Caldinho de Guaiamum à Moda do Espírito Santo: o Jantar de Inverno das Pescarias de Julho

Caldinho de Guaiamum à Moda do Espírito Santo: o Jantar de Inverno das Pescarias de Julho
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 20/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCaldinho de guaiamum capixaba preparado com catado desfiado, tomate, coentro e pirão de farinha, ideal para as noites frias de julho no litoral do Espírito Santo.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
45 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Sopa

🔥 Calorias
250 kcal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
15 ingredientes
|
9 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. O guaiamum nas vilas de pesca do Espírito Santo
  2. Ingredientes do Caldinho de Guaiamum Capixaba
  3. Modo de preparo do Caldinho de Guaiamum
  4. Como preparar o pirão e variações do caldo
  5. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  6. Como servir o Caldinho de Guaiamum à moda capixaba
  7. Conservação e curiosidades sobre o guaiamum
  8. Tire suas dúvidas

Atualizado em 20 de julho de 2026. O caldinho de guaiamum capixaba é o caldo de inverno das vilas de pesca do litoral norte do Espírito Santo, preparado com a carne do guaiamum (catado), tomate, cebola, alho, coentro e cheiro verde, finalizado com pirão grosso de farinha de mandioca e um fio de azeite. A receita aproveita o frio de julho, quando o guaiamum se aproxima da faixa de areia em Itaipava, Regência, Pontal do Ipiranga e Conceição da Barra, e sustenta o jantar dos pescadores depois de um dia no mar agitado pelo vento sul.

Neste post você confere a receita tradicional do caldinho à moda capixaba, com passo a passo em panela comum, dicas para tirar o sabor de areia do catado, sugestões de pirão e como servir com limão e pão. Traz variações com leite de coco, na pressão e com pirão de aipim.

O guaiamum nas vilas de pesca do Espírito Santo

O guaiamum (Ucides cordatus) é o caranguejo do mangue que alimenta a cultura gastronômica do litoral norte do Espírito Santo desde o tempo dos povos indígenas da foz do Rio Doce. Diferente do caranguejo-uçá, o guaiamum tem casco escuro, pernas curtas e garrras fortes, e seu catado tem sabor concentrado e levemente adocicado, que sustenta caldos densos de panela.

Nas comunidades pesqueiras de Itaipava, Regência, Pontal do Ipiranga (Linhares) e Conceição da Barra, o guaiamum é capturado no frio do inverno, entre junho e agosto, quando o crustáceo se aproxima da margem em noites de lua cheia e de ressaca. O ciclo segue o defeso do Ibama (entre outubro e dezembro o crustáceo fica protegido), e nas vilas organizadas os catadores evitam comprar guaiamum fora desse calendário. Quem não mora no litoral encontra o catado congelado em peixarias e feiras livres.

O caldo é chamado apenas de “caldo” pelos nativos, servido em canecas como entrada do jantar nos meses frios, ou como prato principal com pirão de farinha. Em Regência, a tradição é servir com pirão grosso, cebola crua, limão e pão sovado. Em Conceição da Barra, acrescenta-se leite de coco e coentro fresco na finalização. A versão de Itaipava é mais seca (menos caldo, mais catado por colher), e a de Pontal do Ipiranga é mais líquida, quase sopa.

Ingredientes do Caldinho de Guaiamum Capixaba

Tasty seafood stew with crab and mushrooms in a black pot, perfect for gourmet dining.
Ingrediente Quantidade Observação
Catado de guaiamum (carne cozida e extraída) 500 g preferencialmente fresco, descongelado se for congelado
Tomate maduro tipo italiano 4 unidades médias sem sementes, picado em cubos
Cebola branca 1 unidade média picada em cubos pequenos
Alho 6 dentes médios picado fino
Coentro fresco (folhas e talos) 1 maço pequeno picado na hora de finalizar
Cheiro verde (salsinha e cebolinha) 1 maço pequeno picado fino
Pimentão vermelho 1/2 unidade sem sementes, em cubos
Pimenta-malagueta fresca 1 unidade pequena opcional, só para quem gosta de ardência
Caldo de peixe caseiro (ou água) 1,5 litro prefira caldo de peixe caseiro, não industrializado
Farinha de mandioca crua 150 g para o pirão de farinha no final
Azeite de oliva extravirgem 60 ml um fio no final de cada prato
Sal grosso a gosto ajuste após o cozimento
Pimenta-do-reino moída na hora a gosto para terminar o caldo
Limão Taiti 2 unidades em rodelas para servir
Cebola roxa 1 unidade pequena em rodelas finas para acompanhar

Para 6 canecas fartas como entrada ou 4 pratos como jantar com pirão.

Modo de preparo do Caldinho de Guaiamum

  1. Lave o catado de guaiamum em água corrente por dois minutos dentro de uma peneira, separando os pedaços com as mãos para tirar restos de areia e cartilagem. Reserve.
  2. Aqueça uma panela de fundo grosso em fogo médio, regue com metade do azeite e refogue a cebola até translúcida, cerca de 4 minutos.
  3. Acrescente o alho e o pimentão, mexa por 2 minutos até perfumar, sem queimar o alho.
  4. Entre com o tomate e a pimenta-malagueta inteira (se estiver usando), cozinhe por 6 minutos até o tomate desmanchar.
  5. Adicione o caldo de peixe (ou água) e deixe ferver em fogo alto por 8 minutos para apurar o sabor.
  6. Baixe para fogo médio, coloque o catado de guaiamum e cozinhe por mais 12 minutos, mexendo de vez em quando.
  7. Ajuste o sal com sal grosso e pimenta-do-reino moída na hora. O caldo deve estar salgado de leve porque o pirão absorve sabor.
  8. Desligue o fogo, finalize com coentro e cheiro verde picados, regue com o restante do azeite e tampe por 2 minutos.
  9. Sirva em canecas ou pratos fundos com uma colher de pirão grosso, uma rodela de limão e cebola roxa crua ao lado.

Como preparar o pirão e variações do caldo

O pirão do caldinho de guaiamum é o que transforma o caldo em jantar de verdade. A versão mais tradicional de Itaipava e Regência usa farinha de mandioca crua polvilhada direto no caldo quente, sem dissolver antes. Em uma caneca com cerca de 300 ml de caldo bem quente, coloque duas colheres de sopa cheias de farinha, mexa com uma colher de pau até incorporar e ficar grosso como creme ralo. Se preferir pirão mais firme, à moda de Pontal do Ipiranga, coloque três colheres de farinha e mexa até soltar da colher. Para o pirão de aipim, cozinhe 200 g de aipim descascado em água com sal até ficar bem macio, amasse com garfo ainda quente e junte ao caldo aos poucos, mexendo até engrossar.

Algumas variações que valem a pena testar. Versão com leite de coco (à moda de Conceição da Barra e sul da Bahia): adicione 200 ml de leite de coco caseiro na finalização, junto com o coentro. O leite de coco entra depois do cozimento do catado para não ferver e talhar, e o resultado fica mais aveludado, lembrando o perfil da muqueca capixaba de peixe com pirão. Versão na panela de pressão para quem tem pouco tempo: refogue cebola, alho e pimentão na pressão aquecida com azeite, junte tomate, catado e 1 litro de caldo, tampe e cozinhe por 10 minutos depois do chiado. Solte a pressão, abra a panela e finalize com coentro e cheiro verde. Tempo total cai para 30 minutos. Versão com pirão de fubá: cozinhe 3 colheres de fubá mimoso em 300 ml de caldo de guaiamum por 8 minutos em fogo baixo, mexendo sempre, e junte o pirão ao caldo na hora de servir. A combinação lembra a tradição mineira do angu, mas com sabor de mar.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 20 minutos.

Tempo de cozimento: 25 minutos.

tempo total: 45 minutos.

Rende 6 canecas fartas como entrada ou 4 pratos como jantar com pirão (cada caneca tem aproximadamente 250 kcal considerando o pirão de farinha).

Como servir o Caldinho de Guaiamum à moda capixaba

O caldo vai bem em caneca de barro, prato fundo de pedra ou tigela branca grande, sempre bem quente, com uma concha do caldo mais uma colher generosa de pirão grosso, rodela de limão e rodelas finas de cebola roxa crua. Acompanha pão sovado, pão de carcaça ou pão de fermentação natural do Espírito Santo. Para o jantar completo, sirva com arroz branco soltinho e salada de tomate com cebola e azeite, no mesmo estilo de mesa do camarão na moranga à moda capixaba e do caldo de piranha da fronteira gaúcha.

Nas vilas pesqueiras, a tradição é tomar o caldo como entrada do jantar entre 19h e 21h, logo depois da lavagem de barco. Para a cidade, sirva como entrada antes do prato principal ou como sopa principal em noite muito fria de julho, em substituição a outras sopas cremosas como o creme de abóbora cabotiá com gengibre mineiro.

Conservação e curiosidades sobre o guaiamum

O caldo dura até 3 dias na geladeira, em pote de vidro com tampa. Reaqueça em fogo baixo mexendo sempre porque o pirão de farinha tende a grudar. Se engrossar demais, junte água ou caldo de peixe até a consistência original. Congele apenas o caldo puro (sem pirão) por até 2 meses em pote hermético. Reaproveite sobras do catado em omelete com coentro, recheio de tapioca ou arroz branco.

O guaiamum é protegido pelo defeso do Ibama entre outubro e dezembro, quando a fêmea libera os ovos. Nesse intervalo, captura e comercialização são proibidas em todo o litoral. As vilas organizadas armazenam o catado congelado para usar durante o defeso, ou trabalham com o caranguejo-uçá (defeso em período diferente). No Espírito Santo, a pesca é feita com gancho de madeira e linha de nylon, em noite de lua cheia e maré baixa. Os catadores de Regência são conhecidos como guaiamunzeiros e mantêm o saber artesanal há pelo menos cinco gerações, em parceria com cozinhas que se dedicam a caldos clássicos do nosso litoral, como o caldinho de sururu alagoano e o caldo de surubim à moda do pantanal mineiro.

Tire suas dúvidas

Qual a diferença entre guaiamum e caranguejo-uçá?

O guaiamum tem casco escuro, pernas curtas e garrras fortes, e vive no mangue em galerias que ele mesmo escava. O caranguejo-uçá é mais comum no litoral nordestino e tem casco levemente esverdeado. No sabor, o guaiamum tem carne mais concentrada e levemente adocicada, enquanto o uçá tem sabor mais suave e aquoso. Para o caldinho capixaba, prefira o guaiamum, mas pode substituir pelo uçá sem perder a estrutura da receita.

Onde comprar catado de guaiamum se eu não moro no litoral?

O catado congelado aparece em peixarias grandes, feiras livres com seção de pescados e mercados especializados em comida nordestina e capixaba nas capitais do Sudeste. Peça com antecedência porque nem sempre está disponível. Outra opção é comprar o guaiamum inteiro congelado, cozinhar em água com sal por 20 minutos e extrair o catado em casa (reserve 1,5 kg de guaiamum inteiro para conseguir os 500 g de catado).

Posso usar carne de siri ou de camarão no lugar do guaiamum?

Pode, mas o sabor muda bastante. O caldinho de guaiamum tem identidade própria pelo sabor concentrado do catado, então a substituição funciona mais como variações do que como equivalentes. Com siri cozido desfiado fica próximo, com camarão fica mais leve e adocicado. Para quem não tem acesso a nenhum crustáceo do mangue, a versão com carne de siri é a mais recomendada como substituta.

O catado de guaiamum precisa ser lavado antes do cozimento?

Sim, principalmente o catado fresco das vilas de pesca, que pode trazer restos de areia, cartilagem e pequenas porções de casca. Lave em água corrente dentro de uma peneira por pelo menos dois minutos, separando os pedaços com as mãos. Se estiver muito salgado, deixe de molho em água gelada por 20 minutos antes de lavar. Catado congelado de boa procedência geralmente já vem limpo e pode ir direto para a panela.

Como tirar o sabor de areia do caldo de guaiamum?

A lavagem do catado antes do cozimento resolve a maior parte do problema. Se mesmo assim o caldo ficar com areia, coe em peneira fina de malha apertada antes de finalizar com o verde, e evite mexer a panela depois do catado entrar. O pirão de farinha também ajuda a capturar partículas finas que escapam da peneira, então mantenha 2 colheres de farinha por caneca.

Dá para fazer o caldo de guaiamum sem coentro?

Dá, mas o sabor fica menos capixaba. O coentro fresco entra na finalização junto com o cheiro verde e é o que dá o perfume característico do caldo do Espírito Santo. Se você não gosta de coentro, substitua por salsinha extra e finalize com azeite aromatizado com limão siciliano. Não recomendo retirar totalmente o verde porque o caldo fica sem a assinatura regional.

Quanto tempo o catado de guaiamum dura congelado?

O catado cru congelado em saco hermético dura até 4 meses sem perder sabor. O catado já cozido e desfiado dura 3 meses no freezer, em pote de vidro com tampa. Para descongelar, leve à geladeira de um dia para o outro e use no dia seguinte. Não recongele catado que já foi descongelado uma vez, porque a textura da carne fica borrachuda.

O caldo de guaiamum pode ser servido no café da manhã?

Nas vilas de pesca do Espírito Santo o caldo é mais tradicional no jantar, mas nas cidades do interior há quem tome como café reforçado em domingo de inverno. A combinação de catado, coentro e pirão sustenta bem a manhã e combina com pão de carcaça e café preto. Se servir de manhã, reduza a pimenta-malagueta e sirva em caneca pequena.

Posso fazer o caldo de guaiamum na Air Fryer?

Não recomendo. A Air Fryer trabalha com calor seco, e o caldo precisa de calor úmido para o catado soltar sabor no caldo. O resultado fica seco, com pedaços de catado dourados mas sem caldo consistente. Use a Air Fryer apenas para tostar o pão que acompanha o caldo.

O caldo de guaiamum combina com vinho?

Combina, mas o melhor parceiro é cerveja pilsen bem gelada, que tradicionalmente acompanha o caldo nas vilas do ES. Para quem prefere vinho, um branco leve e cítrico (como Sauvignon Blanc ou Vinho Verde português) funciona bem porque a acidez contrasta com a cremosidade do pirão. Evite tintos encorpados porque eles dominam o sabor do catado.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 20 de julho de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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