Índice do Conteúdo
- Ingredientes da torta capixaba
- Modo de preparo da torta e do pirão
- Tempo de preparo e rendimento
- Como servir e variações pelo litoral
- Conservação e dicas práticas
- Para entender a torta capixaba
- Tire suas dúvidas
- Posso substituir o bacalhau por outro peixe?
- O que fazer se eu não encontrar siri fresco?
- Posso montar a torta em uma assadeira comum em vez da panela de barro?
- O colorau (urucum) pode ser substituído por páprica?
- Preciso dessalgar o bacalhau por 24 horas?
- Posso preparar a torta com antecedência e levar ao forno só no dia seguinte?
- O pirão de aipim pode ser substituído por outro acompanhamento?
- A torta pode ser servida fria, como entrada?
- Qual a melhor bebida para acompanhar?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em agosto de 2026. A torta capixaba é a receita símbolo do Espírito Santo: uma torta salgada em camadas, montada em panela de barro com bacalhau desfiado, siri, camarão, palmito fresco, tomate e cebola, levada ao forno até borbulhar nas bordas. O prato nasceu nas vilas de pescadores do litoral capixaba, tem mais de 400 anos de história e originalmente era servido na Quaresma, quando o peixe e os frutos do mar substituíam a carne vermelha. Hoje aparece em almoços de família no litoral de Vila Velha, Guarapari, Anchieta e Piúma, e funciona bem como prato principal nas noites e manhãs frias de agosto no Sudeste.
A escolha do título vem do fato de agosto ainda trazer frentes frias pelo litoral do Sudeste, e a torta, montada e levada ao forno, esquenta a cozinha inteira com o perfume do azeite, do urucum e do palmito fresco. Se a ideia é manter o ângulo regional sem perder a utilidade, esta versão mantém os ingredientes clássicos da receita de origem (bacalhau, siri, camarão, palmito fresco e a montagem em camadas), mas adapta a proporção para um almoço de domingo em agosto, com pirão de aipim como acompanhamento natural.
Ingredientes da torta capixaba
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Bacalhau dessalgado em lascas | 600 g | Equivalente a um lombo médio dessalgado em água gelada por 24 horas, em lascas grossas |
| Camarão cinza médio descascado | 400 g | Limpo, sem cabeça e sem casca, com cauda |
| Carne de siri desfiado | 300 g | Equivalente a duas xícaras de carne cozida e desfiada |
| Palmito fresco em rodelas | 250 g | Equivalente a um palmito pupunha fresco; se usar de lata, escorrer bem |
| Aipim descascado e picado | 500 g | Para o pirão de acompanhamento |
| Tomate maduro | 300 g | Equivalente a três tomates médios, sem sementes, em rodelas |
| Cebola média | 200 g | Equivalente a duas cebolas médias, em rodelas finas |
| Alho picado | 15 g | Equivalente a três dentes médios |
| Azeite de oliva extravirgem | 120 ml | Para refogar e regar as camadas |
| Leite de coco | 200 ml | Natural, sem açúcar, para umedecer |
| Colorau (urucum) | 5 g | Equivalente a uma colher de chá rasa, para dar a cor avermelhada |
| Salsinha fresca | 10 g | Equivalente a um maço pequeno, só as folhas, picadas |
| Cebolinha verde | 8 g | Equivalente a quatro hastes médias, em rodelas finas |
| Sal grosso | 10 g | Ajustar ao final, porque o bacalhau já tem sal residual |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 2 g | Meia colher de chá |
| Folha de louro | 1 g | Equivalente a uma folha pequena |
Modo de preparo da torta e do pirão

Comece dessalgando o bacalhau em água gelada por 24 horas, trocando a água três vezes. No dia do preparo, cozinhe aipim e carne de siri em panelões separados enquanto monta a torta em camadas. A receita tem dois fronts: a torta em si, levada ao forno, e o pirão de aipim que a acompanha.
Como preparar o bacalhau, o siri e o aipim
- Descongele o bacalhau se estiver congelado, escorra bem e seque com papel toalha para que as lascas não soltem água na frigideira.
- Cozinhe o siri em água fervente com sal por 12 minutos, escorra, deixe esfriar e retire toda a carne das patas e do corpo. Reserve.
- Cozinhe o aipim em água e sal por 25 minutos, ou até ficar bem macio, mas sem desmanchar. Reserve metade da água do cozimento para o pirão.
- Doure rapidamente o bacalhau em 30 ml de azeite, só para selar, e reserve. Esse passo é importante para fixar o sabor e reduzir o cheiro forte.
Como montar a torta em camadas na panela de barro
- Esquente a panela de barro untada com 20 ml de azeite no fogão, em fogo médio, por 2 minutos antes de começar a montar as camadas.
- Espalhe metade das rodelas de cebola e metade do alho no fundo. Regue com um fio de azeite e polvilhe metade da folha de louro esfarelada.
- Distribua metade das rodelas de tomate por cima, salpique uma pitada de sal e pimenta-do-reino, e finalize com metade do colorau misturado ao leite de coco.
- Disponha metade do bacalhau em lascas, metade do siri desfiado, metade do camarão e metade do palmito em rodelas. Regue com 30 ml de azeite.
- Repita todas as camadas, terminando com palmito por cima. Regue com o restante do azeite, do leite de coco com colorau, salpique a cebolinha e metade da salsinha. Tampe a panela.
- Leve ao forno preaquecido a 200 °C por 35 minutos, retire a tampa, regue com 20 ml de azeite e volte ao forno por mais 10 minutos, até borbulhar nas bordas e a superfície ficar levemente dourada.
Como finalizar o pirão de aipim de acompanhamento
- Despeje a metade da água do cozimento do aipim em uma frigideira larga, acrescente o aipim cozido e amasse com um garfo até virar um purê grosso.
- Acrescente 50 ml de azeite, mexa bem, adicione a metade restante da salsinha e ajuste o sal. Sirva morno na tigela ao lado da torta.
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 40 minutos.
Tempo de cozimento: 35 minutos.
tempo total: 75 minutos.
Rende 8 porções generosas (torta grande para um almoço de domingo).
Como servir e variações pelo litoral
A tradição é levar a torta à mesa ainda na panela de barro, com o pirão de aipim servido em tigelas separadas. Em Vila Velha, o costume é abrir a tampa na frente dos convidados para soltar o perfume do azeite com colorau. Em Anchieta e Piúma, a versão de praia inclui polvo cozido em rodelas junto com o siri. Em Guarapari, algumas famílias adicionam ostra fresca desconchada na última camada, para um perfil mais mineral.
Em cidades do interior serrano capixaba, como Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, é comum substituir a carne de siri por carne seca dessalgada, já que o crustáceo fresco é raro no interior. Em todas as versões, o pirão de aipim continua sendo a base do acompanhamento, porque equilibra o sal do bacalhau e a untuosidade do azeite.
Conservação e dicas práticas
Depois de pronta, a torta capixaba mantém a textura boa por até 48 horas na geladeira, em recipiente fechado. Para reaquecer, leve ao forno a 180 °C por 15 minutos com uma colher de água sobre a superfície, para que a camada de cima não resseque. O pirão de aipim deve ser guardado separado, em pote com tampa, e reaquecido em fogo baixo com uma colher de água.
Se quiser congelar, monte a torta em uma forma que vá ao forno e ao freezer, sem assar, cubra com filme plástico e congele por até 60 dias. Na hora de usar, asse direto do freezer, com tampa, a 200 °C por 50 minutos, retire a tampa e asse mais 10 minutos para dourar.
Para entender a torta capixaba
A torta capixaba nasceu nas vilas de pescadores do litoral do Espírito Santo, em comunidades que viviam à beira das praias e dos manguezais. O prato reúne influências da cozinha portuguesa (o bacalhau e o uso do azeite de oliva), da cozinha indígena (o aipim e o urucum) e da cozinha africana (a técnica de desfiar carnes de crustáceos e o uso do leite de coco). Por isso é tão diferente das tortas europeias: não leva massa, é montada em camadas dentro da panela de barro.
O nome torta não significa que exista uma massa cobrindo a montagem. O que acontece é que as camadas dos ingredientes, ao serem levadas ao forno, formam uma crosta superficial graças ao cozimento do tomate com o azeite, o colorau e o leite de coco. É essa crosta, junto com a forma redonda da panela de barro, que dá à receita o nome de torta.
Para conhecer mais sobre o estado do Espírito Santo na cozinha de panela, vale conferir a pintada na cachaça com polenta cremosa, outro clássico do interior capixaba que também aquece bem as manhãs frias de agosto. O caldinho de guaiamum à moda do Espírito Santo e o camarão na moranga à moda do Espírito Santo também seguem a mesma lógica de aproveitar bem o que vem do mar e dos manguezais do estado. Para um contraponto baiano dentro do tema de frutos do mar, o caldo de aratu do litoral norte baiano traz o aratu no lugar do siri e mantém o pirão de aipim. Já o caldo de camarão com pirão baiano é uma boa referência de como o pirão de aipim aparece em outras cozinhas litorâneas do Nordeste.
Tire suas dúvidas
Posso substituir o bacalhau por outro peixe?
Sim. A versão mais próxima usa cação em postas, que tem textura firme e não desfia no forno. Outra opção comum é a merluza dessalgada, mais leve e fácil de encontrar. O importante é manter o peixe em pedaços generosos para que a camada não seque durante o cozimento no forno.
O que fazer se eu não encontrar siri fresco?
Use carne de siri já cozida e desfiada, vendida congelada em casas de frutos do mar. Se nem essa estiver disponível, a melhor substituição é carne de caranguejo cozida e desfiada, com o mesmo peso. Em último caso, polpa de siri industrializada funciona, mas tem mais sódio e menos sabor.
Posso montar a torta em uma assadeira comum em vez da panela de barro?
Pode. A assadeira de vidro ou de alumínio mantém o calor mais uniforme e facilita o corte em fatias. O sabor da panela de barro é sutil, mas a receita funciona bem sem ele. Apenas unte bem a forma e reduza o tempo de forno em 5 minutos, porque o calor chega mais rápido nas bordas.
O colorau (urucum) pode ser substituído por páprica?
Sim, mas o sabor muda. A páprica dá um aroma defumado que não combina com o perfil litorâneo da torta. O colorau puro, sem misturas com feno-grego ou cominho, mantém a cor vermelha característica do prato. Se usar páprica, prefira a doce, em menor quantidade, para não sobrecarregar a camada de tomate.
Preciso dessalgar o bacalhau por 24 horas?
Para o bacalhau em salga tradicional, sim. Para o bacalhau demolhado ultracongelado vendido em supermercados, bastam 4 horas em água gelada. Troque a água uma vez no meio do processo para retirar bem o sal. Prove um pedaço antes de levar à frigideira para confirmar que está no ponto.
Posso preparar a torta com antecedência e levar ao forno só no dia seguinte?
Pode, e essa é uma das vantagens do prato. Monte a torta na panela, cubra com filme plástico e leve à geladeira por até 24 horas. Na hora de servir, retire o filme, leve ao forno a 200 °C por 40 minutos com tampa, retire a tampa e asse mais 10 minutos para dourar. O sabor fica até mais concentrado.
O pirão de aipim pode ser substituído por outro acompanhamento?
Sim, o pirão de aipim é o mais tradicional, mas arroz branco soltinho e farofa de cebola com salsa também funcionam bem. Uma opção comum no Espírito Santo é servir a torta com pirão de peixe feito da cabeça e da carcaça do bacalhau, cozidas junto com alho e cebola, batidas no liquidificador e amarradas com aipim.
A torta pode ser servida fria, como entrada?
Pode, mas perde a textura cremosa das camadas internas. O prato é pensado para ser servido quente, com o azeite e o leite de coco ainda borbulhando. Se sobrar muita quantidade, o ideal é reaquecer em forno baixo, com uma colher de água sobre a superfície, antes de servir de novo.
Qual a melhor bebida para acompanhar?
A torta pede uma bebida gelada que corte a untuosidade do azeite. Cerveja pilsen ou weizen combina bem, assim como um vinho branco seco e jovem, servido entre 8 °C e 10 °C. Para quem prefere não beber álcool, água com gás e limão ou suco de maracujá natural são boas opções.

