Índice do Conteúdo
- Sobre a caldeirada amazonense
- Ingredientes da caldeirada amazonense
- Modo de preparo da caldeirada amazonense
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Origem e contexto amazonense do prato
- Dicas para a caldeirada ficar perfeita
- Variações regionais da caldeirada no Norte
- Como servir e conservar a caldeirada
- Tire suas dúvidas
- Posso substituir o tambaqui por outro peixe de água doce?
- O pirão de farinha é obrigatório na receita?
- Dá para fazer a caldeirada sem óleo de buriti ou azeite de dendê?
- Posso adicionar leite de coco na receita?
- Quanto tempo a caldeirada pode ficar guardada na geladeira?
- É possível fazer a caldeirada em panela de pressão?
- O que servir junto com a caldeirada?
- A caldeirada amazonense é o mesmo que moqueca?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Sobre a caldeirada amazonense
- Ingredientes da caldeirada amazonense
- Modo de preparo da caldeirada amazonense
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Origem e contexto amazonense do prato
- Dicas para a caldeirada ficar perfeita
- Variações regionais da caldeirada no Norte
- Como servir e conservar a caldeirada
- Tire suas dúvidas
Sobre a caldeirada amazonense
Atualizado em julho de 2026. A caldeirada amazonense de tambaqui é um cozido de peixe com legumes que sustenta o almoço de domingo nas beiras do Rio Amazonas, de Alenquer a Santarém, de Manaus a Macapá. É o que aparece na mesa quando a cheia do rio começa a baixar, em julho, e o tambaqui gordo do ano entra na panela junto com quiabo, maxixe, jambu, tomate regional e cheiro verde do quintal. O pirão de farinha de mandioca que se forma no fundo da panela é a parte mais disputada da refeição, e o que diferencia uma caldeirada qualquer deste prato amazonense de verdade. Acompanha bem arroz branco, uma farofa grossa de castanha do Pará e uma cuia de tucupi gelado.
Esta receita rende entre seis e oito porções generosas, leva cerca de uma hora e meia no total e usa somente ingredientes fáceis de achar em feiras e supermercados do Norte e do Brasil todo. Quem não tiver tambaqui fresco pode usar matrinxã, pirarucu ou pacu em postas, sempre com pele e escamas bem limpas para a gelatina natural dar corpo ao caldo.
Ingredientes da caldeirada amazonense

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Tambaqui fresco em postas grossas | 1,2 kg | com pele, sem espinhas grandes cortadas em postas de 4 cm |
| Quiabo fresco | 200 g | inteiro, sem cortar as pontas para não soltar baba |
| Maxixe fresco | 150 g | cortado ao meio no sentido do comprimento |
| Tomate regional maduro | 3 unidades médias | sem sementes, picado em cubos |
| Cebola grande | 1 unidade média | picada em cubos pequenos |
| Alho | 6 dentes | picados finos |
| Pimentão verde | 1 unidade média | em tiras médias |
| Coentro fresco | 1 maço médio | somente as folhas, picadas |
| Cebolinha verde | 1 maço médio | parte verde picada fina |
| Farinha de mandioca grossa | 1 xícara (chá) | para o pirão final |
| Colorau ou urucum em pó | 1 colher (sobremesa) | para a cor vermelha |
| Óleo de buriti ou azeite de dendê | 3 colheres (sopa) | para o refogado |
| Sal grosso | 1 colher (sopa) | ajustar a gosto |
| Pimenta de cheiro fresca | 2 unidades médias | picada fina, sem sementes (opcional) |
| Água ou caldo de peixe | 1 litro | para cobrir o peixe na panela |
| Limão regional | 1 unidade média | suco para temperar o peixe antes |
Modo de preparo da caldeirada amazonense
- Tempere as postas de tambaqui com sal, suco de limão, metade do alho e pimenta de cheiro. Deixe descansar por quinze minutos na geladeira enquanto prepara os legumes.
- Aqueça o óleo de buriti (ou azeite de dendê) em panela grande de ferro ou alumínio grosso, em fogo médio. Junte a cebola e refogue até ficar transparente, cerca de três minutos.
- Acrescente o alho restante, o pimentão e o colorau. Mexa por um minuto até o colorau liberar a cor vermelha e perfumar a cozinha.
- Adicione o tomate picado e cozinhe por mais quatro minutos, mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar e formar um molho espesso.
- Acrescente a água (ou caldo de peixe) e deixe ferver. Prove o sal e corrija se precisar.
- Disponha as postas de tambaqui escorridas no molho, sem sobrepor muito. Cozinhe em fogo médio por oito minutos, com a panela semitampada.
- Adicione o quiabo inteiro e o maxixe cortado ao meio, distribuindo entre as postas. Cozinhe por mais dez minutos em fogo baixo, sem mexer muito para não desfiar o peixe.
- Verifique o ponto do peixe: a carne deve se soltar facilmente mas manter o formato da posta. Se precisar, cozinhe por mais três a cinco minutos.
- Para o pirão de farinha: retire uma concha do caldo da panela (cerca de 250 ml) para uma tigela pequena, junte a farinha de mandioca aos poucos e mexa com colher de pau até formar uma pasta homogênea. Volte a mistura para a panela e mexa delicadamente por dois minutos até engrossar levemente o caldo.
- Finalize com coentro e cebolinha verde picados por cima, tampe a panela e desligue o fogo. Deixe descansar por cinco minutos antes de servir, para os sabores se acomodarem.
- Sirva em pratos fundos com bastante molho e pirão, acompanhado de arroz branco, farofa de castanha do Pará e uma cuia de tucupi gelado para quem aprecia.
Tempo de preparo e rendimento desta receita
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 50 minutos.
tempo total: 75 minutos.
Rende 6 porções fartas (cada posta de tambaqui com molho e pirão).
Origem e contexto amazonense do prato
A caldeirada é uma receita que veio dos navegadores e pescadores portugueses ainda no século XVII, aportada em São Luís e em Belém junto com os primeiros colonos. No Norte ela ganhou identidade própria porque foi obrigada a se adaptar a uma realidade completamente diferente: o peixe fresco abundante, a farinha de mandioca nativa no lugar do pão, os quiabos e maxixes dos quintais das ribeirinhas e os temperos regionais que já estavam aqui, como o cheiro verde amazonense, o coentro de folha larga e a pimenta de cheiro sem ardume.
Em Manaus, no Ver-o-Peso, as caldeiradas são servidas em panelões grandes, direto da beira do porto. Em Santarém, no Baixo Amazonas, a versão clássica leva pirarucu seco desfiado no lugar do tambaqui fresco, cozinhado por horas até formar um caldo grosso e amarelo. Em Alenquer, na divisa com o Pará, o tambaqui é rei absoluto das caldeiradas de julho, e o pirão de farinha grossa é parte obrigatória da refeição. Macapá também tem a sua versão, geralmente com acipacum ou pirarucu.
Julho é um mês especial para esse prato porque é a época em que o tambaqui está mais gordo e saboroso, antes do período de defeso que se inicia em novembro. As famílias ribeirinhas se organizam para fazer caldeirada nos fins de semana, e o perfume do refogado com colorau começa a tomar conta das casas ainda de manhã cedo. É uma refeição que alimenta bem, aquece o corpo nas frentes frias que eventualmente chegam ao Norte e reúne a família em volta da panela grande.
Dicas para a caldeirada ficar perfeita
O segredo do sabor está em três pontos: o refogado bem feito antes de juntar a água, o cozimento sem mexer demais nas postas e o pirão feito separadamente em uma tigela para não empelotar dentro da panela. Quem pula o refogado acaba com um caldo sem profundidade, sem a cor avermelhada que o colorau bem incorporado dá ao prato.
Outra dica importante é não tirar a pele das postas de tambaqui. A pele concentra boa parte da gordura boa do peixe e, no cozimento lento, ela libera gelatina natural que engrossa o caldo. Quem quiser uma caldeirada com caldo mais grosso pode adicionar uma batata inglesa grande cortada em cubos junto com o quiabo, e ela se desmancha naturalmente dando corpo.
Para quem mora fora do Norte e não acha tambaqui fresco, a melhor substituição é o pacu em postas, vendido com mais facilidade em peixarias do Sudeste e do Sul. O pirarucu em postas também funciona muito bem e tem carne mais firme. O segredo é manter o peixe com pele e cozinhar em fogo médio para a carne não ressecar.
Variações regionais da caldeirada no Norte
A versão paraense, muito popular em Santarém, Alenquer e Monte Alegre, leva leite de coco na fase final do cozimento, o que deixa o caldo mais cremoso e suave. A versão amazonense, mais comum em Manaus e no alto Rio Negro, é mais seca, com pouco caldo e bastante pirão de farinha grossa. Em ambos os casos o peixe pode ser tambaqui, pirarucu ou matrinxã, dependendo da época do ano e do que está fresco.
Em Macapá e em todo o Amapá, a caldeirada frequentemente ganha adicionado de acipacum desfiado, um peixe de água doce muito abundante na região. Quem quiser um toque mais exótico pode adicionar um pouco de tucupi na finalização, que dá uma acidez característica do Pará e combina muito com peixe de água doce. Para acompanhar, é comum servir com arroz de castanha do Pará, farofa de banana ou pão francês regional.
Como servir e conservar a caldeirada
A caldeirada amazonense fica melhor servida no mesmo dia, ainda quente, com o pirão recém incorporado. O ideal é montar os pratos com arroz branco no fundo, a posta de tambaqui com legumes por cima e o caldo com pirão ao lado. Polvilhe um pouco mais de cheiro verde fresco na hora de servir.
Se sobrar, a caldeirada pode ser guardada na geladeira em pote fechado por até três dias. No dia seguinte, aquece bem em fogo baixo com um pouco de água para o caldo não ficar muito grosso, e o sabor fica até mais concentrado. Congelar também é possível, mas é melhor fazer isso antes de adicionar o pirão de farinha. Congele o caldo com as postas e os legumes em porções individuais e, na hora de usar, descongele na geladeira durante a noite, aqueça em panela e acrescente o pirão de farinha apenas nos últimos cinco minutos.
Para harmonizar, vale lembrar os pratos irmãos desta casa que também são da cozinha do Norte e do Amazonas: o Tacacá Paraense com Jambu e Tucupi (a sopa quente do Pará para as noites de julho), o Pato no Tucupi Paraense com Jambu (o almoço amazônico de julho em Belém) e o Arroz de Tucunaré com Tucupi e Jambu (o jantar amazônico que esquenta julho no Pará). Juntos formam um painel completo da cozinha ribeirinha de julho.
Tire suas dúvidas
Posso substituir o tambaqui por outro peixe de água doce?
Sim, sem problema. Pacu, pirarucu, matrinxã e jatuarana são as substituições mais comuns no Norte. O importante é manter a carne com pele e em postas grossas, para não desmanchar no cozimento. Peixes de água salgada também funcionam, mas o sabor muda bastante porque a caldeirada amazonense tradicional espera o gosto suave do peixe de rio.
O pirão de farinha é obrigatório na receita?
É o que diferencia a caldeirada amazonense de outras caldeiradas pelo Brasil. Sem o pirão, vira um cozido de peixe comum. Se você não quiser adicionar farinha diretamente na panela, pode servir a farinha em uma tigela à parte para cada pessoa se servir a gosto, molhando o peixe no caldo e pegando um pouco de farinha seca em cada colherada.
Dá para fazer a caldeirada sem óleo de buriti ou azeite de dendê?
Sim. O azeite de oliva comum funciona bem, só muda um pouco o perfil de sabor. Quem não encontrar óleo de buriti em cidade do Sudeste pode usar azeite de dendê com moderação (uma colher de sopa basta, porque é muito saboroso) ou azeite de oliva extra virgem tradicional. O refogado com colorau continua dando a cor vermelha característica.
Posso adicionar leite de coco na receita?
Sim, e a versão paraense da caldeirada leva leite de coco na finalização, geralmente meio copo, incorporado nos últimos cinco minutos de cozimento. Fica mais cremoso e com sabor adocicado que combina muito com peixe de água doce. Quem preferir manter a versão amazonense tradicional pode dispensar o leite de coco sem problema.
Quanto tempo a caldeirada pode ficar guardada na geladeira?
Em pote bem fechado, a caldeirada dura até três dias na geladeira sem perder qualidade. Após esse período o peixe começa a ficar com textura borrachuda e o caldo pode azedar. Para guardar por mais tempo, congele sem o pirão de farinha, em porções individuais, e use em até dois meses.
É possível fazer a caldeirada em panela de pressão?
Não é o ideal. A pressão cozinha o peixe muito rápido e ele tende a se desfiar completamente, perdendo a textura em posta que é a marca da caldeirada amazonense. O cozimento em panela aberta, em fogo médio, permite controlar o ponto da carne e deixa o caldo reduzir na medida certa. Reserve a panela de pressão para receitas de mocotó, feijão ou carne de panela.
O que servir junto com a caldeirada?
Arroz branco soltinho é o acompanhamento clássico e obrigatório. Farofa de castanha do Pará ou farofa de banana dá um toque regional amazonense muito bom. Uma salada simples de tomate com cebola e cheiro verde refresca o prato. Para beber, suco de cupuaçu, suco de maracujá ou uma cuia pequena de tucupi gelado para quem aprecia.
A caldeirada amazonense é o mesmo que moqueca?
Não. A moqueca é preparada com leite de coco e dendê, geralmente com peixe de água salgada ou frutos do mar, e leva cozimento mais curto em panela de barro. A caldeirada amazonense é um cozido mais longo, com peixe de água doce, sem leite de coco na versão clássica do Amazonas, e com pirão de farinha obrigatório. São receitas primas, mas com identidade própria bem definida.

