Joelho de Porco Assado à Cerveja Preta: o Eisbein de Blumenau para o Inverno Catarinense

Joelho de Porco Assado à Cerveja Preta: o Eisbein de Blumenau para o Inverno Catarinense
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 17/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaAprenda o joelho de porco à moda da colônia alemã de Blumenau: cozido em cerveja preta, finalizado no forno com crosta de sal grosso e mostarda. Serve 6 pessoas.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
210 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

🔥 Calorias
580 kcal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
14 ingredientes
|
12 passos

📌 Salvar
📱 WhatsApp

📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes do joelho de porco à moda de Blumenau
  2. Modo de preparo do Eisbein catarinense
  3. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  4. Origem do joelho de porco à moda de Blumenau
  5. Como escolher o joelho de porco ideal
  6. Chucrute caseiro que acompanha o Eisbein
  7. Como servir e harmonizar o joelho de porco catarinense
  8. Tire suas dúvidas

Atualizado em julho de 2026. Joelho de porco assado à moda alemã, cozido em cerveja preta e finalizado no forno com crosta de sal grosso e mostarda, é o prato de raiz da colonização germânica do Vale do Itajaí. Blumenau, Pomerode e Timbó mantêm a receita viva nas mesas de julho, quando a neblina do Itajaí-Açú deixa a noite ainda mais fria, e é também o cartão de visitas das cercas de outubro, na Oktoberfest mais famosa das Américas.

A peça pede um preparo em duas etapas: primeiro, cozimento longo em caldo aromático com cebola, louro e cerveja preta para que a carne fique macia até começar a soltar do osso; depois, forno bem quente com mostarda e sal grosso, para dar a casquinha quebradiça que a gente espera em qualquer joelho de porco à moda germânica. Sirva com chucrute caseiro, batata assada e mostarda em grão para a refeição que aquece o fim de semana em Santa Catarina.

Ingredientes do joelho de porco à moda de Blumenau

Ingrediente Quantidade Observação
Joelho de porco (carne curada ou fresca, com osso) 1,6 kg 1 peça inteira, cerca de 1,4 a 1,8 kg
Cerveja preta (Stout ou Dunkel) 700 ml use a mesma cerveja para servir
Água filtrada 500 ml para completar o cozimento
Cebola inteira 1 unidade media descascada e cortada ao meio
Cenoura em pedaços 2 unidades medias descascada
Talos de salsão (aipo) 3 unidades apenas os talos, com folha
Folhas de louro 3 folhas frescas ou secas
Pimenta-do-reino em grão 10 unidades amassada na hora
Salsinha com talo 4 ramos amarrados com barbante
Dentes de alho 6 dentes amassados com casca
Mostarda Dijon 3 colheres (sopa) para a crosta do forno
Mel de melato ou mel silvestre 2 colheres (sopa) para o glaceado
Sal grosso para a crosta 3 colheres (sopa) preferência por sal de parrilha
Azeite de oliva 2 colheres (sopa) para untar a assadeira

A cerveja preta é a alma do cozimento; Stout encorpada (como a padrão do Vale) cede amargor e notas torradas que combinam com a gordura do joelho. Se quiser reduzir o amargor, troque metade do volume por cerveja tipo Pilsen. Pedaços de maçã verde ácida no caldo também funcionam: ela quebra a gordura e deixa o caldo mais redondo.

Modo de preparo do Eisbein catarinense

From above of tasty grilled pork steak with barbecue sauce served with salad and fried potato on table near mug of beer
  1. Preaqueça o forno a 200 °C.
  2. Coloque o joelho de porco em panela grande, cubra com água fria e leve ao fogo alto.
  3. Quando começar a ferver, escorra toda a água e descarte: esta etapa elimina o excesso de gordura e impurezas.
  4. Devolva a peça à panela, junte a cebola, a cenoura, o salsão, o alho, o louro, a pimenta, a salsinha, a cerveja preta e a água.
  5. Leve ao fogo alto até ferver, então baixe para fogo baixo, tampe a panela e cozinhe por 2 horas e 30 minutos.
  6. Teste o cozimento com garfo: a carne deve estar muito macia e quase soltando do osso.
  7. Retire a peça com cuidado e reserve em uma assadeira, mantendo o caldo do cozimento coado e aquecido.
  8. Misture em uma tigela pequena a mostarda Dijon com o mel até virar um creme liso.
  9. Seque bem a superfície do joelho com papel toalha, espalhe o creme de mostarda e mel por toda a peça e finalize polvilhando o sal grosso, que vai formar a crosta.
  10. Regue com o azeite e leve ao forno a 200 °C por 25 minutos, regando a cada 8 minutos com um pouco do caldo coado.
  11. Aumente a temperatura para 230 °C nos últimos 5 minutos para dourar a casca.
  12. Retire, deixe descansar 10 minutos, repose em uma travessa com chucrute ao lado e sirva.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 150 minutos.

Tempo de forno: 30 minutos.

tempo total: 210 minutos.

Rende 6 porcoes generosas.

Calorias aproximadas: 580 kcal por porção, considerando carne, casca de mostarda e chucrute de acompanhamento. Pode variar conforme a gordura da peça e o volume de caldo que ficar grudado na crosta.

Origem do joelho de porco à moda de Blumenau

O joelho de porco cozido é um dos pratos fundadores da mesa dos imigrantes alemães que chegaram ao Vale do Itajaí entre 1850 e 1880. A peça levava salga de cura na bagagem dos colonos, e era cozida por horas no caldo de legumes para render refeição para a família inteira nos meses frios do inverno catarinense, quando a batata-planta não acompanhava o ritmo do consumo.

A versão com cerveja que conhecemos hoje vem da Bavária e ganhou identidade própria em Pomerode, cidade onde 90% da população ainda fala o dialeto Hunsrücker e que mantém as receitas traduzidas em português com o sotaque original. Blumenau, vizinha e sede da Oktoberfest, popularizou o prato em 1984, quando os primeiros restaurantes germânicos passaram a servi-lo em porções fartas acompanhadas de chucrute e batata sauté.

Hoje, em qualquer almoço de domingo de julho em Blumenau, Joinville, Indaial ou Timbó, é provável que o joelho esteja na mesa ao lado do marreco com repolho (eisbein) ou do bolinho de arroz caipira que abre o almoço das festas. A Oktoberfest, que acontece entre os meses de outubro e novembro, prepara a mesma peça em quantidade industrial nas barracas do Vila Germânica; ter a receita em casa, no frio de julho, é como antecipar a festa em miniatura.

Como escolher o joelho de porco ideal

A peça comercializada nos açougues do Sul sai em duas versões principais: curada (rosa-escura, com salga pronunciada, mais concentrada em sabor, herança direta da mala dos colonos) e fresca (rosa-clara, com pouca salga, depende mais do cozimento e da cerveja). Para julho, prefiro a fresca: ela cozinha de forma mais uniforme e aceita o glaceado de mostarda com mel sem ficar salgada demais.

Observe a casca: ela precisa estar íntegra, sem cortes fundos e sem cheiro de ranço. A camada de gordura subcutânea deve ter pelo menos 1 cm: depois do cozimento e do forno, essa gordura vira a casquinha que dá textura ao prato. Peças pequenas demais secam durante o forno final; peça sempre entre 1,4 e 1,8 kg, suficiente para 6 pessoas com sobra.

Se comprar congelada, descongele na geladeira por 24 a 36 horas dentro de uma tigela coberta; só retire da geladeira 30 minutos antes de cozinhar para que toda a carne fique em temperatura uniforme, sem choques térmicos durante a fervura inicial.

Chucrute caseiro que acompanha o Eisbein

O chucrute é o parceiro histórico do joelho de porco na mesa germânica, e vale a pena fazer em casa: leva apenas repolho verde, sal e paciência. Use 1 repolho verde médio em fatias finas (cerca de 800 g), junte 1 colher de sopa de sal marinho, 1 colher de chá de sementes de cominho e amasse bem com as mãos até o repolho soltar água suficiente para ser coberto pelo próprio líquido.

Coloque em pote de vidro higienizado, pressione para que o líquido suba, tampe com gaze e deixe fermentar em temperatura ambiente por 5 a 7 dias. Prove no terceiro dia: se estiver bem ácido, leve à geladeira para estacionar. O sabor lembra o do repolho cru, mas com notas ácidas e adocicadas que cortam a gordura do joelho e limpam o paladar a cada garfada.

Servir o chucrute morno, levemente aquecido em frigideira com um fio de azeite e uma pitada de cominho torrado, eleva o prato consideravelmente. Se preferir a versão rápida, compre chucrute em conserva, enxágue bem e aqueça com cebola picada e um fio de azeite: o resultado fica próximo ao caseiro.

Como servir e harmonizar o joelho de porco catarinense

Sirva o prato com o chucrute de um lado, batata cozida com casca e passada na manteiga do outro, e uma tigela pequena de mostarda em grão para quem quiser cortar mais um pouco da untuosidade da carne. Acompanha bem também purê de batata com raiz-forte (a versão brasileira do purê com rábano picante da Baviera).

Para beber, a mesma cerveja preta do cozimento é o casamento mais honesto, seja Stout, Dunkel ou Schwarzbier local do Vale do Itajaí. Quem preferir vinho, vai bem um tinto leve e frutado, como um Pinot Noir da Serra Catarinense (vinhedos de São Joaquim servidos a 14 °C). Não recomendo vinhos muito tânicos porque a gordura do porco potencializa o tanino e deixa a bebida áspera.

Para variar o almoço de fim de semana, o joelho de porco harmoniza com vaca atolada com costelinha caipira, com capeleti da Serra Gaúcha ou com o arroz de panela do chambari pantaneiro: tudo cozido de forno que pede o frio de julho.

Tire suas dúvidas

Posso substituir a cerveja preta por outra bebida?

Sim, mas o perfil muda. Cerveja tipo Pilsen deixa o cozimento mais neutro e adocicado; vinho tinto seco encurta o caldo em sabor, mas pode reagir mal com a gordura. Para versão sem álcool, use caldo escuro de carne adicionado de 2 colheres de sopa de açúcar mascavo e 1 colher de sopa de vinagre de maçã, que tentam reproduzir o amargor residual da cerveja preta.

Qual a diferença entre joelho curado e joelho fresco?

O curado (Schweinshaxe) leva salga entre 24 e 48 horas antes do cozimento, fica mais rosado e concentrado em sabor; combina melhor com preparo curto, em cerveja bem amarga. O fresco, vendido normalmente nos açougues do Sul, é mais versátil, aceita mostarda com mel e cozimento longo sem ficar salgado demais. A maioria das receitas caseiras em Blumenau hoje parte do fresco por questão de disponibilidade.

Preciso obrigatoriamente cozinhar a peça antes de levar ao forno?

Sim, e este é o ponto do preparo. Forno direto por mais de 2 horas deixa a carne borrachuda e resseca a casca antes de o calor chegar até o osso. O cozimento prévio na cerveja e nos legumes é o que quebra o colágeno da peça e a deixa macia até quase soltar; o forno entra só para formar a casquinha crocante de sal grosso e caramelizar o glaceado.

Como faço o sal grosso grudar bem na peça?

Seque a superfície com papel toalha, espalhe a pasta de mostarda e mel, e pressione o sal grosso com a mão aberta para que ele penetre nas ranhuras. O sal grosso que sobrar na assadeira pode ser reciclado: junte sal fresco e use como sal de churrasco. Se a casca não grudar bem, é porque a peça ainda está úmida; repita a secagem antes de aplicar a pasta.

Qual a melhor forma de armazenar sobras?

Descarne a peça fria, guarde a carne em pote fechado na geladeira por até 4 dias e o caldo coado em outro pote. Para requentar, aqueça a carne fatiada no próprio caldo em fogo baixo, sem ferver, até que fique morna e recupere a umidade; o forno direto resseca. No dia seguinte, a carne desfiada vai bem em sanduíche com chucrute e mostarda em grão no pão centeio.

O prato pode ser preparado um dia antes?

Sim, e ele até melhora. Cozinhe a peça um dia antes, deixe esfriar no caldo até a temperatura ambiente, leve à geladeira coberto e finalize no forno apenas 35 minutos antes de servir. A carne descansada fica mais úmida porque a gordura se redistribui entre as fibras durante o repouso frio. Só reaqueça em forno 200 °C, regando com o próprio caldo para não ressecar a casquinha.

O que faço se a carne ainda estiver dura depois do cozimento?

Volte a peça ao caldo quente e cozinhe por mais 20 a 30 minutos em fogo baixo. Caso ainda esteja dura, é sinal de que o fogo inicial ficou muito alto (a carne contrai e endurece em fervura forte), então reduza para brisa. A carne só fica mole quando o colágeno se dissolve em gelatina, e isso exige tempo e temperatura constante abaixo do ponto de fervura.

Posso usar joelho de porco congelado sem descongelar antes?

Não recomendo. O choque térmico entre o frio extremo da carne congelada e o cozimento em fervura faz com que as fibras externas cozinhem demais enquanto o miolo ainda fica cru. Planeje o descongelamento na geladeira por 36 horas; se for urgência, use o método do banho-maria fria em saco selado, trocando a água a cada 20 minutos.

O chucrute industrial serve mesmo que o caseiro?

Serve, mas com ressalvas. O chucrute industrial costuma ser pasteurizado e menos ácido, perdendo o poder de cortar a gordura do prato. Se for usar, enxágue em água corrente, aqueça em frigideira com cebola picada e cominho, e acrescente 1 colher de chá de vinagre de maçã no final para devolver a acidez perdida. Não fica idêntico ao caseiro, mas salva bem o prato.

🛒 Utensílios para fazer esta receita
Itens recomendados — comprando pelos links você apoia o blog (sem custo extra pra você).
🍳 Frigideira Antiaderente
Ver na Amazon → Ver na Shopee →
🧁 Forma / Assadeira
Ver na Amazon → Ver na Shopee →
🥘 Jogo de Panelas
Ver na Amazon → Ver na Shopee →
Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 17 de julho de 2026

Imagem de perfil

Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Todos os Direitos Reservados ao site - eugostodereceitas.com.br © 2026 Por Logo Robô das Receitas Robô das Receitas