Caldo de Guandu Nordestino com Carne Seca e Cebolinha: o Jantar de Agosto no Agreste

Caldo de Guandu Nordestino com Carne Seca e Cebolinha: o Jantar de Agosto no Agreste
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 12/08/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaReceita nordestina do caldo cremoso de guandu com carne seca, cebolinha e couve para o jantar de panela no Agreste pernambucano nas noites frias de agosto.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
100 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Sopa

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
16 ingredientes
|
14 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Por que o guandu vira o caldo perfeito para o agosto frio
  2. Ingredientes do caldo de guandu
  3. Tempo de preparo e rendimento do caldo de guandu
  4. Modo de preparo do caldo e do cuscuz
  5. Como servir e variações regionais do caldo de guandu
  6. Conservação, reaproveitamento e dicas de congelamento
  7. Tire suas dúvidas

Atualizado em agosto de 2026. O caldo de guandu nordestino com carne seca, cebolinha e couve é a sopa cremosa que sustenta o jantar de panela no Agreste pernambucano durante as noites frias de agosto, feito com o grão de andú cozido e batido até virar um creme grosso, perfumado com alho, cebola e louro, e servido com a carne seca desfiada por cima, rodelas de cebolinha verde e folhas de couve manteiga refogadas.

Por que o guandu vira o caldo perfeito para o agosto frio

O guandu, conhecido no Nordeste também como andú, é uma leguminosa resistente à seca, com casca cor de areia e grão amarelo-mostarda rico em proteína vegetal e ferro. No Agreste pernambucano, região que mistura caatinga e brejo, a safra do grão seco acontece entre julho e setembro, então agosto é a janela em que o andú está disponível nas feiras livres com mais fartura e sabor. O caldo engrossa sozinho: parte dos grãos vai para o liquidificador com o próprio caldo de cozimento e volta para a panela, gerando um creme rústico que segura a carne seca sem precisar de amaciante industrial.

Antes de começar, vale separar os ingredientes da sopa e os ingredientes do acompanhamento (cuscuz ou pirão). Eles cozinham em paralelo e se juntam só na hora de servir. A lista abaixo rende seis porções generosas, suficientes para um jantar em família com sobras para o almoço seguinte.

Ingredientes do caldo de guandu

Warm vegetable soup and bread served on rustic surface, perfect for cozy meals.
Ingrediente Quantidade Observação
Grão de andú (guandu) seco 500 g Deixado de molho em água por 12 horas antes do cozimento
Carne seca magra 400 g Dessalgada em água gelada por 24 horas e desfiada em lascas grossas
Cebola média 200 g Equivalente a duas cebolas médias, picada em cubos pequenos
Alho 20 g Equivalente a quatro dentes médios, picado fino
Tomate maduro 180 g Equivalente a dois tomates médios, picado em cubos sem sementes
Couve manteiga 150 g Equivalente a um maço médio, folhas cortadas em tiras finas
Cebolinha verde 30 g Equivalente a um maço pequeno, talos e folhas picados separados
Folha de louro 2 g Equivalente a duas folhas, usadas no cozimento do grão
Cominho em pó 3 g Equivalente a uma colher de chá rasa
Pimenta-do-reino preta 2 g Equivalente a meia colher de chá, moída na hora
Sal grosso 12 g Equivalente a uma colher de sopa rasa, ajustado a gosto no final
Azeite de oliva 60 ml Para o refogado inicial da carne seca e dos vegetais
Água filtrada 2,5 litros Para o cozimento do grão, ajustada conforme a cremosidade desejada

Para o cuscuz de milho que acompanha:

Ingrediente Quantidade Observação
Flocão de milho 300 g Flocão fino amarelo, tradicional do Nordeste
Água filtrada 250 ml Morna, com meia colher de sopa de sal dissolvido
Óleo ou azeite 15 ml Para untar o cuscuzeiro antes da cocção a vapor

Tempo de preparo e rendimento do caldo de guandu

Tempo de preparo: 30 minutos, contando o remolho ja feito do andu e a dessalga concluida da carne seca.

Tempo de cozimento: 70 minutos, sendo 35 minutos na pressao para o grao e 35 minutos para o refogado e a finalizacao do creme.

tempo total: 100 minutos.

Rende 6 porções (cada uma com cerca de 350 ml de caldo, carne seca desfiada e porção de cuscuz).

Modo de preparo do caldo e do cuscuz

O preparo começa na véspera, com o remolho do andú e a dessalga da carne seca. No dia do jantar, o grão cozinha na panela de pressão até ficar bem macio, enquanto a carne seca é refogada com os vegetais para ganhar cor e sabor. O cuscuz vai a vapor enquanto o caldo termina de apurar.

Como cozinhar o guandu e montar a base do caldo

  1. Escorra a água do remolho do andú, transfira o grão para a panela de pressão e cubra com dois litros de água filtrada.
  2. Acrescente as duas folhas de louro, leve ao fogo alto e, depois da pressão, abaixe para fogo médio e cozinhe por 35 minutos até o grão ficar bem macio, desmanchando sob a colher.
  3. Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente e reserve a panela tampada por 10 minutos para estabilizar a textura.
  4. Separe duas conchas do grão cozido com caldo e bata no liquidificador até obter um creme liso e grosso, retornando em seguida para a panela com o restante do cozimento.
  5. Acerte o sal grosso aos poucos, lembrando que a carne seca dessalgada ainda vai entrar no caldo e pode adicionar sódio.

Como refogar a carne seca e finalizar o caldo

  1. Aqueça metade do azeite em uma frigideira larga em fogo médio e refogue a carne seca desfiada até dourar levemente nas pontas, soltando aroma.
  2. Acrescente a cebola picada, o alho, o tomate e os talos da cebolinha, mexendo por 5 minutos até os vegetais ficarem macios.
  3. Tempere com cominho e pimenta-do-reino, transfira o refogado para a panela com o creme de guandu e cozinhe em fogo baixo por 15 minutos para os sabores se integrarem.
  4. Em outra frigideira, aqueça o azeite restante, refogue rapidamente as tiras de couve manteiga com uma pitada de sal até murcharem e mantenha reservadas.
  5. Sirva o caldo em tigelas de barro com a couve refogada por cima, a carne seca dourada e as folhas de cebolinha verde picadas, finalizando com um fio de azeite cru.

Como preparar o cuscuz de milho a vapor

  1. Misture o flocão de milho com a água morna e sal em uma tigela grande, mexendo com as mãos até a massa ficar úmida e soltinha.
  2. Deixe descansar por 10 minutos para o flocão absorver a umidade e hidrate de forma homogênea.
  3. Unte o cuscuzeiro com o óleo, distribua a massa sem apertar e leve ao fogo baixo em panela com água fervente por 20 minutos a vapor.
  4. Desenforme ainda morno e sirva ao lado do caldo, em pedaços que se misturam na colherada ou ficam firmes do lado.

Como servir e variações regionais do caldo de guandu

A apresentação clássica do Agreste pernambucano usa tigela de barro, cuscuz de milho do lado e farofa de cebola como complemento crocante. Em algumas casas do Cariri paraibano e de Garanhuns, o caldo vem com uma pitada de manteiga da terra batida na hora, que dá uma camada extra de sabor e brilho. Na Paraíba, a versão do Brejo inclui jerimum cozido e batido junto com o grão, deixando o caldo mais adocicado e mais amarelo.

Em outras regiões do Nordeste, o guandu entra em preparações diferentes mas igualmente tradicionais. No interior de Sergipe e de Alagoas, o andú cozido e refogado vira recheio de empadão e de tortas salgadas. No Ceará, aparece como acompanhamento do baião de dois, misturado ao arroz na mesma panela. Em Petrolina, no sertão pernambucano, o caldo engrossa com leite de coco fresco, virando uma sopa cremosa que lembra o bobó baiano em textura mas mantém a rusticidade do grão.

Conservação, reaproveitamento e dicas de congelamento

O caldo de guandu dura até três dias na geladeira em pote fechado, e pode ser congelado por até 90 dias em porções de 400 ml, prática para o mês de agosto em que o calor do dia pede preparo antecipado. O ideal é congelar o caldo antes de adicionar a couve refogada e a cebolinha fresca, que devem entrar só na hora de servir, garantindo textura e cor vivas. O cuscuz endurece quando gelado, então vale preparar uma fornada nova na hora de reaquecer.

Para reaproveitar sobras, transforme o caldo engrossado em base para um arroz de forno cremoso: cozinhe o arroz branco com o caldo no lugar da água, adicione a carne seca desfiada, cubra com queijo coalho ralado e leve ao forno alto por 20 minutos até gratinar. Outra saída é usar o creme de guandu como sopa de entrada de uma feijoada nordestina, substituindo o caldo de feijão tradicional em um jantar que mistura vários caldos em sequência.

Se voce gosta de caldo cremoso para a reta final do inverno, vale conhecer outras receitas regionais que usam o mesmo principio de panela unica com grao e carne: o caldo de galinha caipira com mandioca, o caldo de jurubeba mineiro com carne seca, o caldo de camarao baiano, a rabada com agriao do Reconcavo Baiano e o caldo de mocoto mineiro com mandioca. Cada um usa um grao e uma proteina diferente para o mesmo objetivo de janeiro a agosto: esquentar a noite fria sem complicar o preparo.

Tire suas dúvidas

Onde comprar grão de guandu seco no Sudeste?

O andú é vendido em feiras livres nordestinas e em casas de produtos regionais, especialmente nos bairros com forte comunidade nordestina em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mercados com banca de produtos a granel do Centro-Oeste também costumam oferecer o grão em pacotes de 500 g. Na dúvida, procure como andú, guandu ou pigeon pea em sites de venda de sementes para plantio, já que o mesmo grão é usado para cozinha e para adubação verde.

Posso usar grão de bico no lugar do guandu?

O resultado não é o mesmo, porque o grão de bico cozinha mais rápido e tem sabor mais neutro, sem o adocicado terroso do guandu. Em situação de emergência, dá para substituir, mas o cozimento cai para 20 minutos na pressão e a textura final fica mais leve e menos encorpada. Para manter o sabor original do caldo nordestino, procure o andú em vez de improvisar com outra leguminosa.

Como dessalgar a carne seca do jeito certo?

Corte a carne em pedaços médios, coloque em tigela funda e cubra com água gelada. Troque a água a cada 4 horas durante 24 horas, mantendo a carne na geladeira para evitar cheiro azedo. No final, aperte um pedaço entre os dedos: se a carne ainda estiver firme e salgada, continue a dessalga por mais 4 horas. Esse método lento preserva a fibra da carne e evita o sabor adocicado de quando se usa água morna demais.

Posso cozinhar o guandu sem panela de pressão?

Sim, em panela comum com bastante água o grão cozinha entre 90 e 120 minutos em fogo baixo, com tampa. O tempo maior permite que os aromas se concentrem, mas gasta mais gás. Para acelerar, cozinhe o grão pré-remolhado por 1 hora na pressão antes de abrir a panela e terminar o cozimento na frigideira com a carne seca refogada.

O caldo de guandu aceita congelamento?

Aceita bem, melhor que a maioria dos caldos com carne seca porque a proteína do grão ajuda a manter a textura cremosa mesmo depois de descongelado. Divida o caldo em porções de 400 ml, espere esfriar completamente antes de levar ao freezer e descongele em fogo baixo direto na panela, mexendo para retomar a cremosidade. Evite congelar com a couve refogada já misturada, porque ela perde a cor verde vibrante após o descongelamento.

Qual a diferença entre guandu verde e seco para o caldo?

O grão verde é usado em pratos frescos, refogado com queijo coalho e manteiga da terra em entradas nordestinas, e não substitui o grão seco em caldo. O seco é o que cozinha bem, libera amido suficiente para engrossar o caldo e tem a casca que ajuda na rusticidade do prato. Se usar grão verde, o caldo vira mais um ensopado leve, sem a cremosidade característica da versão de inverno.

Posso fazer o caldo só com legumes, sem carne?

Sim, a versão vegetariana funciona bem e mantém o perfil nordestino do prato. Basta dobrar a quantidade de cebola, adicionar 200 g de abóbora cabotiá cozida junto com o grão, e finalizar com uma colher de sopa de manteiga ghee ou azeite de dendê no lugar da carne seca. O resultado é um caldo mais leve em proteína animal, mas igualmente cremoso e saboroso para um jantar de quarta-feira no fim do inverno.

O cuscuz de milho pode ser substituído por outro acompanhamento?

Sim, o cuscuz é o acompanhamento mais tradicional, mas o pirão de guandu é uma alternativa muito comum: reserve meia xícara do creme do caldo, misture com farinha de mandioca crua até dar ponto de pirão grosso e sirva junto. Outra opção é o arroz branco solto, típico nas versões do interior cearense. Para uma refeição mais leve, o caldo pode ser servido sozinho, com torradas de pão francês amanhecido e manteiga no lugar do cuscuz.

Quanto tempo o andú pode ficar de molho antes do cozimento?

O remolho ideal dura entre 8 e 12 horas, mantendo o grão na geladeira para evitar fermentação. Mais que isso, o grão começa a fermentar e o caldo ganha um cheiro azedo. Se esquecer de deixar de molho, dá para acelerar o processo com uma fervura rápida de 5 minutos na pressão, escorrendo a água e cozinhando em seguida, mas o resultado fica um pouco menos cremoso.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 12 de agosto de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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