Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Modo de preparo
- Como servir
- Variações regionais
- Conservação e reaproveitamento
- Curiosidades sobre o pequi
- Dicas de compra, substituições e harmonização
- Tire suas dúvidas
- Posso substituir o carneiro por outra carne?
- O pequi precisa ser fervido antes de usar?
- Onde comprar pequi in natura em outubro?
- Posso fazer a receita sem cachaça?
- O arroz pode ser feito separado do caldo?
- Qual a diferença entre pequi in natura e polpa congelada?
- Como descascar o pequi com segurança?
- Posso fazer a receita em panela comum em vez de pressão?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. Carneiro com Pequi e Arroz de Panela é o almoço regional de outubro no Triângulo Mineiro: carne de carneiro refogada com cebola, alho e cheiro-verde, cozida lentamente com polpa de pequi in natura e finalizada no arroz de panela que absorve o caldo amarelo e aromático do fruto. A receita serve 6 porções e leva cerca de 2h30 do início à mesa.
O pequi (Caryocar brasiliense) entra em safra entre setembro e novembro no Cerrado mineiro, segundo a Embrapa Cerrados, e é ingrediente símbolo do Triângulo Mineiro, do Alto Paranaíba e do Noroeste de Minas. O aroma adocicado e a textura fibrosa da polpa combinam com a gordura natural da carne de carneiro, que amolece no cozimento lento. Para um bom resultado, use carneiro novo (entre 6 e 10 meses), cortado em pedaços médios, e prefira o arroz agulhinha ou arroz de arroz tipo 1, que solta mais e absorve melhor o caldo.
Ingredientes
A medida de pequi é por unidades de frutos frescos, mas o peso aproximado está na tabela para facilitar compras. Use pequi in natura descascado; polpa congelada também serve, mas evite pequi em conserva com ácido, que perde aroma.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Carne de carneiro ( paleta + pernil sem osso) | 1,2 kg | Cortado em cubos de 5 cm, com gordura |
| Pequi in natura descascado | 8 unidades (cerca de 350 g) | Polpa inteira, sem caroço partido |
| Arroz agulhinha tipo 1 | 500 g | Lavado e escorrido |
| Cebola branca | 2 unidades médias (300 g) | Em meia-lua fina |
| Alho | 6 dentes (30 g) | Amassado |
| Tomate maduro | 3 unidades médias (360 g) | Sem sementes, picado |
| Cheiro-verde (cebolinha + salsa) | 1 maço (60 g) | Picado fino |
| Pimenta-do-reino | 1 colher de chá (3 g) | Moída na hora |
| Folha de louro | 2 unidades | Secas ou frescas |
| Sal grosso | 1 colher de sopa (15 g) | Ajustar ao final |
| Óleo de soja ou algodão | 80 ml | Para refogar |
| Água quente | 1,2 litro | Para o cozimento do carneiro e do arroz |
| Cachaça mineira (opcional) | 50 ml | Para flambar a carne |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de cozimento: 1h30. Tempo total: 2h00. Rende: 6 porções.
Modo de preparo

O pequi fresco tem casca verde-clara a amarelo-esverdeada e cede levemente à pressão do dedo; evite frutos com manchas escuras ou cheiro azedo, sinais de fermentação. No Triângulo Mineiro, o pequi é vendido em feiras livres e beiras de estrada entre Uberlândia, Uberaba e Patrocínio, geralmente em sacos de 1 kg, segundo a CeasaMinas. A carne de carneiro jovem tem cor vermelho-viva e gordura branca; peça ao açougueiro para retirar a paleta e o pernil sem osso, mantendo uma camada de gordura externa que dá sabor ao cozimento.
- Prepare a carne. Tempere os cubos de carneiro com sal grosso, alho amassado, pimenta-do-reino e metade do cheiro-verde. Deixe marinar por 30 minutos em temperatura ambiente (ou 2 horas na geladeira, se preparar com antecedência).
- Doure a carne. Aqueça metade do óleo em panela de pressão ou panela grossa de ferro. Sele os cubos em lotes, sem amontoar, até dourar de todos os lados. Reserve.
- Refogue a base. Na mesma panela, adicione o restante do óleo e refogue a cebola até ficar translúcida (cerca de 5 min). Acrescente o tomate e mexa por 3 min até desmanchar. Junte a carne reservada.
- Fla com cachaça (opcional). Regue a carneiro com a cachaça mineira e incline levemente a panela para flambar. Esse passo é tradicional em receitas do Triângulo Mineiro e acrescenta aroma ao molho.
- Cozinhe com pequi. Acrescente os pequis inteiros (sem o caroço partido), a folha de louro e 800 ml de água quente. Tampe a panela de pressão e cozinhe por 35 minutos a partir do chiado (ou 1 hora em panela comum, com tampa). Verifique o ponto: a carne deve ficar macia, mas sem desmanchar.
- Prepare o arroz no caldo. Abra a panela, retire os pequis e reserve. Acrescente o arroz lavado, 400 ml de água quente restante, ajuste o sal e cozinhe em fogo baixo com tampa por 18 a 20 minutos, sem mexer, até o arroz absorver o caldo amarelo do pequi e ficar soltinho.
- Finalize e sirva. Volte os pequis sobre o arroz, polvilhe o restante do cheiro-verde e sirva imediatamente, na própria panela de ferro ou em travessa de barro.
Como servir
Sirva o Carneiro com Pequi em prato fundo, com o arroz amarelo misturado à carne e aos pequis inteiros. Acompanhamentos clássicos no Triângulo Mineiro incluem couve refogada com alho, torresmo de carneiro, angu com manteiga de garrafa e uma cachaça mineira envelhecida. Para a sobremesa, vale um doce de leite com goiaba ou um queijo minas fresco com mel.
Variações regionais
No Alto Paranaíba, o Carneiro com Pequi costuma levar batata-doce em cubos junto com o arroz, o que dá doçura extra ao prato. No Noroeste de Minas, alguns cozinheiros acrescentam quiabo refogado separado e finalizam com limão. Já em Patrocínio, a receita tradicional usa carne de carneiro seca (charque de carneiro) em vez da carne fresca, e o cozimento é mais longo, com pouca água, até reduzir e incorporar o pequi ao molho.
Conservação e reaproveitamento
O Carneiro com Pequi dura até 3 dias sob refrigeração em pote fechado, e até 3 meses congelado em porções individuais. Na hora de reaquecer, acrescente 2 colheres de sopa de água por porção e leve ao fogo baixo com tampa, para que o arroz não resseque. O reaproveitamento mais comum no Triângulo Mineiro é transformar sobras em recheio de empadão, junto com requeijão mineiro e azeitonas.
Curiosidades sobre o pequi
O pequi (Caryocar brasiliense) é uma árvore símbolo do Cerrado mineiro, e sua polpa é rica em vitamina A, carotenoides e ácido oleico, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais. A Embrapa Cerrados destaca que a safra de pequi vai de setembro a novembro, com pico em outubro, justamente o mês em que a fruta está mais aromática e acessível em Minas Gerais. O nome pequi vem do tupi e significa “casca espinhenta”, referência aos espinhos finos do caroço, que exigem cuidado ao descascar.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Se não encontrar pequi in natura, use polpa congelada de pequi (cerca de 200 g, já descascada) ou, em último caso, pequi em conserva em água e sal (sem ácido), enxaguado antes do uso. Não substitua por outro fruto do Cerrado como buriti ou cagaita, pois o aroma é único. Para harmonizar, uma cachaça mineira envelhecida em bálsamo ou um vinho tinto jovem da Serra da Mantiqueira acompanha bem o prato. Capriche na apresentação: sirva com os pequis inteiros à mostra, pois a polpa fibrosa é parte da experiência de comer este prato.
Tire suas dúvidas
Posso substituir o carneiro por outra carne?
Sim, mas o sabor muda bastante. A combinação clássica no Triângulo Mineiro é carne de carneiro jovem. Em substituição, a carne de carneiro adulto (bode castrado) funciona, mas exige cozimento mais longo, pois tem fibras mais duras. Carne de boi ou frango alteram o perfil do prato e não são recomendadas se você busca a receita tradicional.
O pequi precisa ser fervido antes de usar?
Não é obrigatório ferver o pequi in natura, mas alguns cozinheiros do Triângulo Mineiro dão uma fervura rápida de 3 a 5 minutos em água com sal antes de usar, para amaciar a polpa e reduzir o sabor adstringente. Esse passo é dispensável se o pequi estiver bem maduro e fresco.
Onde comprar pequi in natura em outubro?
O pequi in natura é vendido em feiras livres, beiras de estrada e sacolões de Uberlândia, Uberaba, Patrocínio, Araguari e Ituiutaba durante a safra (setembro a novembro). Em outras regiões do Brasil, a polpa congelada é a opção mais acessível, encontrada em empórios mineiros e mercados especializados.
Posso fazer a receita sem cachaça?
Sim, a cachaça é opcional e entra apenas para flambar e aromatizar. Se preferir omitir, basta seguir o modo de preparo a partir do passo 4, adicionando 50 ml de água ou caldo no lugar da cachaça. O prato continua saboroso, com sabor levemente mais neutro no molho.
O arroz pode ser feito separado do caldo?
Pode, mas perde parte da experiência. O arroz de panela, que cozinha direto no caldo amarelo do carneiro com pequi, absorve o sabor e a cor do fruto. Se preferir servir o arroz branco separado, cozinhe-o à parte e regue com o caldo na hora de montar o prato, mas o resultado será menos integrado.
Qual a diferença entre pequi in natura e polpa congelada?
O pequi in natura tem aroma mais intenso e textura fibrosa característica, mas exige cuidado ao descascar por causa dos espinhos do caroço. A polpa congelada, já descascada, é prática e rende bem, com sabor próximo do fresco quando congelada imediatamente após a colheita. Evite polpa em conserva com ácido (vinagre ou limão na embalagem), que perde aroma.
Como descascar o pequi com segurança?
Corte a casca externa com faca de cozinha, retire a polpa amarela e descarte o caroço com espinhos (ou reserve para caldo separado). Use luvas se tiver pele sensível. No Triângulo Mineiro, a forma tradicional é cortar ao meio no sentido longitudinal, retirar a polpa com colher e descartar o caroço com espinhos em saco fechado, longe de crianças e animais.
Posso fazer a receita em panela comum em vez de pressão?
Sim, em panela grossa de ferro com tampa, o cozimento leva cerca de 1 hora em fogo baixo após levantar fervura, em vez dos 35 minutos na pressão. Adicione 200 ml extras de água para compensar a evaporação mais lenta. Verifique a maciez da carne antes de acrescentar o arroz.
Para outras receitas com carne de carneiro e cordeiro, veja Cordeiro Assado com Cerveja Preta e Batatas e Caldo de Carneiro Nordestino com Mandioca e Cheiro-Verde.

