Caldo de Umbu com Carne Seca: o Jantar Nordestino de Setembro no Início das Chuvas no Sertão

Caldo de Umbu com Carne Seca: o Jantar Nordestino de Setembro no Início das Chuvas no Sertão
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 02/09/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCaldo de umbu com carne seca, abóbora e couve: receita regional do sertão nordestino para o início de setembro, quando as primeiras chuvas chegam.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
80 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
14 ingredientes
|
13 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes do caldo
  2. Modo de preparo do caldo
  3. Tempo de preparo e rendimento
  4. Variações regionais e adaptações do prato
  5. Como servir e o que acompanha bem
  6. Conservação e aproveitamento das sobras
  7. Tire suas duvidas

Atualizado em setembro de 2026. Caldo de umbu com carne seca é um caldo agridoce do sertão nordestino preparado com a polpa do umbu (Spondias tuberosa), fruta colhida nas primeiras chuvas do semiárido, cozida com carne seca dessalgada, abóbora e couve, e finalizada com coentro e cebola roxa. A combinação une a acidez natural da fruta à profundidade salgada da carne de sol, rendendo um caldo de textura aveludada e aroma fresco que tradicionalmente abre o ciclo chuvoso no sertão baiano e no norte de Minas Gerais.

Setembro marca a virada no sertão nordestino: depois de meses de estiagem, as primeiras pancadas de chuva chegam ao semiárido e o umbuzeiro, que perdeu todas as folhas durante a seca, rebrota e começa a frutificar. É nesse intervalo que o umbu fresco entra nas cozinhas do interior da Bahia, do norte de Minas e do sertão de Pernambuco, geralmente combinado com carne seca, abóbora e o que a horta oferece. Esta receita aproveita exatamente esse momento, usando polpa de umbu fresca ou congelada (encontrada em feiras livres e nas minifábricas do sertão baiano durante todo o ano) para montar um jantar de panela reconfortante, ideal para o início de setembro, quando as noites ainda pedem comida quente mas a estação chuvosa já dá sinais de retorno.

O umbu (também chamado de imbu em Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Paraíba) é uma drupa do umbuzeiro, árvore símbolo do sertão nordestino descrita pela Wikipédia como espécie capaz de armazenar água nas raízes e perder todas as folhas na estiagem, florescendo e frutificando no início das chuvas. Sua polpa é suculenta, levemente ácida e rica em vitamina C, com peso variando entre 5,5 g e 130 g por unidade segundo levantamentos botânicos da espécie. Quando cozida com carne seca dessalgada, a acidez do umbu corta o sal da carne e amacia a textura do caldo, criando uma equilibrada base agridoce que dispensa caldos industrializados ou engrossantes artificiais.

Ingredientes do caldo

Ingrediente Quantidade Observação
Polpa de umbu fresca ou congelada 500 g Equivalente a aproximadamente 12 unidades medias; retire os caroços
Carne seca magra em cubos 400 g De preferencia do lombo ou patinho; dessalgue por 24 horas
Abobora cabotia em cubos 300 g Sem casca nem sementes; equivalente a duas xícaras de cha cheias
Couve manteiga em tiras 120 g Equivalente a um moco grande; reserve apenas as folhas
Cebola media picada 180 g Equivalente a duas cebolas medias; em cubos pequenos
Alho picado 20 g Equivalente a quatro dentes médios
Tomate maduro sem sementes 150 g Equivalente a dois tomates médios; em cubos
Cebolinha verde picada 15 g Equivalente a um moco pequeno; apenas a parte verde
Coentro fresco picado 8 g Equivalente a um moco pequeno; use também as hastes mais finas
Pimenta malagueta fresca 3 g Equivalente a uma pimenta pequena; sem sementes para versão suave
Folha de louro 1 g Equivalente a uma folha; retira-se antes de servir
Óleo de milho 30 ml Duas colheres de sopa
Sal 8 g Aproximadamente uma colher de cha; ajuste depois de provar a carne
Agua filtrada 1,5 L Suficiente para cobrir a carne e a polpa

Modo de preparo do caldo

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Antes de cozinhar, dessalgue a carne seca em agua fria por 24 horas na geladeira, trocando a agua a cada 6 horas. Para cubos de 3 cm, esse tempo e suficiente; se ainda estiver salgada ao provar, deixe mais 2 a 3 horas em agua nova. Reserve 200 ml da agua do dessalgue coada para usar no caldo se quiser uma base mais mineral.

O preparo segue dois fronts paralelos: enquanto a carne seca cozinha na pressão, você prepara o refogado aromático e reserva a polpa de umbu. Finalize a receita juntando tudo em uma panela so, ajustando o ponto da abobora e da couve.

Como cozinhar a carne seca e preparar o refogado aromático

  1. Leve os cubos de carne seca ja dessalgados a panela de pressão com 1 L de agua filtrada e a folha de louro. Tampe e cozinhe em fogo médio por 28 minutos depois do inicio da pressão.
  2. Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente e abra a panela. Reserve a carne em uma tigela e coe o caldo, descartando a folha de louro.
  3. Em uma panela grande e larga, aqueça os 30 ml de óleo de milho em fogo médio. Adicione a cebola picada e refogue por 4 minutos ate ficar translucida.
  4. Acrescente o alho picado e refogue por mais 1 minuto, mexendo sempre para não queemar.
  5. Junte o tomate em cubos e a pimenta malagueta picada, cozinhe por 5 minutos ate o tomate desmanchar e formar um molho espesso.
  6. Desfie a carne com dois garfos ou com as mãos, descartando qualquer pedaço de gordura dura. Reserve.

Como finalizar o caldo com umbu, abobora e couve

  1. No refogado aromático, acrescente a polpa de umbu (fresca ou descongelada) e mexa bem por 3 minutos, quebrando os pedaços maiores com a colher de pau.
  2. Adicione a carne desfiada, a abobora em cubos e 1,2 L do caldo reservado da carne (ou agua filtrada se preferir caldo mais leve).
  3. Cozinhe em fogo médio com a panela semitampada por 18 minutos, ou ate a abobora ficar macia o suficiente para ser amassada com a colher.
  4. Com uma colher de pau, amasse suavemente metade dos cubos de abobora contra a parede da panela para engrossar o caldo de forma natural.
  5. Acrescente a couve manteiga em tiras e cozinhe por mais 4 minutos, ate a couve murchar mas permanecer verde vibrante.
  6. Adicione a cebolinha verde e o coentro picado, prove e ajuste o sal e a pimenta.
  7. Desligue o fogo, tampe a panela e deixe o caldo descansar por 5 minutos antes de servir, para os aromas se acomodarem.

Tempo de preparo e rendimento

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 50 minutos.

tempo total: 80 minutos.

Rende 6 porções generosas (cada tigela com aproximadamente 350 ml).

O tempo de preparo não inclui as 24 horas de dessalgue da carne seca, que devem ser iniciadas no dia anterior. O cozimento de 50 minutos considera 28 minutos na panela de pressão para a carne e 22 minutos na panela aberta para o refogado e finalização do caldo.

Variações regionais e adaptações do prato

No norte de Minas Gerais, principalmente em Janaúba e na região do Serro, o caldo de umbu e tradicional com pao de queijo mineiro e arroz branco na mesma refeição, e a polpa do umbu e usada em quantidade maior para um caldo bem acido, equilibrado com carne seca em tiras finas em vez de cubos. Na Bahia, especialmente em Senhor do Bonfim e em Jacobina, a receita costuma ganhar leite de coco e cheiro verde mais abundante, virando um creme nordestino servido com pirão feito do próprio caldo engrossado com farinha de mandioca. Em Pernambuco, no sertão do Pajeú e do Araripe, a versão mais popular acrescenta batata-doce em cubos junto com a abobora e finaliza com bastante pimenta malagueta fresca. No sertão alagoano, o caldo de umbu ganha toque adocicado com quiabo, lembrando o maxixe em textura mas com acidez diferente da fruta.

Como servir e o que acompanha bem

Sirva o caldo em tigelas de barro ou em pratos fundos de porcelana, bem quente. Os acompanhamentos tradicionais do sertão incluem arroz branco solto, farofa de manteiga com cebola, pao de queijo, pao francês e uma rodela de lima da Pérsia para espremer no caldo. Para uma mesa mais ampla, disponha em uma travessa os acompanhamentos e deixe cada comensal montar sua tigela. O caldo de umbu com carne seca combina especialmente bem com uma cachaça de alambique envelhecida, cerveja clara bem gelada ou suco de caju gelado.

Conservação e aproveitamento das sobras

Em geladeira, o caldo dura ate 3 dias em pote de vidro com tampa. Em freezer, ate 3 meses em porcoes de 350 ml em sacos próprios. Para reaquecer, prefira fogo baixo em panela tampada, acrescentando um fio de agua se o caldo estiver muito grosso. A carne desfiada que sobrar pode virar recheio de tapioca no cafe da manha seguinte ou acompanhamento de cuscuz nordestino.

Tire suas duvidas

O que e o umbu e onde encontrar?

O umbu e o fruto do umbuzeiro (Spondias tuberosa), arvore originaria dos chapadões semiáridos do Nordeste brasileiro, segundo a Wikipedia. A polpa fresca aparece em feiras livres e minifábricas do sertão baiano entre janeiro e abril, mas a polpa congelada e comercializada o ano inteiro em mercados de cidades nordestinas e em lojas de produtos regionais. Caso não encontre, a polpa de caja fresca pode substituir com perda apenas na acidez característica.

Posso usar carne de sol em vez de carne seca?

Sim, mas a dessalga pode variar. A carne de sol costuma ter menos sal que a carne seca tradicional, exigindo apenas 8 a 12 horas de molho. Use a mesma quantidade em gramas (400 g) e mantenha o mesmo tempo de cozimento na pressão. O sabor final fica um pouco mais suave, e você pode compensar com 2 g extras de sal no ajuste final.

E se não encontrar abobora cabotia?

A abobora cabotia pode ser substituída por abobora moranga ou por abobora paulista sem alterar o tempo de cozimento. A abobora menina e mais aquosa e cozinha mais rápido; reduza o tempo em panela aberta em 4 minutos para não desmanchar demais. A consistência final do caldo ficara mais liquida com a menina, mas o sabor permanece agradável.

Como tirar o caroço do umbu fresco sem desperdício?

Corte o umbu ao meio com faca de serra, no sentido equatorial, e gire as duas metades em sentidos opostos. O caroço ficara preso em uma das metades; retire com a ponta da faca. Reserve o caroço: ele pode ser torrado e usado como substituto do amendoim em pães ou bolos, ou ainda triturado para farinha usada em pao de queijo regional.

O caldo de umbu com carne seca pode virar creme batendo no liquidificador?

Pode, mas o resultado perde parte do apelo rustico do prato tradicional. Se decidir bater, retire a folha de louro e os cabos de couve antes, bata apenas metade do caldo e misture de volta ao restante para manter alguma textura. Sirva imediatamente, pois cremes batidos esfriam mais rápido e perdem a cor verde vibrante da couve.

Esse prato serve para o Dia da Independência, em 7 de setembro?

Sim, e uma ótima opção para almoço ou jantar de 7 de setembro, principalmente em regiões onde a data marca inicio simbólico das chuvas. O caldo de umbu com carne seca conversa bem com pratos festivos nordestinos, substituindo ou complementando o baião de dois e a carne de sol assada. Monte a mesa com farofa, arroz de coco, pao de queijo e suco de caju para um cardápio tipico do sertão.

Posso congelar a polpa de umbu para usar fora de época?

Sim, e a forma mais pratica de ter umbu o ano inteiro. Lave os frutos, retire os caroços, embale a polpa em sacos próprios para freezer em porcoes de 300 g a 500 g e congele imediatamente apos a colheita. A polpa dura ate 6 meses no freezer sem perder a acidez. Para descongelar, deixe na geladeira na noite anterior ao preparo do caldo.

Qual a diferenca entre umbu e cajá?

Apesar de serem da mesma família botânica (Anacardiaceae), o umbu tem casca esverdeada que amadurece para amarelo, polpa mais acida e tamanho médio de 3 a 4 cm de diâmetro. O caja tem casca amarela ou vermelha, polpa mais doce e aroma mais intenso, com tamanho maior. No caldo, o umbu da uma acidez equilibrada que o caja não oferece, além de liberar menos amido durante o cozimento.

Crianças podem comer esse caldo?

Sim, desde que você retire ou reduza a pimenta malagueta. O prato e nutricionalmente equilibrado para crianças acima de 2 anos, com proteína da carne seca, vitaminas do umbu (fonte de vitamina C) e fibra da couve. Para crianças menores, coe parte do caldo antes de adicionar a pimenta e sirva em temperatura morna, não muito quente.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 02 de setembro de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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