Canjicada Mineira com Costelinha e Paçoca: o Almoço de Julho no Sertão de Minas

Canjicada Mineira com Costelinha e Paçoca: o Almoço de Julho no Sertão de Minas
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 23/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCanjicada mineira com costelinha suína e paçoca de pilão: almoco rural de julho no Sertão de Minas, prato caipira de panela com canjica, carne e couve.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
95 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
13 ingredientes
|
9 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. O que é canjicada e por que combina com julho no Sertão de Minas
  2. Ingredientes da canjicada mineira
  3. Modo de preparo da canjicada mineira
  4. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  5. Como escolher a canjica e a paçoca certas para a canjicada
  6. Variações da canjicada mineira pelo interior
  7. Como servir e conservar a canjicada mineira
  8. Tire suas dúvidas sobre a canjicada mineira

Atualizado em julho de 2026. A canjicada mineira com costelinha e paçoca é o almoço de panela do Sertão de Minas em julho: canjica branca cozida até virar um angu cremoso, costelinha suína dourada que solta na boca, paçoca de carne de pilão esfarelada por cima e couve refogada na frigideira para dar o verde. O resultado tem o perfume de alho e louro do almoço de roça, com aquela camada de torresmo que mistura crocância e maciez na mesma colherada.

O que é canjicada e por que combina com julho no Sertão de Minas

A canjicada é a versão salgada da canjica, o mesmo grão de milho que normalmente vai para o creme doce das festas juninas. No interior de Minas, principalmente no Sertão, no Norte mineiro e no Vale do Jequitinhonha, ela aparece no prato principal do almoço de domingo, cozida em panela de ferro com carne suína e temperos de raiz. Diferente da canjiquinha (versão mais rala, quase sopa), a canjicada mineira fica com textura de angu cremoso, capaz de segurar o garfo como um pirão grosso.

Em julho, quando as manhãs começam com aquela geada fina do Cerrado e o almoço pede comida de sustância, a canjicada entra como o “prato que esquenta o corpo”. É o que se vê nas mesas do Norte de Minas, do Vale do Mucuri e das fazendas da região de Janaúba, Porteirinha e Janaúba, sempre acompanhada de couve, paçoca de carne pilão e torresmo. Nas casas mais antigas, ainda se prepara a canjica no moinho de pedra caseiro, socada na hora para ficar com aquele ponto rústico de grão meio quebrado que dá liga ao caldo.

O trio com costelinha e paçoca não é por acaso. A costelinha suína entra gordura suficiente para o prato ficar brilhoso sem precisar de óleo, e a paçoca de carne pilão (carne seca ou charque socado com farinha de mandioca) entra como o tempero concentrado que substitui o caldo de carne. É comida de quem trabalha na roça e precisa de prato que sustente a tarde inteira no campo. Quem conhece a cozinha do interior reconhece a canjicada como prima do arrumadinho mineiro, do tutu à mineira da vovó e do feijão tropeiro mineiro da roça, os três pilares do almoço mineiro de julho.

Ingredientes da canjicada mineira

Top view of traditional Brazilian dishes with rice, beans, beef, and fresh salad served in black bowls.
Ingrediente Quantidade Observação
Canjica branca de milho 500 g deixe de molho em água por 8 horas
Costelinha suína fresca 1,2 kg cortada em pedaços de 5 cm
Paçoca de carne pilão 300 g carne seca socada com farinha de mandioca
Torresmo de barriga 200 g em cubos pequenos, para fritar separado
Cebola média 2 unidades picada em cubos pequenos
Alho 6 dentes picado fino
Folha de louro 3 unidades inteiras, para o cozimento
Cheiro-verde (cebolinha e salsinha) 1 maço picado fino, para terminar
Couve manteiga 1 maço grande cortada em tiras finas (refogado à parte)
Sal grosso 1 colher (sopa) rasa, ajuste conforme o sal da paçoca
Pimenta-do-reino 1 colher (chá) moída na hora
Óleo de soja ou banha 2 colheres (sopa) para o refogado e o torresmo
Água 2,5 litros para o cozimento da canjica

Modo de preparo da canjicada mineira

  1. Escove a canjica em água corrente e deixe de molho em água fria por 8 horas, trocando a água uma vez na metade do tempo. Esse molho amolece o grão e reduz o tempo de cozimento em panela de pressão.
  2. Escorra a canjica e transfira para a panela de pressão. Cubra com 2 litros de água limpa, adicione 1 cebola cortada em quatro, 2 dentes de alho amassados e 1 folha de louro. Tampe e leve ao fogo alto até pegar pressão.
  3. Quando a pressão começar, abaixe o fogo para médio e cozinhe por 40 minutos. Desligue, espere a pressão sair sozinha e abra a panela. Reserve o caldo do cozimento.
  4. Em uma panela de ferro larga, aqueça 1 colher de sopa de óleo em fogo médio e doure a costelinha suína temperada com sal e pimenta. Reserve a costelinha dourada em um prato.
  5. Na mesma panela de ferro, refogue a cebola restante e o alho até dourar. Acrescente a paçoca de carne pilão esfarelada e mexa por 3 minutos para o tempero liberar o perfume da carne seca.
  6. Volte a costelinha para a panela, junte a canjica cozida (com o grão inteiro ou parte amassada com uma colher de pau, dependendo do ponto que você quer) e 1,5 litros do caldo reservado. Misture bem e cozinhe em fogo baixo, mexendo de vez em quando, por 25 minutos, até a canjicada ficar cremosa como um angu grosso.
  7. Enquanto a canjicada termina, frite o torresmo em uma frigideira pequena com pouco óleo até estourar e ficar crocante. Escorra em papel toalha.
  8. Refogue a couve na gordura que sobrou na frigideira com 1 dente de alho picado e uma pitada de sal, por 4 minutos, até murchar mas manter o verde vivo.
  9. Desligue o fogo da canjicada, finalize com o cheiro-verde picado e ajuste o sal. Sirva em tigelas individuais com o torresmo e a couve por cima, e a paçoca extra na mesa para quem quiser reforçar.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 65 minutos.

tempo total: 95 minutos.

Rende 8 porcoes generosas.

Como escolher a canjica e a paçoca certas para a canjicada

A canjica branca é o grão de milho descascado, diferente do fubá (que é farinha de milho) e da canjica amarela (que tem o gérmen). Para a canjicada mineira, prefira o grão inteiro de boa procedência, sem pó e sem cheiro de mofo. Antes de comprar, confira se o pacote tem data de moagem recente: canjica muito velha demora até o dobro do tempo para cozinhar, mesmo depois do molho.

A paçoca de carne pilão é o tempero-chave da canjicada. Compre em mercearias do interior ou em casas de produtos mineiros; deve ter cheiro forte de carne seca com farinha de mandioca torrada, coloração marrom-escura e textura que se desfaz em lascas. Se a paçoca estiver muito dura, bata no liquidificador por alguns segundos para soltar. Em último caso, substitua por 200 g de carne seca dessalgada e desfiada misturada com 100 g de farinha de mandioca torrada.

A costelinha suína fresca é o corte tradicional. Escolha peças com gordura entremeada (a “mechinha” branca entre os ossos), que ficam macias depois do cozimento. Costelinha congelada funciona, mas descongele na geladeira de um dia para o outro, sem usar micro-ondas, para não ressecar a carne.

Variações da canjicada mineira pelo interior

No Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha, é comum acrescentar abóbora cabotiá madura em cubos nos últimos 20 minutos de cozimento, o que dá uma doçura suave à canjicada e a cor alaranjada. No Triângulo Mineiro, a versão mais rústica leva paçoca de carne de sol com poleiro de torresmo frito na própria gordura da costelinha. Já na região dos Inconfidentes, a canjicada ganha um toque de louro fresco e um fio de azeite de dendê para escurecer o caldo, lembrando a canjica baiana.

Se preferir uma versão mais líquida, do tipo que se toma em caneca, dobre a quantidade de caldo do cozimento e reduza o tempo final para 15 minutos, virando uma canjiquinha com costelinha. Para acompanhar, troque o torresmo por lingüiça calabresa fatiada e dourada. E uma versão vegetariana, com feijão branco e cogumelo desfiado no lugar da costelinha, mantém o espírito do prato mas perde o sabor da paçoca de carne. Em versão de almoço de domingo completo, a canjicada rende bem ao lado de um virado à paulista com tutu cremoso e bisteca suína ou de um leitão assado à moda da roça mineira para repartir entre a turma.

Como servir e conservar a canjicada mineira

Sirva a canjicada bem quente, em tigelas de barro ou de louça grossa, com o torresmo crocante por cima e a couve refogada ao lado. Acompanha bem um arroz branco solto, uma laranja em gomos para a sobremesa leve e uma cachaça de alambique servida em dose pequena. Em mesa grande de domingo, vale colocar a paçoca extra, o torresmo e a couve em travessas separadas para cada pessoa se servir à vontade.

A canjicada fica ainda melhor no dia seguinte, quando o caldo engrossa e os sabores se misturam. Guarde em pote fechado na geladeira por até 3 dias ou congele em porções individuais por até 60 dias. Para reaquecer, leve ao fogo baixo com um fio de água ou caldo, mexendo até a textura voltar ao ponto cremoso original. O torresmo frito deve ficar à parte e ser acrescentado apenas na hora de servir, para não perder a crocância.

Tire suas dúvidas sobre a canjicada mineira

Canjicada e canjiquinha são a mesma coisa?

Não, apesar de partirem do mesmo grão de milho. A canjicada fica mais grossa, com textura de angu cremoso, e rende o prato principal. A canjiquinha é mais rala, quase sopa, e normalmente é servida como acompanhamento. A proporção de água e o tempo final de cozimento é o que diferencia as duas.

Posso usar canjica amarela em vez da branca?

Pode, mas a textura e o sabor mudam. A canjica branca fica com o caldo mais claro e sabor neutro, deixando a paçoca de carne em destaque. A amarela tem sabor mais intenso de milho e deixa o caldo dourado, próxima da canjica baiana. Para a canjicada mineira tradicional, prefira a branca.

Preciso obrigatoriamente usar paçoca de carne pilão?

É o ingrediente-chave. Sem a paçoca, a canjicada perde o sabor de carne que define o prato. Substitua por carne seca dessalgada e desfiada misturada com farinha de mandioca torrada se não encontrar a paçoca pronta. Linguiça calabresa não é o mesmo sabor, mas funciona em versão de fim de semana.

Quanto tempo a canjica precisa ficar de molho?

Oito horas é o ideal, com uma troca de água na metade do tempo. Se apressar, deixe pelo menos 4 horas em água morna. Sem molho, o grão fica duro mesmo depois de 1 hora na pressão, e o cozimento libera menos amido, deixando o caldo ralo.

Posso cozinhar a canjica na panela comum em vez da pressão?

Pode, mas o tempo sobe para 2 horas a 2 horas e meia em fogo baixo, com a panela tampada. A vantagem é que o grão libera amido aos poucos e o caldo fica mais cremoso naturalmente. Mexa de vez em quando para não grudar no fundo.

Dá para fazer a canjicada na panela elétrica?

Dá. Cozinhe a canjica no modo “feijão” por 60 minutos, adicione os refogados e a paçoca e deixe mais 30 minutos no modo “aquecer”. A textura fica próxima da panela de pressão, com a vantagem de não precisar vigiar o fogo.

A canjicada pode ser congelada?

Pode, congelada em porções individuais em potes bem fechados por até 60 dias. Descongele na geladeira de um dia para o outro e reaqueça em fogo baixo com um fio de água. O torresmo frito e a couve, esses guarde separados e adicione só na hora de servir.

Canjicada rende quanto?

Esta receita rende 8 porções fartas, suficientes para um almoço de domingo com a família. Para mesa maior, dobre a receita mantendo a mesma proporção de caldo, cozinhando a canjica em duas paneladas para não perder o ponto do cozimento.

Canjicada combina com que bebida?

Cachaça de alambique servida em dose pequena é a combinação clássica do Sertão de Minas. Para quem não bebe, suco de caju gelado ou água com limão e hortelã. Cerveja clara combina, mas ofusca o sabor da paçoca de carne.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 23 de julho de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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