Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Como escolher o namorado fresco
- Modo de preparo
- Como servir e variações regionais
- Conservação e reaproveitamento
- Curiosidades sobre o peixe namorado
- Dicas de compra, substituições e harmonização
- Tire suas dúvidas
- O que é o peixe namorado e onde ele é mais encontrado?
- Como saber se o namorado está fresco na hora da compra?
- Pode usar filé congelado no lugar do fresco?
- O pirão pode ser substituído por polenta ou farofa?
- Quanto tempo o peixe namorado pode ficar na geladeira?
- Posso fazer essa receita com outro peixe de carne branca?
- Qual a origem do nome namorado?
- O caldo de peixe pode ser substituído por caldo industrializado?
- O cuscuz catarinense é diferente do cuscuz nordestino?
- Esse prato é considerado típico das festas catarinenses?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. O peixe namorado (Pseudopercis númida) é um clássico do Litoral Catarinense, especialmente nas comunidades pesqueiras de Penha, Bombinhas e Garopaba. Neste preparo, ele vai em postas com molho aromático de tomate, cebola e cheiro-verde, acompanhado de pirão de aipim cozido no próprio caldo e cuscuz catarinense de milho. O resultado é o almoço de domingo à beira-mar que sustenta a faina dos pescadores da Região da Grande Florianópolis.
A receita rende 6 porções, leva cerca de 1h30 (40 min de preparo + 50 min de cozimento) e usa postas frescas de namorado de 1,2 a 1,5 kg inteiros, que rendem em média 3 filés grandes. Para o pirão ficar cremoso de verdade, o segredo é cozinhar o aipim no caldo em que o peixe foi refogado, batendo uma parte no liquidificador para encorpar; o cuscuz entra como segundo acompanhamento, buscando o perfil caiçara da mesa catarinense.
Ingredientes
Os ingredientes foram pensados para 6 porções, com base na média de oferta do peixe fresco encontrada nas peixarias da Grande Florianópolis, Itajaí e Balneário Camboriú em outubro, pico de safra do namorado. Use postas de filé com pele, preferencialmente do peixe inteiro limpo no momento da compra.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Postas de peixe namorado (com pele) | 1,2 kg | Equivalente a 1 peixe de 2-2,5 kg limpo |
| Cebola | 240 g | Picada em cubos médios |
| Tomate maduro | 360 g | Sem sementes, picado (cerca de 4 unidades) |
| Pimentão vermelho | 140 g | Sem sementes, em tiras |
| Alho | 24 g | Fatiado fino (cerca de 6 dentes) |
| Azeite de oliva | 60 ml | Para refogar a base aromática |
| Coentro fresco | 20 g | Folhas e talos picados |
| Cebolinha verde | 20 g | Folhas frescas picadas |
| Salsinha | 10 g | Folhas frescas picadas |
| Limão da Bahia | 40 ml | Suco fresco, para perfumar o peixe |
| Sal grosso | 18 g | + ajuste a gosto |
| Pimenta-do-reino preta | 3 g | Moída na hora |
| Aipim (mandioca) descascado | 700 g | Para o pirão, em pedaços de 4 cm |
| Flocos de fubá pré-cozido | 90 g | Para engrossar o pirão |
| Cuscuz paulista de milho pré-cozido | 450 g | Ou cuscuz nordestino pré-cozido |
| Caldo de peixe caseiro | 1,5 litro | Feito com espinhas e cabeça do namorado |
Tempo de preparo: 40 min. Tempo de cozimento: 50 min. Tempo total: 1h30. Rende: 6 porções. Dificuldade: média (a etapa do pirão pede atenção para não empelotar).
Como escolher o namorado fresco

O peixe namorado (Pseudopercis númida) é um peixe de fundo do Atlântico Sul, capturado com maior frequência entre o Cabo de Santa Marta (SC) e o Chuí (RS), segundo o Boletim da Frota Pesqueira do MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura). No mercado, escolha postas com pele brilhante e olhos salientes, guelras vermelhas e carne firme que não afunda sob a pressão do dedo. O cheiro deve lembrar maresia, nunca amoníaco. Peixes inteiros são vendidos com 1,5 a 2,5 kg nas peixarias da região, dando em média 1 kg de filé limpo.
Modo de preparo
- Prepare o caldo de peixe caseiro. Lave 500 g de espinhas e cabeça do namorado em água corrente. Leve ao fogo em 1,8 litro de água fria com 30 g de cebola, 5 g de salsinha e 8 g de sal até ferver. Reduza o fogo e cozinhe por 30 minutos. Coe e reserve 1,5 litro de caldo.
- Tempere as postas. Tempere as postas de namorado com sal grosso, pimenta-do-reino, suco de limão e metade do alho fatiado. Reserve na geladeira enquanto prepara o pirão.
- Cozinhe o aipim para o pirão. Em uma panela grande, coloque 700 g de aipim descascado em pedaços com 1,2 litro do caldo de peixe reservado. Cozinhe em fogo médio por 20 minutos, até o aipim ficar bem macio. Reserve 200 g de aipim cozido com 250 ml do caldo; com o restante do aipim e caldo, bata no liquidificador até obter um creme liso e reserve.
- Monte o refogado aromático. Em panela larga, aqueça 60 ml de azeite em fogo médio e refogue a cebola restante e o pimentão por 6 minutos até ficarem translúcidos. Adicione o alho restante e refogue por mais 1 minuto. Acrescente o tomate picado e cozinhe por 8 minutos até formar uma base encorpada.
- Cozinhe as postas. Disponha as postas de namorado sobre o refogado, adicione o creme de aipim reservado, complete com o caldo de peixe restante até cobrir as postas e deixe cozinhar em fogo baixo por 12 minutos com a tampa entreaberta, virando as postas na metade do tempo.
- Engrosse o pirão. Bata metade das postas cozidas junto com 200 ml do caldo da panela para soltar colágeno e sabor. Coe o creme no liquidificador com a metade reservada de aipim cozido, volte à panela e adicione os 90 g de fubá pré-cozido aos poucos, mexendo sempre para não empelotar, até formar um pirão cremoso.
- Finalize o peixe. Volte as postas para a panela, junte coentro, cebolinha, salsinha e ajuste o sal. Cozinhe por mais 3 minutos em fogo baixo para incorporar o cheiro-verde.
- Hidrate o cuscuz. Enquanto o peixe descansa, hidrate 450 g de cuscuz em água fervente com 5 g de sal por 8 minutos em cuscuzeira ou pano, soltando os flocos com um garfo.
Como servir e variações regionais
Sirva o peixe namorado com o pirão de aipim na lateral, o cuscuz catarinense à parte e uma travessa de salada de tomate com cebola roxa e azeite. No Litoral Norte de Santa Catarina, comunidades de Penha e Barra Velha costumam acompanha com batata sauté e arroz de feijão. Já em comunidades açorianas de Florianópolis, o namorado entra em caldeirada com lula, polvo e mexilhão. Versão mais simples para o dia a dia: substituir o cuscuz por pirão de aipim e dispensar o creme batido.
Conservação e reaproveitamento
As sobras de peixe namorado com pirão e molho aromático duram até 2 dias na geladeira, em pote hermético. Para reaproveitar, desfie as postas e misture com o pirão restante, refogando com cebola e pimentão até formar um ensopado cremoso, servido com arroz branco. Outra opção é empadinha de namorado: misture as postas desfiadas com o molho reduzido, recheie massas podres pré-assadas e leve ao forno por 20 minutos a 200 °C.
Curiosidades sobre o peixe namorado
O nome namorado é usado no Brasil desde pelo menos o século XIX para designar peixes da família Pinguipedídeos, segundo o Dicionário de Pesca do Instituto de Pesca de São Paulo. No Litoral Catarinense, a pesca artesanal do namorado é feita com linha e anzol em fundos rochosos entre 20 e 80 metros de profundidade, conforme mapeamento do Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira do MPA. A espécie também aparece na costa uruguaia e argentina, sendo conhecida como nome vulgar “namorado” em Rio Grande do Sul, “papa-terra” em parte do Sudeste e “mira” em Cabo Frio (RJ), de acordo com o Catálogo de Peixes Marinhos da FAO.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Comprando em mercado de beira de praia, prefira sempre o peixe inteiro e peça para filetar no local, evitando assim postas com excesso de gelo. Se o namorado não estiver disponível, substitua por pescada amarela ou robalo em postas, ajustando o tempo de cozimento em 5 minutos para menos, já que ambas têm fibras mais delicadas. A harmonização clássica é com vinho branco seco e fresco como um Chardonnay sem passagem por madeira de Santa Catarina (Vale do Contestado) ou do Rio Grande do Sul (Vale dos Vinhedos), cuja acidez alta segura o molho aromático.
Tire suas dúvidas
O que é o peixe namorado e onde ele é mais encontrado?
O peixe namorado (Pseudopercis númida) é uma espécie de fundo do Atlântico Sul, capturado artesanalmente do Cabo de Santa Marta (SC) até o Chuí (RS), segundo a FAO. Em outubro, é justamente o pico de safra no Litoral Catarinense, quando aparece com fartura nas peixarias de Florianópolis, Itajaí e Balneário Camboriú.
Como saber se o namorado está fresco na hora da compra?
Observe pele brilhante, guelras vermelho-vivo e olhos salientes e transparentes. Pressione o filé com o dedo: a carne firme volta rápido. Evite peixes com cheiro forte de amoníaco ou olhos opacos, sinais clássicos de decomposição.
Pode usar filé congelado no lugar do fresco?
Sim, desde que o filé tenha sido congelado no barco e mantido a -18 °C. Descongele em geladeira por 12 horas dentro de um prato com escorredor, longe de outros alimentos. O tempo de cozimento pode cair 4 minutos porque o filé congelado solta um pouco mais de água.
O pirão pode ser substituído por polenta ou farofa?
Sim. Para uma versão com polenta, cozinhe 200 g de fubá cremoso em 700 ml do caldo de peixe e sirva em lateral. Para farofa, refogue 100 g de farinha de mandioca com 30 g de manteiga e cebola caramelizada no caldo reduzido.
Quanto tempo o peixe namorado pode ficar na geladeira?
Postas cruas duram 2 dias na geladeira em temperatura de 4 °C, embaladas em filme. Depois de cozidas, as postas com molho e pirão mantêm a qualidade por até 2 dias em pote hermético. Congeladas, as porções prontas duram até 3 meses.
Posso fazer essa receita com outro peixe de carne branca?
Sim, mas ajuste o tempo. Pescada amarela e robalo cozinham em 8-10 minutos, enquanto namorado e badejo aguentam 12-15 minutos por causa das fibras mais firmes. Para linguado e garoupa, reduza para 7 minutos e mantenha a tampa fechada.
Qual a origem do nome namorado?
Segundo o Dicionário de Pesca do Instituto de Pesca de São Paulo, o nome popular vem do aspecto alongado e elegante do corpo, que teria chamado a atenção dos primeiros pescadores lusitanos. Não há relação com a data do Dia dos Namorados; é denominação regional antiga do período colonial.
O caldo de peixe pode ser substituído por caldo industrializado?
Sim, use caldo de legumes ou peixe industrializado em tabletes dissolvido em 1,5 litro de água, mas lembre que o sabor será menos complexo. Para manter o perfil litorâneo, acrescente 1 folha de louro e 4 grãos de pimenta-branca na fervura.
O cuscuz catarinense é diferente do cuscuz nordestino?
Sim. O cuscuz catarinense usa fubá de milho hidratado em cozimento a vapor, igual ao nordestino, mas costuma ser servido sem leite e sem açúcar, como acompanhamento salgado de peixes. Nas confeitarias da Grande Florianópolis ainda existe a versão doce de cuscuz com leite condensado, típica do centro-sul do estado.
Esse prato é considerado típico das festas catarinenses?
Sim, é presença fixa nas mesas de Páscoa e nos almoços de Dia da Padroeira nas comunidades pesqueiras do Litoral Catarinense, junto com a caldeirada e o tainhado. Em Penha e Barra Velha, costuma ser servido em panelões grandes para até 20 pessoas, em mutirão familiar chamado “pesca de domingo”.
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