura, cortado em cubos |
| Pulmão de porco (opcional) | 200 g | Muito típico no Agreste, dá textura aerada; pode substituir por mais 200 g de fígado |
| Bacon em cubos | 100 g | Para a base de gordura |
| Cebola grande | 2 unidades | Picada fina |
| Tomate maduro | 2 unidades | Sem sementes, picado |
| Dente de alho | 4 unidades | Amassados |
| Coentro fresco | 1 maço pequeno | Folhas e talos picados |
| Salsinha | 1/2 maço | Picada fina |
| Limão | 1 unidade | Suco para dessalgar o sangue e a carne |
| Vinagre branco | 3 colheres de sopa | Para o refogado final |
| Cominho em grão | 1 colher de sopa | Triturado na hora, se possível |
| Pimenta-do-reino | 1 colher de chá | Moída na hora |
| Pimenta vermelha (de cheiro) | 1 unidade | Sem sementes, picada; ajustar conforme o gosto |
| Sal | Aproximadamente 1 colher de sopa | Variar conforme o paladar |
| Folha de louro | 2 unidades | Para o cozimento |
| Óleo ou azeite | 2 colheres de sopa | Para iniciar o refogado |
| Água filtrada | 1 litro (aproximadamente) | Para o cozimento, se necessário |
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 30 minutos.
Tempo de cozimento: 50 minutos.
tempo total: 80 minutos.
Rende 8 porções generosas.
Cada porção tem aproximadamente 320 kcal (valor estimado, varia conforme o preparo).
Modo de preparo do sarapatel pernambucano
- Lave bem o sangue de porco coagulado em água corrente e corte-o em cubos de aproximadamente 2 cm. Coloque os cubos em uma tigela, cubra com água, adicione o suco de 1 limão e deixe dessalgar e limpar por 20 minutos na geladeira. Esse banho de limão tira o cheiro forte e qualquer resíduo de sangue solto.
- Corte o fígado, o coração e o pulmão (se estiver usando) em cubos pequenos de cerca de 1,5 cm. Lave em água corrente, escorra bem e reserve.
- Em uma tigela, tempere os miúdos cortados com metade do alho amassado, metade do cominho, a pimenta-do-reino, metade da cebola picada, sal e 1 colher de sopa de vinagre. Misture bem, cubra com filme e deixe marinar por 20 minutos na geladeira enquanto o sangue descansa no limão.
- Escorra o sangue e reserve. Em uma panela de ferro larga (ou panelão de alumínio grosso), aqueça o óleo em fogo médio e frite o bacon até dourar e soltar a gordura. Acrescente a cebola restante, o alho restante e refogue por cerca de 5 minutos até a cebola ficar translúcida.
- Adicione o tomate picado, o cominho restante e a folha de louro. Cozinhe por 4 minutos, mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar e formar um molho grosso.
- Acrescente os miúdos marinados com todo o líquido da marinada. Refogue em fogo alto por 8 a 10 minutos, mexendo bem, até a carne mudar de cor e dourar levemente nas bordas.
- Junte o sangue em cubos, o restante do vinagre, o coentro e a salsinha picados, a pimenta vermelha e 500 ml de água filtrada. Misture com cuidado para não desmanchar os cubos de sangue.
- Reduza o fogo para médio-baixo, tampe a panela e cozinhe por 35 minutos. Mexa de vez em quando, com cuidado, para o sangue incorporar ao molho e a textura ficar cremosa. Se o cozido ficar muito seco antes do tempo, adicione mais 250 ml de água quente.
- Prove, acerte o sal e a pimenta. Cozinhe mais 5 minutos sem tampa para apurar o molho, ele deve ficar espesso, brilhante e com a cor escura característica do sarapatel pernambucano.
- Desligue o fogo, deixe a panela tampada por 10 minutos para os sabores assentarem e sirva a seguir, bem quente, com arroz branco, farofa de manteiga, pirão feito com o próprio caldo e rodelas de limão à parte.
Como escolher e limpar o sangue de porco
O sangue é o ingrediente que mais assusta quem nunca fez sarapatel, mas é ele o responsável pela textura cremosa e pelo sabor profundo do prato. Nos mercados do Recife e de Caruaru, o sangue é vendido já coagulado em blocos firmes, cortados em retângulos, geralmente embrulhados em plástico. Procure peças com cor vermelho-escura uniforme, sem cheiro ácido forte e sem pontos esverdeados.
O banho de limão que aparece no passo 1 do modo de preparo é obrigatório: além de limpar resíduos, ele suaviza o sabor e ajuda o sangue a manter a forma durante o cozimento. Se não achar sangue já coagulado, peça ao açougueiro para reservar o sangue fresco na hora do abate e leve para casa em recipiente fechado, em geladeira, dura até 24 horas antes de coagular. Em São Paulo e no Rio, casas de carne nordestinas e feiras livres de bairros como Bom Retiro e Madureira costumam vender sob encomenda.
Variações regionais do sarapatel no Nordeste
Cada estado nordestino tem a sua leitura do cozido de sangue. Em Pernambuco, o sarapatel vai com bastante coentro verde e costuma ser mais encorpado, com pulmão junto ao fígado e ao coração. Na Paraíba, a versão de Campina Grande é mais seca, com menos caldo e mais pirão à parte; o sangue entra em pedaços maiores. Na Bahia, o sarapatel recebe um toque de leite de coco e colorau, e às vezes leva cheiro-verde misturado ao coentro. Em Alagoas, a receita é parecida com a pernambucana, mas usa pouco vinagre e mais limão.
Na versão que sirva aqui, mantive o vinagre porque ele é a assinatura da cozinha do Recife: ajuda a fixar a cor e equilibra a untuosidade do sangue. Se preferir o sabor mais suave, troque o vinagre por mais suco de limão no final. E se não encontrar pulmão de porco, não tem problema, use 500 g de fígado no total e mantenha o coração, que é o que dá textura firme.
Como servir e conservar o sarapatel
O sarapatel é prato de almoço, não de jantar. A combinação clássica é arroz branco soltinho, farofa de manteiga dourada na frigideira, pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca, e rodelas de limão à parte para quem quiser apertar o sabor. Em Pernambuco, é comum acompanhar com uma cerveja bem gelada; em casa, uma água de coco ou um suco de caju gelado caem muito bem.
Para conservar, deixe o sarapatel esfriar completamente, coloque em pote de vidro com tampa e guarde na geladeira por até 3 dias. No dia seguinte, o sabor fica ainda melhor, o sangue firma e os temperos se acomodam. Para reaquecer, leve ao fogo baixo em panela tampada, adicionando um fio de água se o caldo estiver grosso demais. Não é recomendável congelar, porque o sangue coagulado muda de textura ao descongelar e fica borrachudo.
Erros comuns que você pode evitar
O primeiro erro é pular o banho de limão no sangue: sem ele, o sarapatel fica com cheiro forte e cor apagada. O segundo é cozinhar em fogo alto demais, o sangue endurece e o cozido fica granuloso. O terceiro é colocar o sangue antes dos miúdos, ele entra depois, quando o molho já está formado, para só firmar e dar liga.
Por fim, não economize no cominho. O cominho em grão triturado na hora diferencia um sarapatel caseiro de um sarapatel de feira. Compre o grão inteiro e moa em pilão ou no almofariz só na hora de usar, o aroma é completamente diferente do cominho em pó de supermercado.
Tire suas dúvidas
O que é exatamente o sarapatel?
O sarapatel é um cozido nordestino feito com sangue coagulado de porco, fígado, coração e, às vezes, pulmão, refogados com cebola, cominho, coentro, vinagre e limão. A textura é cremosa por causa do sangue, e o sabor é profundo, levemente ácido e aromático. É diferente da buchada porque não leva o estômago (bucha) do porco.
Posso fazer sarapatel sem sangue de porco?
Não fica sarapatel de verdade sem o sangue, ele é o que dá liga, cor escura e textura cremosa ao cozido. Em emergências, algumas donas de casa substituem por sangue de frango coagulado, mas o sabor muda bastante. O ideal é garantir o sangue fresco em casas de carne nordestinas ou feiras livres.
Onde comprar sangue de porco coagulado?
Em Recife, Olinda, Caruaru e Campina Grande, qualquer mercado municipal vende em peças. Em São Paulo e no Rio, procure casas de carne nordestinas nos bairros do Bom Retiro, Liberdade (em algumas bancas), Madureira e em feiras da Zona Norte. Também é possível encomendar por telefone com 1 dia de antecedência em frigoríficos especializados.
Sarapatel é o mesmo que buchada?
Não. A buchada usa o estômago (bucha) do porco recheado com os miúdos e cozido em caldo claro. O sarapatel não leva bucha: vai direto ao refogado de sangue coagulado e miúdos cortados em cubos, com molho espesso e escuro. As receitas compartilham a base aromática nordestina, mas a textura e a montagem são diferentes.
Quanto tempo o sarapatel dura na geladeira?
Em pote de vidro com tampa, na geladeira, o sarapatel dura bem por até 3 dias. No dia seguinte, o sabor costuma ficar ainda mais apurado. Não é recomendável congelar porque o sangue coagulado perde a textura cremosa e fica borrachudo ao descongelar.
Posso fazer sarapatel na panela de pressão?
Pode, mas não é o tradicional pernambucano. O sarapatel clássico do Recife é feito em panela de ferro larga, em fogo médio-baixo, para o sangue incorporar ao molho aos poucos. Na pressão, o cozimento é rápido demais e o sangue pode desmanchar; o resultado fica com textura diferente, mais próxima de uma buchada desfiada.
Qual a diferença entre sarapatel e dobradinha?
A dobradinha é feita com tripa (intestino) de porco ou de boi, cozida em caldo claro com feijão branco. O sarapatel é feito com sangue e miúdos, com molho escuro e encorpado. Os dois são cozidos nordestinos, mas os ingredientes principais e o perfil de sabor são bem distintos.
Qual o melhor acompanhamento para sarapatel?
Arroz branco soltinho, farofa de manteiga dourada, pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca, e rodelas de limão à parte. Em Pernambuco, uma cerveja bem gelada ou um suco de caju acompanham muito bem. Evite acompanhamentos muito ácidos, que competem com o sabor do cozido.
Posso usar só fígado se não achar coração e pulmão?
Sim. A receita fica com 500 g de fígado no total, sem coração nem pulmão, e ainda assim tem o sabor característico do sarapatel. O coração dá textura firme e o pulmão dá leveza, mas o fígado sozinho carrega o sabor. O importante é manter o sangue e o cominho.
Para conferir outras receitas nordestinas que combinam com o sarapatel, vale conhecer o borrego assado nordestino (prato principal do São Pedro), o quibebe paraibano com jerimum e carne seca (cozido primo do sarapatel, com outro perfil aromático) e o cuscuz nordestino com ovo e queijo coalho (para o café da manhã do mesmo dia). Se quiser variar a proteína do almoço de domingo, a dobradinha à paulista com grão-de-bico e calabresa é outra opção forte de cozido de inverno.

