Caldo de Dourado Pantaneiro com Mandioca e Pirão: o Jantar de Agosto no Mato Grosso do Sul

Caldo de Dourado Pantaneiro com Mandioca e Pirão: o Jantar de Agosto no Mato Grosso do Sul
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 13/08/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCaldo de dourado pantaneiro com mandioca, cebola e pirão para o jantar frio de agosto no Mato Grosso do Sul, à moda de Corumbá e do Pantanal Sul-Mato-Grossense.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
75 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Sopa

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
14 ingredientes
|
10 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes do caldo de dourado pantaneiro
  2. Modo de preparo do caldo e do pirão
  3. Tempo de preparo e rendimento
  4. Como escolher e limpar o dourado
  5. Como servir e variações regionais do caldo
  6. Receitas que dialogam com o caldo de dourado pantaneiro
  7. Tire suas dúvidas

Atualizado em agosto de 2026. O caldo de dourado pantaneiro é um caldo grosso de peixe feito com cabeça, espinhaço e postas do dourado (Salminus brasiliensis), cozido em panela com mandioca, cebola, alho, tomate e cheiro-verde, finalizado com pirão de farinha de milho ou de mandioca. A receita é típica do Pantanal Sul-Mato-Grossense e aparece em pousadas e pesqueiros da região de Corumbá, Ladário, Miranda e Aquidauana, sempre nos meses mais frescos do inverno.

O dourado é o peixe mais nobre da Bacia do Prata e do Pantanal. Na gastronomia pantaneira, ele é usado inteiro, da cabeça às postas do rabo, porque o caldo extrai o sabor da cartilagem e da carne próxima à espinha. A combinação com mandioca e pirão de farinha é a mesma base dos caldos de peixe do interior do Brasil, adaptada ao peixe de couro carnívoro que domina os rios da região. Para o jantar de uma noite fria de agosto no MS, é prato que sustenta a mesa sem precisar de acompanhamento pesado.

Ingredientes do caldo de dourado pantaneiro

Ingrediente Quantidade Observação
Postas de dourado com espinhaço e cabeça 1,2 kg Equivalente a duas postas grossas com a cabeça do peixe limpa
Mandioca descascada em cubos 500 g Preferir mandioca fresca, sem o fio central
Cebola média picada 180 g Equivalente a duas cebolas médias em cubos pequenos
Alho picado 20 g Equivalente a quatro dentes médios
Tomate maduro picado 200 g Equivalente a dois tomates maduros sem sementes
Pimentão verde pequeno 80 g Equivalente a um pimentão verde em cubos
Cebolinha fresca 15 g Equivalente a um maço pequeno, só a parte verde
Salsinha fresca 10 g Equivalente a meio maço pequeno, folhas e talos finos
Folha de louro seco 1 g Equivalente a duas folhas
Pimenta-de-cheiro fresca 8 g Equivalente a duas unidades, sem sementes
Sal grosso 15 g Ajustar ao paladar na hora de servir
Pimenta-do-reino moída na hora 2 g Equivalente a uma colher de chá rasa
Azeite de oliva 30 ml Duas colheres de sopa
Água filtrada 1,5 L Cobrir o peixe e a mandioca com folga

Modo de preparo do caldo e do pirão

A colorful bowl of Asian fish soup garnished with fresh vegetables and herbs.

O preparo começa pelo refogado aromático, segue com a cocção da cabeça e do espinhaço para extrair o caldo, junta a mandioca e termina com o peixe em postas já no final, para que a carne não seque. O pirão é feito à parte, engrossado com farinha de mandioca ou de milho, no mesmo caldo coado.

Como preparar o refogado e cozinhar a base

  1. Aqueça o azeite em panela de pressão ou panela grossa de fundo largo, em fogo médio, e refogue a cebola até ficar translúcida, por cerca de três minutos.
  2. Acrescente o alho, o pimentão e a pimenta-de-cheiro, e refogue por mais dois minutos, até perfumar.
  3. Junte o tomate picado, a folha de louro, o sal grosso e a pimenta-do-reino, e mexa por três minutos até o tomate começar a desmanchar.
  4. Posicione a cabeça e o espinhaço do dourado sobre o refogado, cubra com a água filtrada, tampe a panela de pressão e cozinhe por vinte e cinco minutos contados a partir do chiado.
  5. Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente e abra a panela com cuidado. Retire a cabeça e o espinhaço, deixe esfriar o suficiente para desossar e reserve a carne solta, descartando peles e espinhas pequenas.

Como finalizar o caldo, cozinhar as postas e engrossar o pirão

  1. Volte o caldo para a panela em fogo médio, acrescente a mandioca em cubos e cozinhe por quinze minutos, até que ela fique macia e comece a desmanchar nas bordas.
  2. Acrescente as postas de dourado, abaixe o fogo e cozinhe por mais oito minutos, apenas até a carne ficar branca e firmar. Não mexa demais para que as postas não se desfaçam.
  3. Devolva a carne desossada da cabeça e do espinhaço para a panela, junte a cebolinha e a salsinha, ajuste o sal e desligue o fogo. Reserve a panela tampada.
  4. Para o pirão, coe cerca de seiscentos mililitros do caldo para uma frigideira larga, leve ao fogo médio e acrescente farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre com colher de pau, até engrossar em ponto cremoso de pirão mole.
  5. Sirva o caldo em tigelas fundos com uma quenelle de pirão ao lado e rodelas de pimenta-de-cheiro crua por cima.

Tempo de preparo e rendimento

Tempo de preparo: 25 minutos.

Tempo de cozimento: 50 minutos.

tempo total: 75 minutos.

Rende 6 porções generosas (cada tigela rende uma refeição leve com pirão).

Como escolher e limpar o dourado

O dourado fresco tem cheiro de rio, não de peixe forte, olhos vivos e brânquias vermelhas. Para o caldo, peça ao peixeiro para cortar a cabeça inteira com o espinhaço e deixar duas postas grossas do meio do peixe, de três centímetros cada, com a pele. Lave tudo em água corrente, seque com papel toalha e mantenha refrigerado até a hora do preparo. A carne crua do dourado é firme e tem coloração rosada, por isso aguenta o cozimento no caldo sem virar papa.

Se o dourado não estiver disponível, é possível substituir por pacu grande em postas com espinhaço, embora o sabor seja menos marcante. Evite usar só filé sem osso, porque é a cabeça e o espinhaço que dão corpo ao caldo.

Como servir e variações regionais do caldo

O caldo de dourado pantaneiro vai bem como prato único no jantar de noite fria, servido em tigela fundo com pirão à parte, pão francês amanhecido e rodelas de limão. Em algumas pousadas de Miranda e Aquidauana, o pirão é feito com farinha de milho em vez de farinha de mandioca, e ganha um toque amarelo mais adocicado. Em Bonito, é comum acrescentar coentro fresco no lugar da salsinha, embora a cebolinha seja mantida.

Para variar, dá para acrescentar batata inglesa em cubos junto com a mandioca, ou terminar o caldo com um fio de leite de coco fresco, embora essa última versão já seja mais comum na transição Pantanal-Amazônia. O caldo também pode virar base para um arroz de dourado, refogando o arroz no caldo coado e juntando as postas desfiadas no final.

Receitas que dialogam com o caldo de dourado pantaneiro

Quem gosta do caldo de dourado costuma gostar de outros caldos de peixe de rio do Pantanal e da Bacia do Prata, todos publicados aqui no eugosto. O caldo de pintado pantaneiro usa a mesma base de mandioca e pirão, trocando o dourado pelo pintado, peixe de couro mais gorduroso que dá um caldo mais amarelo. Já o arroz de chambari pantaneiro é a versão de almoço do Pantanal, feito com pacu grande cozido no arroz com cheiro-verde e tomate.

Para um jantar mais amazônico na mesma pegada, vale experimentar o caldo de peixe com tucupi e jambu, que adiciona a acidez do tucupi e a dormência do jambu, criando um perfil completamente diferente do caldo pantaneiro. Quem preferir algo cremoso com crustáceo, o caldo de aratu com pirão de aipim usa a mesma técnica de caldo grosso engrossado com pirão, só que no lugar do peixe entra o aratu, crustáceo do mangue.

Por fim, para variar a proteína mantendo a cara do interior do Brasil, a caldo de galinha caipira com mandioca e milho mostra que a base mandioca + cheiro-verde + pirão funciona com qualquer proteína de panela, e o resultado é o mesmo aconchego de agosto.

Tire suas dúvidas

O dourado é peixe de água doce ou salgada?

O dourado usado nesse caldo é o Salminus brasiliensis, peixe de água doce que vive na Bacia do Prata e no rio Paraguaí, justamente o que dá nome ao Pantanal. Não confunde com o dourado-de-pelágico (Coryphaena hippurus), que é peixe de mar aberto e tem carne diferente. Para o caldo pantaneiro, use sempre o dourado de rio.

Posso substituir o dourado por outro peixe de couro?

Sim, o pacu grande em postas com cabeça e espinhaço é a substituição mais próxima em textura e sabor, embora o caldo fique um pouco mais suave. Pintado também funciona, e dá um caldo mais amarelo e gorduroso, parecido com o resultado que se consegue em Corumbá quando o dourado está fora de safra.

Preciso usar a cabeça e o espinhaço?

Para o caldo sim, porque é da cabeça e da espinhaço que sai o corpo do caldo. Se usar só filé sem osso, o resultado vira uma sopa rala de peixe. O ideal é cozinhar a cabeça e a espinhaço primeiro, coar ou desossar, e só depois colocar as postas limpas no caldo já aromatizado.

Dá para fazer o caldo sem panela de pressão?

Dá, mas o tempo de cozimento da cabeça e do espinhaço sobe para quarenta minutos em panela tampada, em fogo baixo. A mandioca também pede mais tempo, uns vinte e cinco minutos. O resultado final é o mesmo, só muda a janela de tempo total.

O pirão tem que ser com farinha de mandioca?

Tradicionalmente o pirão do caldo de dourado pantaneiro é feito com farinha de mandioca, que dá o sabor neutro e o ponto cremoso mais firme. A versão com farinha de milho é comum em algumas pousadas de Miranda e Aquidauana e fica mais amarelada e levemente adocicada. As duas funcionam e podem ser usadas no mesmo caldo.

Posso congelar o caldo pronto?

Sim, o caldo sem o pirão e sem a cebolinha e a salsinha congela bem por até três meses em pote fechado. Na hora de servir, descongele em fogo baixo, ajuste o sal e acrescente o cheiro-verde fresco e o pirão na última hora. O pirão não vai bem no congelamento porque perde a liga.

Qual a diferença entre caldo de dourado e caldo de piranha?

O caldo de piranha, mais comum na fronteira gaúcha, é feito com a carne magra da piranha e tem sabor mais suave, quase de caldo de peixe branco. O caldo de dourado tem corpo de caldo de peixe de couro, sabor mais intenso e a cor amarela do peixe dourando o líquido. As duas receitas usam a mesma base de mandioca e pirão, mas o perfil sensorial é bem diferente.

O caldo de dourado é típico só do Mato Grosso do Sul?

O dourado aparece em receitas de toda a Bacia do Prata, do Paraguaí ao sul do Brasil, mas o caldo com mandioca e pirão na versão que publiquei aqui é a forma pantaneira de Corumbá, Ladário, Miranda e Aquidauana. Em outras regiões, o dourado é mais comum assado inteiro na brasa, como na churrascaria de fronteira.

Qual a melhor época para encontrar dourado fresco no MS?

O dourado está disponível durante o ano todo nos rios do Pantanal, mas a temporada de pesca esportiva no MS costuma abrir entre março e maio e segue até outubro, dependendo do rio. Em agosto, os rios estão mais baixos e cristalinos, o que facilita ver o peixe e aumenta a oferta em pousadas e pesqueiros da região.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 13 de agosto de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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