Piau Assado na Brasa com Pirão de Aipim e Farofa de Banana-da-Terra: o Almoço do Semiárido

Piau Assado na Brasa com Pirão de Aipim e Farofa de Banana-da-Terra: o Almoço do Semiárido
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 21/10/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaPiau assado na brasa com pirão de aipim e farofa de banana-da-terra: o almoço de outubro no Semiárido. Aprenda o tempero do piau, o ponto da brasa e o pirão cremoso.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
70 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
16 ingredientes
|
8 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes
  2. Modo de preparo
  3. A diferença entre piau, piavuçu e tilápia
  4. Como servir e variações regionais
  5. Conservação e reaproveitamento
  6. Curiosidades sobre o piau e o Semiárido
  7. Dicas de compra, harmonização e substituições
  8. Tire suas dúvidas

Atualizado em outubro de 2026. O piau assado na brasa com pirão de aipim e farofa de banana-da-terra é o almoço de panela do Semiárido brasileiro, um peixe de água doce, de carne firme e com espinha pequena, que aceita muito bem o calor seco da brasa. O pirão de aipim feito no caldo da própria assadura e a farofa de banana-da-terra frita em óleo de dendê completam o prato no mesmo estilo de mesa de família do interior. Tudo se prepara em cerca de 1 h 10 min e rende de 4 a 6 porções.

Este preparo reúne três técnicas que o público costuma procurar separadamente: brasa alta para peixe de carne firme, pirão cremoso de mandioca e farofa de banana-da-terra crocante. É um almoço de domingo sertanejo, barato porque o piau é um peixe de rio de consumo corrente no Nordeste. A banana-da-terra entra verde, ainda cheia de amido, e é ela que dá o sabor de fundo da farofa.

Ingredientes

A lista abaixo usa piau de porte médio, de 900 g a 1,2 kg, que é o tamanho que cabe na grelha. Se o seu piau for maior, mantenha a mesma proporção de temperos e asse em duas etapas, porque a carne endurece se passar da conta. A banana-da-terra é frita separadamente, nunca junto com o peixe.

Ingrediente Quantidade Observação
Piau limpo e escaldado 1 unidade de 1 kg Escamas retiradas na peixaria
Sal grosso 2 colheres (sopa) Metade para o peixe, resto para a farofa
Limão 1 unidade Suco para o tempero, rodelas para servir
Alho 5 dentes Amassados em pasta
Cebola roxa 2 unidades médias Metade em rodelas, metade picada fina
Cheiro-verde 1 xícara (chá) Picado e dividido em duas partes
Cheiro-doce fresco 1/2 xícara (chá) Folhas rasgadas, comum no sertão
Pimenta-do-reino moída 1 colher (chá) Rasa, para não mascarar o peixe
Cúrcuma 1/2 colher (chá) Cor do tempero e do pirão
Óleo de dendê 3 colheres (sopa) Para a grelha e para fritar a banana
Mandioca (aipim ou macaxeira) 600 g Descascada e em rodelas grossas
Água quente 500 ml Do cozimento do aipim, não precisa ser do peixe
Banana-da-terra verde 2 unidades Descascadas e em gomos finos
Farinha de mandioca 3 colheres (sopa) Para a farofa final
Manteiga de garrafa 1 colher (sopa) Opcional, para finalizar a farofa
Cachaça 2 colheres (sopa) Realça o sabor da farofa de banana

Tempo de preparo: 25 min. Tempo de cozimento: 45 min, sendo 35 min na brasa e 10 min do pirão. Tempo total: 1 h 10 min. Rende 4 a 6 porções.

Modo de preparo

Delicious grilled fish served with fresh vegetables and lemon on a white plate.

O piau não pede marinada longa. A carne já é firme, e o ácido em excesso deixa a superfície borrachuda. Trinta minutos de tempero bastam para a pele firmar, e o resto do sabor vem do sal grosso e do calor da brasa. A ordem abaixo separa o peixe do pirão para que nenhum dos dois perca qualidade.

  1. Escalde e tempere o piau (30 min). Peça ao peixeiro o piau já escaldado. Se não vier assim, escalde em água fervente por 2 minutos e descarte a água. Seque bem com papel toalha, faça três cortes finos na parte mais grossa do lombo e regue com o suco de limão. Espalhe por cima a metade do sal grosso, a pasta de alho, a cebola picada, a cúrcuma, a pimenta-do-reino e um terço do cheiro-verde. Deixe descansar na geladeira por 30 minutos, sem passar disso.
  2. Prepare o aipim do pirão. Enquanto o peixe tempera, descasque a mandioca e corte em rodelas de 2 cm. Ponha numa panela com a água, a cebola que sobrou, um terço do cheiro-doce, o restante do cheiro-verde e a cúrcuma. Cozinhe em fogo médio por 10 minutos, até a mandioca amaciar e a água reducir um pouco. Reserve alguns pedaços inteiros para o prato e bata o restante no liquidificador até virar um creme espesso.
  3. Grelhe o peixe na brasa (35 min). Leve a brasa ao ponto alto, sem chama. Pincele a grelha com óleo de dendê, posicione o piau e não mova por 4 minutos, para criar a casca dourada. Vire com cuidado usando uma espátula larga, regue com o restante do óleo e volte para a brasa por mais 8 minutos. Repita o processo mais 2 a 3 vezes, até totalizar de 30 a 35 minutos de assadura. O ponto certo é quando a carne se separa do osso em lascas, sem ressecar nas bordas.
  4. Finalize com cachaça (2 min). Ainda com o peixe na grelha, regue com as 2 colheres de cachaça e deixe o álcool evaporar por 1 a 2 minutos. A etapa é opcional, mas é ela que dá o cheiro de brasa de lenha que marca o almoço sertanejo. Desligue a brasa e mantenha o peixe coberto por 5 minutos para repousar.
  5. Frite a banana-da-terra (10 min). Em uma frigideira larga, aqueça bem o óleo de dendê. Frite os gomos de banana em leva, sem amontoar, até ficarem dourados, de sete a oito minutos. Retire com escumadeira e reserve.
  6. Monte a farofa (3 min). Na mesma frigideira ainda quente, ponha a farinha de mandioca e o sal grosso restante, trabalhando com as costas de uma colher até formar uma farofa solta. Junte a banana frita e a manteiga de garrafa. Misture rápido, porque a farofa que fica mais de um minuto na frigideira perde a casca.
  7. Ajuste o pirão. Volte o creme de mandioca ao fogo baixo, acerte o sal e ajuste a consistência com um pouco de água quente. Se quiser o pirão mais liso, passe o creme por uma peneira fina. Sirva em pote à parte, para que cada um monte o prato no seu prato.
  8. Monte os pratos. Disponha os pedaços inteiros do aipim no centro, o peixe ao lado com as rodelas de limão, a farofa de banana espalhada por cima e o pirão servido em concha. Finalize com cheiro-verde e cheiro-doce frescos fora do fogo, para manter o aroma.

A diferença entre piau, piavuçu e tilápia

São três peixes de água doce que aparecem com frequência nas feiras do Nordeste, e a diferença está no tamanho, no osso e na carne. O piau é o Leporinus macrocephalus, da família Anostomidae e da ordem Characiformes, com corpo alongado, escamas grandes e espinha reduzida. O piavuçu é do mesmo gênero e da mesma família, mas cresce muito mais e tem carne mais escura, o que o indica para cozimento longo em caldeirada. A tilápia, que pertence a outra família, tem menos espinha, porém carne mais mole e sem gordura de pele. Se a receita é assada na brasa, escolha piau; se for ensopado, o piavuçu compensa.

Como servir e variações regionais

O prato completo é almoço de domingo, e o serviço é simples: o peixe entra na mesa já assado, enquanto o pirão, a farofa e o arroz ficam em travessas para servir à vontade. Três ajustes combinam com a proposta. Na versão potiguar, troque o dendê por manteiga de garrafa e o limão por sororoca, que é mais ácida e muda o perfil da farofa. Na versão sertaneja clássica, substitua a banana-da-terra por maxixe refogado com alho, o que deixa a farofa mais leve. Na versão do Cariri, sirva o piau com coentro em vez de cheiro-doce. Em qualquer versão, o pirão acompanha separado, no mesmo pote, porque engrossa ao esfriar.

Conservação e reaproveitamento

O piau assado se conserva bem: descase em lascas grandes, guarde com um fio de azeite na superfície e leve à geladeira em recipiente fechado. Ele dura até 3 dias nessa condição e serve gelado em salada ou em refogado rápido com cebola e coentro. O pirão de aipão é diferente, porque o amido endurece: se sobrar, guarde na geladeira e amoleça com um pouco de água antes de aquecer, mexendo sempre. A farofa de banana-da-terra perde a casca em poucas horas: se precisar guardar, refaça a parte seca no mesmo óleo e junte a banana frita na hora de servir, porque é ela que dá o contraste de textura.

Curiosidades sobre o piau e o Semiárido

O piau é um dos peixes de água doce mais distribuídos do Semiárido, onde vive em açudes e barragens que enchem na cheia e baixam muito no fim do verão. Por isso ele fica barato justamente na estação de baixa dos reservatórios, quando aparece com mais frequência nas feiras. A espécie é registrada oficialmente como Leporinus macrocephalus, com a descrição taxonômica de Garavello e Britski, de 1988. Como a pesca continental brasileira tem períodos de defeso definidos por lei federal, compre apenas de fontes com origem declarada e confira as regras vigentes antes de pescar. Para o consumidor, a origem do pescado vendido no comércio é assunto do serviço federal de inspeção, tema do portal do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Dicas de compra, harmonização e substituições

Escolha o piau com escamas firmes, olho vivo e brânquias vermelhas, e peça ao peixeiro para escamar e escaldar, trabalho que exige lâmina afiada. Evite o peixe que já passou muito tempo na caixa de gelo, porque a carne perde brilho e desmancha na chapa. Se não achar piau, o mesmo método funciona para tilápia grande, pacu ou carpa, com 5 minutos a menos na brasa. Para harmonizar, sirva uma caipira de limão com coentro gelada, ou, se quiser algo mais doce, um suco de caju. E lembre que a farofa perde o crocante rápido: montada por último, na hora de levar à mesa.

Tire suas dúvidas

O que é o piau e onde ele é mais encontrado?

O piau é um peixe de água doce da família Anostomidae, identificado cientificamente como Leporinus macrocephalus. Ele é típico de rios e açudes do Semiárido nordestino e aparece bastante nas feiras durante a baixa dos reservatórios, quando fica mais acessível e mais barato.

O piau assado leva muito tempo na brasa?

Conta cerca de 30 a 35 minutos para um peixe de 1 kg em brasa alta, virando a peça de tempos em tempos. Peixes maiores podem pedir 45 minutos, e tilápias ou pacus de porte menor saem em 25. O sinal de que está no ponto é a carne soltando em lascas ao ser pressionada na lateral.

Posso substituir o piau por outro peixe na mesma receita?

Sim. Tilápia grande, pacu e carpa respondem bem ao mesmo tempero, com tempo de brasa reduzido. Para manter o sabor de brasa sertaneja, prefira peixes de carne firme e pele firme, porque os de carne mole tendem a perder a casca dourada.

Como faço o pirão de aipim ficar cremoso?

Bata metade da mandioca já cozida no liquidificador com um pouco da água do cozimento e devolva à panela em fogo baixo, mexendo sempre para não agarrar. Se quiser um pirão mais liso, passe o creme por peneira fina. O ponto final é um creme que escorre devagar da colher, sem ficar sólido quando esfria.

A banana-da-terra precisa ficar verde?

Prefira a banana-da-terra ainda verde, porque é ela que tem mais amido e firma ao fritar. A banana madura demais desmancha no óleo e vira uma pasta salgada. Se usar a banana madura, sirva como compota depois do almoço, nunca dentro da farofa.

O que é o cheiro-doce e posso trocar por outra erva?

O cheiro-doce é uma erva de folha miúda e aroma adocicado, muito usada no sertão para acompanhar carnes de brasa. Quem não encontra a erva fresca pode usar cheiro-verde em dobro. A substituição é aceitável e muda apenas o perfume, não o tempero da receita.

Posso preparar o piau na assadeira em vez da brasa?

Dá para fazer no forno em temperatura alta, mas a textura muda: no forno a carne fica mais úmida e a casca menos crocante. Se for usar assadeira, aqueça bem a forma, seque bem a pele do peixe antes de entrar e evite o excesso de óleo, que impede a casca de formar.

Compre em fontes que emitam nota fiscal e informem a origem do pescado, e evite o peixe de procedência duvidosa. A inspeção de produtos de origem animal é atribuição do serviço federal de inspeção, e as regras de compra e de pesca em curso devem ser conferidas nos canais oficiais antes da ida ao açude.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 21 de outubro de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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