Sarapatel Pernambucano: o Cozido Nordestino de Sangue e Fígado que Sustenta o Almoço de Julho

Sarapatel Pernambucano: o Cozido Nordestino de Sangue e Fígado que Sustenta o Almoço de Julho
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 06/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaSarapatel pernambucano com sangue, fígado, coração e pulmão de porco refogados com cebola, cominho, coentro e vinagre. Aprenda o cozido clássico do Agreste.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
80 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

🔥 Calorias
320 kcal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
19 ingredientes
|
10 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. O que é o sarapatel e por que ele é pernambucano de verdade
  2. Ingredientes do sarapatel pernambucano
  3. Tempo de preparo e rendimento
  4. Modo de preparo do sarapatel pernambucano
  5. Como escolher e limpar o sangue de porco
  6. Variações regionais do sarapatel no Nordeste
  7. Como servir e conservar o sarapatel
  8. Erros comuns que você pode evitar
  9. Tire suas dúvidas

Atualizado em julho de 2026. O sarapatel pernambucano é o cozido clássico do Recife e do Agreste feito com sangue de porco, fígado, coração e pulmão, refogados em panela de ferro com cebola, cominho, coentro, limão e vinagre. É o prato que fecha a mesa do São Pedro em julho, servido com arroz branco, farofa de manteiga e pirão do próprio cozido.

O que é o sarapatel e por que ele é pernambucano de verdade

O sarapatel (também chamado de sarapatéu ou sarrapatel, dependendo do bairro) é um cozido de sangue coagulado e miúdos de porco que tem raiz portuguesa, a palavra vem do termo árabe sarab, ligado a mistura. Em Pernambuco, a receita ganhou identidade própria no século XIX, no ciclo do açúcar, quando os escravizados dos engenhos do Cabo e da Zona da Mata tinham acesso às vísceras dos porcos abatidos nas festas de São João e São Pedro e aprenderam a transformar esse ingrediente em um cozido aromático, encorpado e picante.

Hoje o sarapatel é presença garantida em três momentos do calendário pernambucano: nas quermesses de São Pedro que prolongam o São João até julho, nos almoços de sábado nas casas do Arruda e da Casa Forte, e nas feiras do bairro de São José, no centro do Recife, onde os cozinheiros servem o prato em panelões de alumínio com cheiro que toma conta da calçada. Quem visita Caruaru no São João encontra versões mais rústicas, com mais coentro verde e mais pimenta; quem vai a Olinda encontra a versão com adição de queijo coalho ralado por cima, herdada da vizinhança com a Bahia.

A diferença entre sarapatel e buchada é simples e ajuda quem está começando: a buchada é feita com o estômago (a bucha) do porco recheado com os miúdos; o sarapatel não leva bucha, vai direto ao refogado de sangue e miúdos cortados em cubos. As duas receitas são primas e compartilham a base aromática, mas o sarapatel tem textura mais cremosa, vinda do sangue coagulado que dissolve no cozido e dá liga.

Ingredientes do sarapatel pernambucano

A plate of Brazilian feijoada with rice, beans, farofa, and a fried egg.
Ingrediente Quantidade Observação
Sangue de porco fresco 500 ml (aproximadamente 2 xícaras) Coagulado e cortado em cubos, comprado em casas de carne nordestinas
Fígado de porco 300 g Cortado em cubos pequenos
Coração de porco 200 g Sem gordura, cortado em cubos
Pulmão de porco (opcional) 200 g Muito típico no Agreste, dá textura aerada; pode substituir por mais 200 g de fígado
Bacon em cubos 100 g Para a base de gordura
Cebola grande 2 unidades Picada fina
Tomate maduro 2 unidades Sem sementes, picado
Dente de alho 4 unidades Amassados
Coentro fresco 1 maço pequeno Folhas e talos picados
Salsinha 1/2 maço Picada fina
Limão 1 unidade Suco para dessalgar o sangue e a carne
Vinagre branco 3 colheres de sopa Para o refogado final
Cominho em grão 1 colher de sopa Triturado na hora, se possível
Pimenta-do-reino 1 colher de chá Moída na hora
Pimenta vermelha (de cheiro) 1 unidade Sem sementes, picada; ajustar conforme o gosto
Sal Aproximadamente 1 colher de sopa Variar conforme o paladar
Folha de louro 2 unidades Para o cozimento
Óleo ou azeite 2 colheres de sopa Para iniciar o refogado
Água filtrada 1 litro (aproximadamente) Para o cozimento, se necessário

Tempo de preparo e rendimento

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 50 minutos.

tempo total: 80 minutos.

Rende 8 porções generosas.

Cada porção tem aproximadamente 320 kcal (valor estimado, varia conforme o preparo).

Modo de preparo do sarapatel pernambucano

  1. Lave bem o sangue de porco coagulado em água corrente e corte-o em cubos de aproximadamente 2 cm. Coloque os cubos em uma tigela, cubra com água, adicione o suco de 1 limão e deixe dessalgar e limpar por 20 minutos na geladeira. Esse banho de limão tira o cheiro forte e qualquer resíduo de sangue solto.
  2. Corte o fígado, o coração e o pulmão (se estiver usando) em cubos pequenos de cerca de 1,5 cm. Lave em água corrente, escorra bem e reserve.
  3. Em uma tigela, tempere os miúdos cortados com metade do alho amassado, metade do cominho, a pimenta-do-reino, metade da cebola picada, sal e 1 colher de sopa de vinagre. Misture bem, cubra com filme e deixe marinar por 20 minutos na geladeira enquanto o sangue descansa no limão.
  4. Escorra o sangue e reserve. Em uma panela de ferro larga (ou panelão de alumínio grosso), aqueça o óleo em fogo médio e frite o bacon até dourar e soltar a gordura. Acrescente a cebola restante, o alho restante e refogue por cerca de 5 minutos até a cebola ficar translúcida.
  5. Adicione o tomate picado, o cominho restante e a folha de louro. Cozinhe por 4 minutos, mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar e formar um molho grosso.
  6. Acrescente os miúdos marinados com todo o líquido da marinada. Refogue em fogo alto por 8 a 10 minutos, mexendo bem, até a carne mudar de cor e dourar levemente nas bordas.
  7. Junte o sangue em cubos, o restante do vinagre, o coentro e a salsinha picados, a pimenta vermelha e 500 ml de água filtrada. Misture com cuidado para não desmanchar os cubos de sangue.
  8. Reduza o fogo para médio-baixo, tampe a panela e cozinhe por 35 minutos. Mexa de vez em quando, com cuidado, para o sangue incorporar ao molho e a textura ficar cremosa. Se o cozido ficar muito seco antes do tempo, adicione mais 250 ml de água quente.
  9. Prove, acerte o sal e a pimenta. Cozinhe mais 5 minutos sem tampa para apurar o molho, ele deve ficar espesso, brilhante e com a cor escura característica do sarapatel pernambucano.
  10. Desligue o fogo, deixe a panela tampada por 10 minutos para os sabores assentarem e sirva a seguir, bem quente, com arroz branco, farofa de manteiga, pirão feito com o próprio caldo e rodelas de limão à parte.

Como escolher e limpar o sangue de porco

O sangue é o ingrediente que mais assusta quem nunca fez sarapatel, mas é ele o responsável pela textura cremosa e pelo sabor profundo do prato. Nos mercados do Recife e de Caruaru, o sangue é vendido já coagulado em blocos firmes, cortados em retângulos, geralmente embrulhados em plástico. Procure peças com cor vermelho-escura uniforme, sem cheiro ácido forte e sem pontos esverdeados.

O banho de limão que aparece no passo 1 do modo de preparo é obrigatório: além de limpar resíduos, ele suaviza o sabor e ajuda o sangue a manter a forma durante o cozimento. Se não achar sangue já coagulado, peça ao açougueiro para reservar o sangue fresco na hora do abate e leve para casa em recipiente fechado, em geladeira, dura até 24 horas antes de coagular. Em São Paulo e no Rio, casas de carne nordestinas e feiras livres de bairros como Bom Retiro e Madureira costumam vender sob encomenda.

Variações regionais do sarapatel no Nordeste

Cada estado nordestino tem a sua leitura do cozido de sangue. Em Pernambuco, o sarapatel vai com bastante coentro verde e costuma ser mais encorpado, com pulmão junto ao fígado e ao coração. Na Paraíba, a versão de Campina Grande é mais seca, com menos caldo e mais pirão à parte; o sangue entra em pedaços maiores. Na Bahia, o sarapatel recebe um toque de leite de coco e colorau, e às vezes leva cheiro-verde misturado ao coentro. Em Alagoas, a receita é parecida com a pernambucana, mas usa pouco vinagre e mais limão.

Na versão que sirva aqui, mantive o vinagre porque ele é a assinatura da cozinha do Recife: ajuda a fixar a cor e equilibra a untuosidade do sangue. Se preferir o sabor mais suave, troque o vinagre por mais suco de limão no final. E se não encontrar pulmão de porco, não tem problema, use 500 g de fígado no total e mantenha o coração, que é o que dá textura firme.

Como servir e conservar o sarapatel

O sarapatel é prato de almoço, não de jantar. A combinação clássica é arroz branco soltinho, farofa de manteiga dourada na frigideira, pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca, e rodelas de limão à parte para quem quiser apertar o sabor. Em Pernambuco, é comum acompanhar com uma cerveja bem gelada; em casa, uma água de coco ou um suco de caju gelado caem muito bem.

Para conservar, deixe o sarapatel esfriar completamente, coloque em pote de vidro com tampa e guarde na geladeira por até 3 dias. No dia seguinte, o sabor fica ainda melhor, o sangue firma e os temperos se acomodam. Para reaquecer, leve ao fogo baixo em panela tampada, adicionando um fio de água se o caldo estiver grosso demais. Não é recomendável congelar, porque o sangue coagulado muda de textura ao descongelar e fica borrachudo.

Erros comuns que você pode evitar

O primeiro erro é pular o banho de limão no sangue: sem ele, o sarapatel fica com cheiro forte e cor apagada. O segundo é cozinhar em fogo alto demais, o sangue endurece e o cozido fica granuloso. O terceiro é colocar o sangue antes dos miúdos, ele entra depois, quando o molho já está formado, para só firmar e dar liga.

Por fim, não economize no cominho. O cominho em grão triturado na hora diferencia um sarapatel caseiro de um sarapatel de feira. Compre o grão inteiro e moa em pilão ou no almofariz só na hora de usar, o aroma é completamente diferente do cominho em pó de supermercado.

Tire suas dúvidas

O que é exatamente o sarapatel?

O sarapatel é um cozido nordestino feito com sangue coagulado de porco, fígado, coração e, às vezes, pulmão, refogados com cebola, cominho, coentro, vinagre e limão. A textura é cremosa por causa do sangue, e o sabor é profundo, levemente ácido e aromático. É diferente da buchada porque não leva o estômago (bucha) do porco.

Posso fazer sarapatel sem sangue de porco?

Não fica sarapatel de verdade sem o sangue, ele é o que dá liga, cor escura e textura cremosa ao cozido. Em emergências, algumas donas de casa substituem por sangue de frango coagulado, mas o sabor muda bastante. O ideal é garantir o sangue fresco em casas de carne nordestinas ou feiras livres.

Onde comprar sangue de porco coagulado?

Em Recife, Olinda, Caruaru e Campina Grande, qualquer mercado municipal vende em peças. Em São Paulo e no Rio, procure casas de carne nordestinas nos bairros do Bom Retiro, Liberdade (em algumas bancas), Madureira e em feiras da Zona Norte. Também é possível encomendar por telefone com 1 dia de antecedência em frigoríficos especializados.

Sarapatel é o mesmo que buchada?

Não. A buchada usa o estômago (bucha) do porco recheado com os miúdos e cozido em caldo claro. O sarapatel não leva bucha: vai direto ao refogado de sangue coagulado e miúdos cortados em cubos, com molho espesso e escuro. As receitas compartilham a base aromática nordestina, mas a textura e a montagem são diferentes.

Quanto tempo o sarapatel dura na geladeira?

Em pote de vidro com tampa, na geladeira, o sarapatel dura bem por até 3 dias. No dia seguinte, o sabor costuma ficar ainda mais apurado. Não é recomendável congelar porque o sangue coagulado perde a textura cremosa e fica borrachudo ao descongelar.

Posso fazer sarapatel na panela de pressão?

Pode, mas não é o tradicional pernambucano. O sarapatel clássico do Recife é feito em panela de ferro larga, em fogo médio-baixo, para o sangue incorporar ao molho aos poucos. Na pressão, o cozimento é rápido demais e o sangue pode desmanchar; o resultado fica com textura diferente, mais próxima de uma buchada desfiada.

Qual a diferença entre sarapatel e dobradinha?

A dobradinha é feita com tripa (intestino) de porco ou de boi, cozida em caldo claro com feijão branco. O sarapatel é feito com sangue e miúdos, com molho escuro e encorpado. Os dois são cozidos nordestinos, mas os ingredientes principais e o perfil de sabor são bem distintos.

Qual o melhor acompanhamento para sarapatel?

Arroz branco soltinho, farofa de manteiga dourada, pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca, e rodelas de limão à parte. Em Pernambuco, uma cerveja bem gelada ou um suco de caju acompanham muito bem. Evite acompanhamentos muito ácidos, que competem com o sabor do cozido.

Posso usar só fígado se não achar coração e pulmão?

Sim. A receita fica com 500 g de fígado no total, sem coração nem pulmão, e ainda assim tem o sabor característico do sarapatel. O coração dá textura firme e o pulmão dá leveza, mas o fígado sozinho carrega o sabor. O importante é manter o sangue e o cominho.

Para conferir outras receitas nordestinas que combinam com o sarapatel, vale conhecer o borrego assado nordestino (prato principal do São Pedro), o quibebe paraibano com jerimum e carne seca (cozido primo do sarapatel, com outro perfil aromático) e o cuscuz nordestino com ovo e queijo coalho (para o café da manhã do mesmo dia). Se quiser variar a proteína do almoço de domingo, a dobradinha à paulista com grão-de-bico e calabresa é outra opção forte de cozido de inverno.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 06 de julho de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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