Índice do Conteúdo
- Ingredientes do caldo de surubim pantaneiro
- Modo de preparo do caldo de surubim
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Por que este surubim é o peixe do São Francisco
- Como escolher e limpar o surubim
- Variações do caldo pantaneiro
- Como servir e conservar o caldo de surubim
- Tire suas dúvidas sobre caldo de surubim
- Posso usar surubim congelado no lugar do fresco?
- Qual a diferença entre surubim, pintado e cachara?
- Posso substituir a mandioca por batata ou aipim congelado?
- Como tirar o cheiro forte de peixe de rio?
- Posso fazer o caldo sem o pirão de farinha?
- O pequi pode ser substituído por outro ingrediente?
- O caldo de surubim serve para crianças?
- Quanto tempo antes posso cozinhar o caldo para servir?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Ingredientes do caldo de surubim pantaneiro
- Modo de preparo do caldo de surubim
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Por que este surubim é o peixe do São Francisco
- Como escolher e limpar o surubim
- Variações do caldo pantaneiro
- Como servir e conservar o caldo de surubim
- Tire suas dúvidas sobre caldo de surubim
Atualizado em 12 de julho de 2026. O caldo de surubim à moda do Pantanal mineiro é o jantar que sustenta o interior do Rio São Francisco nas noites mais frias de julho. A combinação de peixe nobre cozido em caldo curto com cebola, tomate, mandioca e cheiro-verde, finalizada com pirão grosso da própria cabeça, é a receita de raiz das comunidades ribeirinhas que margeiam o “Velho Chico” entre o Norte de Minas e o Pantanal mineiro. É o tipo de comida que se serve em caneco fundo, com arroz branco e rodelas de limão ao lado, e que faz a casa inteira cheirar a peixe cozido e louro nas primeiras duas horas do preparo.
Ingredientes do caldo de surubim pantaneiro
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Posta de surubim (lombo limpo) | 1,2 kg | em pedaços de 8 cm, fresco e refrigerado |
| Cabeça e espinha central do peixe | 1 kg | para o pirão e o fundo de sabor |
| Mandioca descascada (aipim) | 600 g | em cubos de 3 cm, sem o fio central |
| Cebola | 2 unidades médias | cortada em meia-luas finas |
| Tomate maduro | 3 unidades médias | sem sementes, em cubos |
| Alho | 6 dentes | picados |
| Cebolinha verde | 1 maço médio | branca e verde picadas separadas |
| Salsinha | 1 maço pequeno | folhas frescas picadas |
| Folha de louro | 2 unidades | secas ou frescas |
| Pimenta-de-cheiro (opcional) | 2 unidades | amarelas, com furo na base |
| Pequi (opcional maduro) | 3 unidades | sem caroço, em quatro partes |
| Sal grosso | 1 colher de sopa | ajustar a gosto |
| Pimenta-do-reino | 1 colher de chá | moída na hora |
| Azeite de oliva | 3 colheres de sopa | para o refogado |
| Água filtrada | 2,5 litros | fria, para o cozimento |
| Farinha de mandioca fina | 3 colheres de sopa | torrada, para o pirão |
| Limão Taiti | 2 unidades médias | rodelas para servir |
Modo de preparo do caldo de surubim

- Prepare o fundo de sabor: em panela larga, aqueça 1 colher de azeite com a cebola, parte da cebolinha branca e o louro. Refogue por 4 minutos até a cebola ficar translúcida.
- Acrescente o alho, o tomate e a pimenta-de-cheiro. Mexa por 3 minutos até o tomate desmanchar e virar pasta rosada no fundo da panela.
- Coloque a cabeça e a espinha do surubim, cubra com 2 litros de água fria. Tempere com sal grosso e pimenta-do-reino. Ferva em fogo alto, depois abaixe para médio e cozinhe por 35 minutos com tampa entreaberta, retirando a espuma com colher.
- Retire a cabeça e a espinha, coe o caldo em peneira grossa e descarte as espinhas grandes. Mantenha a carne solta da espinha e volte o caldo coado para a panela no fogo médio.
- Acrescente a mandioca em cubos e cozinhe por 25 minutos, até ficar macia mas firme ao garfo. Reserve 1 caneca (300 ml) do caldo para usar no pirão.
- Em outra frigideira, aqueça 1 colher de azeite e sele as postas por 1 minuto de cada lado, só para dourar a superfície. O cozimento final será dentro do caldo. Reserve as postas em um prato.
- Volte ao caldo com fogo médio-baixo, coloque delicadamente as postas seladas. Acrescente o pequi se estiver usando. Cozinhe por 12 minutos sem mexer demais para não quebrar a carne. Prove o sal e corrija.
- Para o pirão: em caneca, dissolva a farinha torrada no caldo reservado até virar papa lisa. Volte à panela e mexa devagar por 4 minutos, até o caldo engrossar e ficar bem amarelo, com a cor do pirão bom.
- Desligue o fogo, finalize com a cebolinha verde e a salsinha reservadas. Tampe e deixe o peixe descansar 3 minutos dentro do caldo para firmar a textura.
- Sirva em canecos fundos ou pratos de sopa, com 1 posta inteira no centro, mandioca e pirão por cima. Acompanhe com arroz branco solto, rodelas de limão e pirão extra.
Tempo de preparo e rendimento desta receita
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 60 minutos.
Tempo total: 85 minutos.
Rende 6 porções generosas (1 posta inteira e cerca de 400 ml de caldo por caneco).
Calorias aproximadas: 320 kcal por porção, só com a posta, o pirão e a mandioca, sem o arroz de acompanhamento.
Por que este surubim é o peixe do São Francisco
O surubim é o peixe nobre por excelência do Rio São Francisco e aparece no trecho mineiro entre Pirapora, Januária, Manga e São Francisco, onde ainda é pescado artesanalmente pelas comunidades ribeirinhas. A espécie mais comum é o surubim-do-doce, de carne branca, firme e com pouquíssima gordura, ideal para caldos longos. Em julho, quando as águas do Velho Chico baixam e a temperatura cai na Serra do Espinhaço, o peixe está no auge da sazonalidade e cai em maior volume nas redes dos pescadores.
Na tradição pantaneira mineira, o surubim é preparado em três versões clássicas: cozido no caldo com legumes (esta receita), assado inteiro na telha com sal grosso, ou em postas grelhadas com pirão à parte. O cozimento no caldo tem a vantagem de aproveitar a cabeça e a espinha, que normalmente iriam para o lixo, e transformá-las em fundo saboroso para o pirão. É a forma mais antiga, anterior aos fornos à lenha que apareceram nas fazendas do Pantanal mineiro no começo do século XX.
O pequi é opcional e varia de família para família. Quem mora mais perto do Norte de Minas, onde o pequi é fartura na estação, coloca três ou quatro metades no caldo e deixa o sabor amendoado marcar o prato. Quem está mais ao Sul, perto de Sacramento, prefere a versão limpa, só cheiro-verde e louro, deixando o peixe ser o protagonista.
Como escolher e limpar o surubim
O ponto crítico é a frescura do peixe. Compre no mesmo dia do preparo, com olhos brilhantes e guelras vermelhas, nunca opaco ou com cheiro de amônia. Peixe de rio é mais delicado que o de mar, então prefira peixarias conhecidas do seu bairro, mercados municipais que trabalham com peixes do norte de Minas ou peixarias online que entregam em 48 horas com cadeia de frio.
No mercado municipal de Pirapora e Januária, o costume é comprar o peixe inteiro e pedir para o peixeiro cortar a posta central, separando a cabeça. Em supermercado, peça as postas já cortadas e compre separadamente a cabeça e a espinha, que muitos mercados vendem como “esqueleto” por um terço do preço da posta.
Para limpar: lave cada posta em água corrente, seque com papel toalha e mantenha refrigerada até selar. A cabeça e a espinha precisam apenas de lavagem em água fria, sem descamar. Se o peixe vier com couro grosso, retire a pele puxando firme da cauda para a cabeça, como faz com robalo grande.
Variações do caldo pantaneiro
Quem está no limite com a Bahia, em Manga ou Matias Cardoso, costuma trocar a mandioca por inhame e usar colorau no lugar do tomate, dando cor avermelhada antes do pirão. Em Pirapora, terra do cais do São Francisco, é tradição servir o caldo com um ovo cozido em cada caneco, partido ao meio para que a gema se misture ao pirão (versão mais reforçada, boa para pescadores que precisam de energia rápida no frio do amanhecer).
Uma terceira versão, dos pantaneiros de Corumbá (MS), leva leite de coco na finalização, herança afro-brasileira que chegou ao Pantanal via Salvador. O caldo fica mais redondo e levemente adocicado, ótimo para quem não curte o sabor mineral do peixe de rio. Para testar, substitua 200 ml de caldo por leite de coco caseiro no passo 8, antes de adicionar o pirão.
Como servir e conservar o caldo de surubim
Sirva em canecos fundos de barro ou cerâmica, que seguram melhor a temperatura. Acompanhe com arroz branco cozido solto, rodelas de limão Taiti para espremer na hora e uma travessa pequena de pirão extra. Não coloque pão francês na mesa: rouba o protagonismo do pirão.
Se sobrar caldo, retire as postas com cuidado e guarde em pote de vidro com tampa, junto com o caldo e o pirão. Dura até 2 dias sob refrigeração, em temperatura igual ou inferior a 5°C. Para reaquecer, leve ao fogo baixo em panela pequena, mexendo devagar para não esfarelar a carne. Não leve ao micro-ondas, o peixe fica borrachudo e o pirão talha.
O pirão engrossa ainda mais depois de frio, então é normal o caldo da véspera ficar mais consistente que o do mesmo dia. Se quiser devolver a textura cremosa, acrescente 100 ml de água quente e mexa até dissolver o pirão antes de servir. O congelamento funciona bem por até 30 dias, mas retire as postas antes para não ressecar a carne, e congele o caldo com o pirão em pote separado.
Esta receita combina muito bem com outros clássicos mineiros do inverno, como o caldo verde à mineira com couve e linguiça para uma mesa de sopas de quinta, ou com a canjiquinha cremosa com costelinha se quiser começar a refeição com algo mais encorpado. Para virar um almoço de domingo, troque o arroz branco por escondidinho de carne de sol com macaxeira e queijo coalho como prato principal ao lado, no estilo pantaneiro completo. O caldinho de sururu alagoano é outro caldo de peixe de raiz regional que pede a mesma técnica de pirão no final.
Tire suas dúvidas sobre caldo de surubim
Posso usar surubim congelado no lugar do fresco?
Sim, desde que o peixe tenha sido congelado na origem com cadeia de frio contínua e a embalagem esteja intacta. Descongele na geladeira por 24 horas, em prato coberto, sem colocar em água corrente. O sabor fica um pouco menos fresco, mas o caldo mantém o perfil. Não congele duas vezes: compre só o que vai usar.
Qual a diferença entre surubim, pintado e cachara?
São três espécies distintas da família dos bagres grandes sul-americanos. O surubim tem manchas redondas pelo corpo, carne mais clara e é mais nobre; o pintado tem pintas escuras parecidas com onça, carne rosada e sabor mais pronunciado; a cachara tem listras verticais e é a mais barata, com sabor neutro. Esta receita funciona bem com as três, mas o clássico do São Francisco é o surubim pintado.
Posso substituir a mandioca por batata ou aipim congelado?
Sim, com adaptações. Use 400 g de batata inglesa em cubos se quiser um caldo mais leve, ou 800 g de aipim congelado descascado se preferir praticidade. Cozinhe junto com o caldo no passo 5 por 18 minutos, até ficar macio sem desmanchar. A textura final muda um pouco, mas o sabor do peixe continua sendo o protagonista.
Como tirar o cheiro forte de peixe de rio?
O surubim fresco tem cheiro suave de água de rio, sem odor desagradável. Se o seu peixe apresentar cheiro de lama ou amoníaco, é sinal de que ficou tempo demais na peixaria ou veio de água parada. Volte e peça outra peça. Para garantir sabor limpo, mantenha refrigerado entre 2°C e 5°C até o momento do preparo e cozinhe no mesmo dia da compra.
Posso fazer o caldo sem o pirão de farinha?
Sim, embora o pirão seja o que diferencia o caldo pantaneiro do simples caldo de peixe. Se quiser versão leve, engrosse com 1 colher de sopa de amido de milho dissolvido em 100 ml de água fria no passo 8. Outra opção é finalizar com 3 colheres de sopa de creme de leite fresco no momento de desligar o fogo, dando cremosidade diferente.
O pequi pode ser substituído por outro ingrediente?
Sim, mas não pelo mesmo sabor único. Em lugares onde não tem pequi fresco, pode substituir por 3 colheres de sopa de polpa de buriti congelada (sabor mais neutro, parecido com abacate no aroma) ou omitir totalmente, deixando o peixe ser o centro. Não use pequi em conserva com vinagre, que muda o perfil do caldo para algo mais azedo.
O caldo de surubim serve para crianças?
Sim, é uma das melhores receitas para introduzir peixe de rio na alimentação infantil, porque a carne do surubim tem espinhas grandes e fáceis de retirar e o pirão engrossa a textura evitando engasgos. Para crianças menores de 2 anos, retire o pirão de farinha e passe a parte do caldo no liquidificador, voltando à panela só para esquentar.
Quanto tempo antes posso cozinhar o caldo para servir?
O ideal é servir no mesmo dia, até 2 horas depois do preparo, com o peixe ainda firme e o pirão cremoso. Se precisar adiantar, cozinhe até o passo 5 e finalize as postas e o pirão 30 minutos antes de servir. Reaquecer o prato pronto reduz a textura do peixe, que fica mais seco depois do segundo cozimento.

