Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Como escolher e higienizar o capote
- Modo de preparo
- Como servir e harmonizar
- Variações regionais
- Conservação e informação nutricional
- Dicas de compra e substituições
- Tire suas dúvidas
- O capote é ave de caça legalizada?
- Posso usar tucupi pronto de supermercado?
- Qual a diferença entre castanha-do-Brasil e castanha de caju?
- Preciso marinar por 2 horas ou pode ser menos?
- Como sei que o capote está bem assado?
- Dá para fazer o capote no fogão, sem forno?
- Posso substituir o tucupi por outro ingrediente?
- Quanto tempo antes dá para temperar o capote?
- Esse prato é indicado para o quê?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. O capote assado com farofa de castanha-do-Brasil e molho de tucupi é um prato clássico da mesa pantaneira em MS e MT, servido no almoço de sábado quando a ave de caça entra em safra entre maio e outubro de outubro. É uma receita de forno, com a carne marinada em tucupi, ervas e limão, e finalizada com farofa crocante de castanha-do-Brasil. Rende 6 a 8 porções e leva cerca de 2 horas entre preparo, marinada e forno.
O capote é uma ave silvestre típica do Pantanal, preparado empanado ou inteiro, e a combinação com tucupi amazônico e castanha-do-Brasil cria uma ponte Pantanal/Amazônia que pouca receita regional trabalha. Aqui o modo é inteiro no forno, em assadeira com tampa, para manter a carne úmida e dourar a pele sem ressecar.
Ingredientes
Para uma ave inteira de cerca de 1,8 kg, com pescoço e miúdos junto, comprada em frigorífico com SIF e embalagem lacrada. Mantenha os ingredientes da marinada separados dos da farofa.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Capote inteiro (eviscerado) | 1,8 kg | Ave de caça do Pantanal, adquirida em frigorífico regularizado |
| Tucupi (caldo de mandioca fermentado) | 500 ml | Já fervido com sal e sem pimenta, pronto para marinar |
| Limão Taiti | 120 ml | Suco fresco para a marinada |
| Alho picado | 30 g | Cerca de 3 colheres de sopa |
| Cebola grande | 200 g | Fatiada em meias-luas para a assadeira |
| Cheiro-verde (salsinha + cebolinha) | 30 g | Picado fino para a marinada |
| Pimenta-do-reino | 4 g | Moída na hora |
| Sal grosso | 20 g | Para a marinada e ajuste no forno |
| Azeite de oliva | 60 ml | Para regar a pele |
| Castanha-do-Brasil picada | 120 g | Tostada antes de entrar na farofa |
| Manteiga | 40 g | Para a farofa, sem sal extra |
| Farinha de mandioca média | 150 g | Torrada em fogo médio |
| Cebola picada fina | 80 g | Para a farofa |
| Banana-da-terra madura | 1 unidade (200 g) | Fatiada em rodelas para a assadeira |
Tempo de preparo: 30 min (marinada). Tempo de forno: 1h20. Tempo total: 1h50 mais 2h de marinada. Rende 6 a 8 porções.
Como escolher e higienizar o capote

Compre o capote em frigoríficos com selo de inspeção (SIF, SIE ou SIM), peça refrigerada entre 0 e 4 °C. A ave já vem eviscerada e embalada a vácuo. Em casa, mantenha a embalagem fechada até a hora de marinar e descarte qualquer líquido que saia dela antes do preparo. O odor deve ser suave, sem cheiro forte de miúdeo, isso indica boa procedência. Evite comprar capote em feiras livres sem nota fiscal: a venda de aves silvestres sem registro é ilegal e a procedência não pode ser confirmada.
Modo de preparo
- Misture o tucupi, o suco de limão, o alho, metade do cheiro-verde, a pimenta-do-reino e metade do sal grosso. Faça furos na pele do capote com uma faca fina e coloque a ave em uma tigela grande. Cubra com a marinada, tampe e leve à geladeira por 2 horas, virando na metade do tempo.
- Preaqueça o forno a 200 °C. Disponha as fatias de cebola e banana-da-terra no fundo de uma assadeira com tampa. Reserve 1 xícara da marinada coada.
- Retire o capote da marinada, seque a pele com papel toalha e disponha sobre a cama de cebola. Esfregue a manteiga e o azeite sobre a pele, polvilhe o sal restante e despeje a marinada coada na lateral da assadeira, sem jogar sobre a pele.
- Tampe a assadeira e leve ao forno por 50 minutos a 200 °C. Após esse tempo, retire a tampa, regue com o caldo que se formou e baixe para 180 °C por mais 30 minutos, até a pele ficar dourada e os sucos da carne saírem claros.
- Enquanto a ave termina, prepare a farofa: torre a castanha-do-Brasil picada em frigideira seca por 3 minutos, reserve. Derreta a manteiga, refogue a cebola picada até ficar translúcida, junte a farinha de mandioca e mexa por 4 minutos. Adicione a castanha, o cheiro-verde restante e desligue o fogo.
- Retire o capote do forno, deixe descansar 10 minutos coberto com papel alumínio, então transfira para a travessa. Sirva com a farofa de castanha, as cebolas e a banana-da-terra assada ao lado, regando com o caldo da assadeira coado.
Como servir e harmonizar
Sirva o capote inteiro na mesa, fatiando na frente dos convidados. Acompanhe com arroz branco solto, pirão de arroz engrossado com o próprio caldo da assadeira e uma salada verde de agrião com limão. Para harmonizar, vão bem um vinho tinto jovem de boa acidez (Pinot Noir ou Merlot brasileiro), uma cerveja Pilsen bem gelada ou uma batida leve de caju com gelo, sem açúcar. Para sobremesa, frutas regionais da estação, como manga ou banana-da-terra caramelada.
Variações regionais
No norte do Pantanal, em Mato Grosso, é comum finalizar o capote com um molho de tomate verde (tomate sem amadurecer, cebola e cheiro-verde refogados) no lugar do tucupi. Já em Cáceres (MT), alguns cozinheiros substituem a castanha-do-Brasil por amendoim torrado, mantendo a farofa seca e crocante. Em Corumbá (MS), a versão mais tradicional leva polenta cremosa ao lado em vez da banana-da-terra assada, e a marinada pode incluir um pouco de cachaça de alambique, cerca de 30 ml, para realçar o sabor da carne.
Conservação e informação nutricional
Sobras podem ser armazenadas em pote fechado na geladeira por até 3 dias, ou congeladas por até 2 meses, fatiadas com um pouco do caldo para não ressecar. A farofa deve ser guardada em temperatura ambiente em pote seco por até 5 dias; se umedecer, descarte. A carne do capote é magra, com baixo teor de gordura e boa oferta de proteína, segundo a tabela TACO da Embrapa, embora valores específicos variem conforme a procedência e o modo de preparo. O tucupi é fonte natural de ferro, e a castanha-do-Brasil é uma das maiores fontes alimentares de selênio do mundo, segundo o ICMBio.
Dicas de compra e substituições
Se não encontrar capote fresco, vale a pena perguntar em frigoríficos especializados em carnes de caça legalizadas ou encomendar com 2 dias de antecedência. Substituições possíveis: galinha d’Angola (sabor mais pronunciado, textura mais firme) e o frango caipira grande, com 1,8 kg, com ajuste de tempo no forno (reduza 15 minutos). Para uma versão mais rápida, use coxa e sobrecoxa desossadas (cerca de 1,2 kg) e reduza o tempo de forno para 45 minutos tampada e 20 minutos destampada. A castanha-do-Brasil pode ser substituída por castanha de caju torrada em quantidade ligeiramente menor (90 g), embora o sabor fique mais doce e menos aromático.
Tire suas dúvidas
O capote é ave de caça legalizada?
Sim. A venda de capote em frigoríficos com SIF, SIE ou SIM é legalizada, pois se trata de criação em cativeiro ou frigorífico de manejo autorizado pelo Ibama. Comprar capote sem nota fiscal ou de origem duvidosa é crime ambiental e a procedência da carne não pode ser confirmada. Por isso a recomendação é sempre exigir selo de inspeção e nota fiscal na hora da compra.
Posso usar tucupi pronto de supermercado?
Sim, o tucupi pronto vendido em garrafas plásticas de 500 ml ou 1 L é a opção mais prática e vem pasteurizado, sem risco de intoxicação. Ele já passou pelo cozimento e salga, então pode entrar direto na marinada. Não confunda com tucupi cru, que precisa ferver por pelo menos 10 minutos antes do consumo para eliminar a toxidade natural da mandioca-brava.
Qual a diferença entre castanha-do-Brasil e castanha de caju?
A castanha-do-Brasil é a semente da castanheira-da-amazônia, com sabor intenso, levemente resinoso, e alto teor de selênio. A castanha de caju é o fruto do cajueiro, mais suave, doce e cremosa. Para a farofa deste prato, a castanha-do-Brasil é a escolha tradicional, e a tostagem em frigideira seca é o que libera o aroma característico. Substitua só se não encontrar castanha-do-Brasil fresca ou inteira.
Preciso marinar por 2 horas ou pode ser menos?
2 horas é o tempo ideal para a marinada de tucupi penetrar bem na carne e amaciar o tecido muscular firme do capote. Se apertar o tempo, deixe pelo menos 1 hora, virando a ave na metade. Marinadas menores que 1 hora deixam a carne mais seca e com sabor mais superficial, então vale planejar com antecedência.
Como sei que o capote está bem assado?
A pele fica crocante e dourada, e os sugos que saem da parte mais grossa da coxa devem estar translúcidos, sem cor rosada. Se tiver termômetro de cozinha, a temperatura interna na coxa deve chegar a 82 °C. Se não tiver termômetro, fure a coxa com um palito: o líquido que sai deve ser claro, sem sangue.
Dá para fazer o capote no fogão, sem forno?
Dá, mas o resultado é diferente. No fogão, a ave inteira fica em panela de pressão por 25 minutos depois do início do chiado, com 500 ml de marinada de tucupi. A pele não fica crocante e o sabor fica mais cozido. Quem puder, use forno mesmo para ter a pele dourada e a carne inteira com molho reduzido.
Posso substituir o tucupi por outro ingrediente?
Se não encontrar tucupi, use caldo de legumes com 1 colher de sopa de suco de limão siciliano e 1 pitada de açafrão-da-terra. O sabor fica mais neutro, mas ainda há leve acidez. Outra opção é usar caldo de frango com 30 ml de vinagre de maçã e 1 pitada de cúrcuma. Nenhuma substituição reproduz o sabor único do tucupi, mas funcionam para uma versão menos regional.
Quanto tempo antes dá para temperar o capote?
A marinada pode ficar com o capote por até 12 horas na geladeira, desde que a ave esteja bem coberta pela mistura e o recipiente tampado. Mais que isso, a carne começa a amolecer demais e a textura fica fibrosa. Então, entre 2 e 12 horas é a janela ideal para temperar antes de levar ao forno.
Esse prato é indicado para o quê?
Para almoço de sábado em casa, reunião em torno de uma assadeira grande, ocasião em que o capote entra como prato principal. Funciona bem também em cha de panela no Pantanal, jantares rurais em fazendas e refeições de caca em outubro, quando a ave tem boa oferta nos frigoríficos do MS e MT.
Para explorar mais receitas regionais com aves de caça e peixes do cerrado, veja também o Arroz de Capivara Pantaneiro, a Lebre à Caçadora Gaúcha com Polenta Cremosa e a Arroz de Bacuri com Frango Caipira. Para variar o peixe assado de agua doce, confira também a Piapara Assada Inteira no Forno com Farofa de Cebola.

