Caldo de Cabras Nordestino com Carne Seca e Jerimum: o Jantar Quente das Noites de Julho no Sertão

Caldo de Cabras Nordestino com Carne Seca e Jerimum: o Jantar Quente das Noites de Julho no Sertão
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 06/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCaldo de cabras nordestino com carne seca, jerimum e mandioca: receita sertaneja que aquece o jantar de julho. Veja ingredientes, preparo, tempo e dicas.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
125 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Sopa

🔥 Calorias
380 kcal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
16 ingredientes
|
10 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. O que é o caldo de cabras e por que ele é o jantar das noites frias de julho
  2. Ingredientes do caldo de cabras nordestino
  3. Modo de preparo do caldo de cabras
  4. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  5. Como escolher a carne de bode certa para o caldo
  6. Dicas de acerto e variações regionais
  7. Como servir e conservar o caldo de cabras
  8. Tire suas dúvidas

Atualizado em julho de 2026. O caldo de cabras nordestino é aquele jantar do sertão que a vendedora de pão de queijo e o vaqueiro lembram com sorriso quando bate o frio de julho: carne de bode ou carneiro refogada com carne seca, jerimum (abóbora cabotiá) em pedaços, mandioca que derrete no caldo e aquele cheiro de louro e cominho que toma conta da cozinha nas primeiras fervuras. É comfort food de panela comum, feita em fogo médio, com ingredientes que quase toda família do Agreste e do sertão de Pernambuco, da Paraíba e do Ceará tem em casa.

O que é o caldo de cabras e por que ele é o jantar das noites frias de julho

O caldo de cabras, também chamado de “caldo de carneiro” ou “caldo de bode” em algumas regiões, é um cozido cremoso do interior do Nordeste brasileiro, preparado com carne de caprino ou ovino, carne seca dessalgada, jerimum (abóbora cabotiá), mandioca, leite de coco (opcional, mas tradicional na versão alagoana) e temperos aromáticos como louro, cominho, alho e cebola. O nome “de cabras” vem justamente da carne principal: bode ou carneiro, cozidos lentamente até ficarem macios o suficiente para se desfiar com a colher.

A receita tem origem nos currais do Sertão, onde a criação de caprinos e ovinos sempre foi abundante. No Agreste pernambucano (Caruaru, Garanhuns), no Cariri paraibano (Campina Grande, Monteiro) e no sertão cearense (Juazeiro do Norte, Crato), o caldo de cabras aparece em refeições de domingo, em festas de São Pedro que se estendem até julho e em ceias de São João.

Em julho, quando o sertão registra as madrugadas mais frias do ano, o caldo de cabras ganha status de prato principal do jantar. É a receita que sustenta a mesa depois de um dia de trabalho na roça, alimenta bem gastando pouco e rende para uma família inteira em uma panela só. A combinação de carne de bode, carne seca, jerimum e mandioca transforma uma panela de água em comida de verdade.

Ingredientes do caldo de cabras nordestino

Delicious Brazilian beef stew with potatoes and green onions served in a bowl.
Ingrediente Quantidade Observação
Carne de bode ou carneiro em pedaços 1 quilograma Preferir paleta ou costela, com osso, para mais sabor
Carne seca em cubos 500 gramas Precisa ficar de molho por 12 horas antes do preparo
Jerimum (abóbora cabotiá) em cubos 500 gramas Pode substituir por moranga, mas o sabor fica diferente
Mandioca descascada e picada 500 gramas Pode usar mandioca congelada, já descascada
Cebola grande picada 2 unidades Preferir cebola branca ou roxa do sertão
Dentes de alho picados 6 dentes Alho fresco, nunca alho industrializado em pasta
Tomate maduro picado 3 unidades Sem sementes, para não amargar o caldo
Pimentão verde médio picado 1 unidade Dá o aroma característico do caldo sertanejo
Folhas de louro frescas 3 unidades Se usar louro seco, reduzir para 2 folhas
Grãos de cominho em pó 1 colher (chá) Cominho é essencial, não dispense
Colorau (urucum) em pó 1 colher (chá) Dá a cor avermelhada clássica do caldo
Pimenta do reino moída na hora 1 colher (chá) Preto, acabado de moer
Sal grosso 1 colher (sopa) Ajustar no final, porque a carne seca já é salgada
Óleo de soja ou azeite de dendê 3 colheres (sopa) Dendê dá o tom baiano se você quiser a versão litorânea
Água filtrada 2 litros Para cobrir a carne; completar se necessário
Cebolinha verde picada 1 maço médio Para finalizar e dar frescor

Acompanhamentos opcionais mas tradicionais: arroz branco soltinho, farinha de mandioca torrada, pimenta malagueta em calda, coentro fresco picado.

Modo de preparo do caldo de cabras

  1. Comece dessalgando a carne seca: coloque os cubos em uma tigela grande, cubra com água fria e leve à geladeira por 12 horas, trocando a água 3 vezes. Esse processo elimina o excesso de sal e amolece as fibras.
  2. Em uma panela de pressão grande, coloque a carne de bode, cubra com água limpa e leve ao fogo alto. Quando ferver, escorra toda a água e lave a carne em água corrente. Esse passo elimina o cheiro forte de bode.
  3. Volte a carne para a panela de pressão, adicione 1,5 litro de água limpa, 1 folha de louro, meia cebola e 2 dentes de alho. Tampe e cozinhe por 30 minutos a partir do chiado. Desligue, espere a pressão sair e reserve a carne com o caldo.
  4. Em uma panela larga, aqueça o óleo em fogo médio e refogue a cebola restante até ficar translúcida, por 3 minutos. Adicione o alho e mexa por mais 1 minuto, sem dourar.
  5. Acrescente o tomate, o pimentão, o colorau, o cominho, a pimenta do reino e o louro restante. Refogue por 5 minutos, até os tomates desmancharem e formarem um molho grosso.
  6. Adicione a carne de bode cozida (reserve o caldo) e os cubos de carne seca já dessalgados. Mexa para incorporar tudo ao refogado e deixe pegar gosto por 5 minutos.
  7. Despeje o caldo reservado do cozimento e complete com água limpa até cobrir tudo, cerca de 2 litros no total. Tempere com sal grosso aos poucos, lembrando que a carne seca já é salgada. Prove e ajuste.
  8. Tampe a panela, abaixe o fogo para médio-baixo e cozinhe por 40 minutos, até a carne ficar bem macia e começar a se desfiar. Se a água baixar, complete com água quente.
  9. Acrescente a mandioca e o jerimum em cubos. Cozinhe por mais 25 minutos com a panela semi-tampada, até a mandioca desmanchar e engrossar o caldo naturalmente.
  10. Desligue o fogo, salpique a cebolinha picada por cima, tampe e deixe descansar por 5 minutos antes de servir. O caldo engrossa ao esfriar, então sirva em canecas ou pratos fundos.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 95 minutos.

tempo total: 125 minutos.

Rende 8 porções generosas.

Cada porção tem aproximadamente 380 kcal (varia conforme a quantidade de gordura da carne e se você usa azeite de dendê).

Como escolher a carne de bode certa para o caldo

O sabor e o tempo de cozimento dependem muito da qualidade da carne escolhida. A paleta é a melhor opção: tem carne magra, gordura na medida e osso, que libera sabor durante o cozimento longo. A costela também funciona bem. Evite o lombo, que resseca no cozimento longo, e evite carne de bode jovem demais, que tem pouca gordura.

Em feiras do Agreste pernambucano e do Cariri paraibano, é comum encontrar a carne de bode já cortada em cubos em frigorífico municipal, vendida por preço muito mais em conta. Se você não tem acesso, a carne de carneiro comum, vendida em açougues de bairro, é um substituto aceitável e fica pronta em 10 minutos a menos de cozimento.

Um truque das donas de casa do sertão para reduzir o cheiro forte da carne de bode: depois de escorrer a água do primeiro cozimento (passo 2), esfregar a carne com limão ou vinagre branco antes de voltar à panela. Isso quebra as moléculas responsáveis pelo cheiro e deixa o caldo com aroma mais suave.

Dicas de acerto e variações regionais

Quer um caldo ainda mais cremoso? Bata metade do jerimum e da mandioca cozidos no liquidificador e volte para a panela nos últimos 10 minutos de cozimento. Isso transforma o caldo em uma sopa espessa, quase um creme grosso, sem precisar adicionar amido de milho ou creme de leite.

Versão baiana com leite de coco: adicione 200 ml de leite de coco no passo 9, junto com a mandioca e o jerimum. O resultado fica mais amarelo e tem sabor que lembra o bobó, sem perder a identidade do caldo de cabras. Essa variação é muito comum em Salvador e em cidades do recôncavo baiano.

Versão alagoana com quiabo: adicione 100 gramas de quiabo fatiado em rodelas no passo 8, junto com a carne de bode. O quiabo libera uma baba natural que engrossa o caldo e dá o toque característico da cozinha alagoana, principalmente em Arapiraca e Palmeira dos Índios.

Ponto de sal: como a carne seca já tem sal, adicione o sal grosso aos poucos, provando a cada colher. O ideal é que o caldo fique levemente salgado, porque a mandioca e o jerimum absorvem parte do sal durante o cozimento.

Como servir e conservar o caldo de cabras

O caldo de cabras tradicional é servido bem quente, em canecas grandes ou pratos fundos, acompanhado de arroz branco soltinho, farinha de mandioca torrada à parte e pimenta malagueta em calda para quem gosta de calor extra. Acompanhamentos clássicos incluem rodelas de limão e coentro fresco.

Para conservar na geladeira, espere o caldo esfriar, retire os ossos maiores da carne de bode e armazene em pote de vidro com tampa. Dura até 4 dias em geladeira e até 3 meses no freezer. Na hora de reaquecer, adicione um fio de água quente porque o caldo engrossa muito quando esfria.

Para aproveitar a sobra, desfie a carne restante, misture com o caldo engrossado e recheie tapiocas ou use como recheio de empada. É uma forma inteligente de dar variação ao mesmo prato em duas refeições diferentes.

Tire suas dúvidas

Caldo de cabras é o mesmo que buchada?

Não. A buchada leva bucho de boi cozido em caldo claro com sangue coagulado, enquanto o caldo de cabras leva carne magra de bode ou carneiro, com carne seca, jerimum e mandioca, sem miúdos. Os sabores são bem diferentes: a buchada tem gosto mais forte de sangue e o caldo de cabras é mais suave e adocicado por causa do jerimum.

Posso substituir a carne de bode por carne de carneiro?

Sim, é a substituição mais comum nas grandes cidades. O carneiro tem sabor mais suave e cozinha em 10 minutos a menos, mas o resultado fica próximo do tradicional. Evite substituir por carne bovina, porque o sabor muda completamente e o cozimento precisa de mais tempo.

Preciso usar carne seca ou posso fazer sem?

A carne seca é essencial para o sabor autêntico, mas se você não tem ou não quer dessalgar por 12 horas, substitua por 300 gramas de bacon em cubos grandes, refogado junto com a cebola no passo 4. O bacon doa sal e gordura, mas perde um pouco da identidade nordestina.

O que é jerimum e posso trocar por outro ingrediente?

Jerimum é o nome nordestino da abóbora cabotiá, de casca verde escura e polpa amarelo-alaranjada, muito doce quando cozida. Pode substituir por moranga ou abóbora paulista, mas o sabor fica menos adocicado. Não substitua por chuchu, porque o sabor é completamente diferente.

Quanto tempo dura o caldo de cabras na geladeira?

Em pote de vidro com tampa, dura até 4 dias em geladeira e até 3 meses no freezer em porções individuais. Para reaquecer, adicione 100 ml de água quente por porção porque o caldo engrossa bastante quando esfria, e mexa bem no fogo baixo.

Posso fazer o caldo de cabras na panela de pressão para ganhar tempo?

Pode, mas o sabor fica diferente porque a pressão impede a evaporação lenta que concentra os aromas. Na pressão, cozinhe a carne por 25 minutos, acrescente a carne seca por mais 15 minutos, e finalize com a mandioca e o jerimum por 8 minutos com a tampa semiaberta. O tempo cai para 1 hora, mas o sabor fica menos encorpado.

Caldo de cabras combina com que acompanhamento?

Os acompanhamentos mais tradicionais são arroz branco soltinho, farinha de mandioca torrada à parte, pimenta malagueta em calda e rodelas de limão. Em festas juninas ou de São Pedro, é comum servir com pão de queijo mineiro ou cuscuz nordestino. Para algo mais leve, salada de repolho com cenoura ralada quebra bem a gordura.

Qual a diferença entre caldo de cabras e caldo verde?

O caldo verde tem como base a couve mineira cortada em tiras finas, com batata e farinha de mandioca, geralmente com bacon ou linguiça. O caldo de cabras tem como base a carne de bode ou carneiro cozida lentamente, com mandioca, jerimum e carne seca. São de regiões diferentes: o verde é de Minas Gerais, o de cabras é do sertão nordestino.

Para entender melhor outros cozidos e caldos que aquecem o inverno, vale conferir o caldo verde a mineira com couve e linguiça e o caldo de piranha da fronteira gaúcha, ambos perfeitos para o jantar das noites frias de julho.

Se você curte o sabor nordestino, o quibebe paraibano com jerimum e carne seca usa o mesmo jerimum da receita de hoje em uma versão com carne moída, e o borrego assado nordestino é o primo-irmão do caldo de cabras quando o bode vai inteiro para a brasa. Para fechar a semana com mais sangue nordestino na mesa, o sarapatel pernambucano mostra a versão com sangue coagulado e miúdos, bem diferente do caldo de hoje.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 06 de julho de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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