Índice do Conteúdo
- Ingredientes da caldeirada
- Modo de preparo da caldeirada acreana
- Como escolher o tambaqui fresco para a caldeirada
- Variações regionais da caldeirada acreana
- Como servir e o que acompanha a caldeirada
- Conservação e reaproveitamento
- Tire suas dúvidas
- Posso usar tambaqui congelado?
- Dá para fazer sem leite de coco?
- Posso substituir a banana verde por outro ingrediente?
- Qual a diferença entre caldeirada acreana e caldeirada amazonense?
- Posso fazer a caldeirada na panela de pressão?
- O que fazer se o peixe desfiou no caldo?
- Posso usar outro tipo de leite de coco?
- Quanto tempo antes posso preparar a caldeirada?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em agosto de 2026. A caldeirada acreana de tambaqui com banana verde é um cozido de panela do ribeirinho do Vale do Juruá, no norte do Acre, que combina postas de tambaqui fresco com bananas verdes cortadas em rodelas grossas, leite de coco regional, cheiro-verde e um toque de colorau. É o almoço de domingo na beira do rio, quando o calor do Acre dá uma trégua e a fartura do tambaqui pede um prato de uma panela só, servido com arroz branco e pirão feito no próprio caldo.
Esta versão é uma caldeirada de tambaqui à moda do Acre, com bananas verdes que seguram a forma mesmo após o cozimento, leite de coco caseiro e cheiro-verde fresco finalizado fora do fogo. As proporções e o tempo de panela foram ajustados para o peixe fresco encontrado nas feiras de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, mas a técnica funciona para qualquer tambaqui de rio amazônico cortado em postas grossas com pele e espinha.
Ingredientes da caldeirada
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Tambaqui fresco em postas | 1,2 kg | Postas grossas com pele, aproximadamente 4 cm |
| Banana verde cortada em rodelas | 500 g | Equivalente a 4 bananas medias, com casca e tudo |
| Cebola media picada | 200 g | Equivalente a duas cebolas medias, em cubos |
| Tomate maduro picado | 180 g | Equivalente a dois tomates medios, sem sementes |
| Alho picado fino | 20 g | Equivalente a 4 dentes medios |
| Colorau (urucum em pó) | 5 g | Equivalente a uma colher de sopa rasa |
| Cominho em pó | 2 g | Equivalente a meia colher de cha |
| Pimenta-de-cheiro fresca | 10 g | Equivalente a 2 unidades medias, fatiada |
| Sal grosso | 15 g | Ajustar ao final, varia conforme o peixe |
| Leite de coco caseiro | 400 ml | Equivalente a duas xicaras, caseiro ou em garrafa |
| Óleo de cozinha neutro | 30 ml | Para refogar a base |
| Cheiro-verde fresco | 20 g | Equivalente a um moco medio, com folhas de coentro e cebolinha |
| Folha de louro verde | 2 g | Equivalente a duas folhas medias |
Para a farofa de acompanhamento (opcional, tradicional em Rio Branco):
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Farinha d’água ou farinha de mandioca grossa | 300 g | Equivalente a tres xicaras cheias |
| Manteiga da terra | 40 g | Equivalente a duas colheres de sopa cheias |
| Cebola picada fina | 60 g | Equivalente a meia cebola media |
| Sal fino | 3 g | Equivalente a meia colher de cha |
Modo de preparo da caldeirada acreana

A técnica é simples e clássica de panela no fogão: refogar a base aromática, cozinhar as bananas verdes primeiro para amaciá-las, juntar o peixe e finalizar com leite de coco e cheiro-verde fresco. A farofa de farinha d’água é opcional, mas é o acompanhamento que completa o prato no almoço de domingo na beira do rio Acre.
Como preparar a base aromática e cozinhar as bananas
- Aqueça o óleo em panela grande de fundo grosso, em fogo médio, e refogue a cebola até ficar translúcida, por cerca de 4 minutos.
- Adicione o alho, a pimenta-de-cheiro fatiada e o colorau, mexendo bem para abrir a cor vermelha do urucum, e refogue por mais 1 minuto sem queimar o alho.
- Entre com as rodelas de banana verde com casca, tempere com sal grosso e cominho, cubra com água fervente até passar 2 dedos acima das bananas e cozinhe por 25 minutos em fogo baixo, com a panela semi-tampada, até que as bananas fiquem macias mas ainda segurem a forma.
- Acrescente o tomate picado, misture e cozinhe por mais 5 minutos para o tomate começar a se desfazer no caldo.
Como finalizar o peixe e montar a caldeirada
- Distribua as postas de tambaqui sobre as bananas, com a pele voltada para cima, e tempere com um pouco mais de sal. Não mexa nas postas para não desfiar o peixe.
- Cozinhe em fogo baixo por 12 minutos, com a panela tampada, até que o peixe fique opaco e se solte da espinha com facilidade.
- Regue o peixe com o leite de coco morno, junte a folha de louro e mexa somente o caldo entre as postas, sem virar o peixe.
- Apague o fogo, finalize com o cheiro-verde fresco picadinho e tampe a panela por mais 3 minutos para o aroma do coentro se misturar ao caldo.
- Sirva direto da panela em pratos fundos, com uma concha generosa de caldo, rodelas de banana e o pedaço de tambaqui.
Como preparar a farofa de farinha d’água (opcional)
- Derreta a manteiga da terra em frigideira grossa, em fogo médio, e refogue a cebola picada até dourar levemente.
- Acrescente a farinha d’água aos poucos, mexendo sem parar para incorporar a gordura, até ficar levemente crocante e soltar da frigideira.
- Tempere com sal fino, transfira para uma tigela e sirva como acompanhamento ao lado do prato.
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 45 minutos.
tempo total: 70 minutos.
Rende 6 porções generosas, ideal para almoço de domingo em família.
Como escolher o tambaqui fresco para a caldeirada
O tambaqui fresco vendido nas feiras de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, costuma chegar inteiro no gelo, com escamas brilhantes e guelras vermelhas. Prefira postas grossas, com 3 a 4 cm de largura, porque elas mantêm a umidade durante o cozimento e não desfiarm no caldo. Peixes menores, com menos de 4 kg, costumam ter carne mais delicada e menos gordura, então reduza o tempo de panela em 3 minutos para não passar do ponto. Evite postas com cheiro forte de amoníaco ou barriga amolecida, sinal de que o peixe já passou do ponto ideal de consumo.
Se o tambaqui fresco não estiver disponível, a caldeirada pode ser feita com pacu ou matrinxã, dois peixes de rio muito usados na culinária acreana para pratos de panela. O ajuste principal é reduzir o tempo de cozimento do peixe em 5 minutos, porque essas espécies têm carne mais magra que o tambaqui e podem ressecar se ficarem tempo demais no fogo.
Variações regionais da caldeirada acreana
No Vale do Juruá, a caldeirada costuma levar pirarucu salgado desfiado junto com o tambaqui fresco, o que dá um sabor mais intenso e encorpado ao caldo. Em Rio Branco, a versão de panela de pressão adiciona batata inglesa em cubos grandes, que cozinha junto com as bananas verdes e rende mais porções sem alterar a técnica básica. Já na região do Alto Purus, é comum finalizar o prato com uma colher de manteiga de cupuaçu fresco, que dá uma cremosidade extra e um aroma frutado bem característico da Amazônia acreana.
Para uma versão mais leve, dá para substituir o leite de coco caseiro por leite de coco industrializado em garrafa e reduzir a quantidade de colorau pela metade, mantendo o colorido suave do caldo. Quem preferir um prato mais picante pode aumentar a pimenta-de-cheiro para três unidades e adicionar uma pitada de pimenta-do-reino moída na hora junto com o cheiro-verde.
Como servir e o que acompanha a caldeirada
O acompanhamento clássico é arroz branco solto, pirão feito com o próprio caldo da caldeirada e a farofa de farinha d’água descrita na receita. Para seis porções, calcule 600 g de arroz tipo 1, cozido em panela separada com água e sal, e finalize o pirão com duas xícaras do caldo da caldeirada, engrossado em fogo baixo com farinha d’água até a consistência de creme grosso.
Para montar a mesa, sirva a caldeirada em pratos fundos de preferência, com a concha generosa de caldo, as rodelas de banana e o pedaço de tambaqui com pele. A farofa vai em uma tigela à parte, e o arroz branco em travessa grande. Um molho simples de pimenta-de-cheiro com limão e um pouco de sal combina muito com o peixe e pode ser servido à parte para quem gosta de mais ardência.
Conservação e reaproveitamento
A caldeirada dura bem na geladeira por até 3 dias, em pote com tampa, e o sabor costuma ficar mais redondo no dia seguinte, depois que o leite de coco e o cheiro-verde descansam no caldo. Para reaquecer, leve ao fogo baixo em panela tampada, adicionando um fio de água se o caldo tiver engrossado demais, e evite micro-ondas porque o peixe resseca e perde textura.
Para congelar, separe o peixe das bananas verdes e do caldo, armazene em potes individuais etiquetados e consuma em até 30 dias. No dia de comer, descongele na geladeira durante a noite, monte a caldeirada de novo na panela com o caldo e as bananas, aqueça tudo junto e finalize com cheiro-verde fresco e um fio de leite de coco morno, como na receita original.
Tire suas dúvidas
Posso usar tambaqui congelado?
Sim, tambaqui congelado rende uma caldeirada bem próxima da versão com peixe fresco, especialmente quando as postas foram congeladas logo após a limpeza. Descongele na geladeira durante a noite, seque bem as postas com papel toalha antes de levá-las à panela, e reduza o tempo de cozimento do peixe em 3 minutos porque o congelamento deixa a carne um pouco mais sensível ao calor.
Dá para fazer sem leite de coco?
Dá, e a caldeirada fica mais leve, com sabor mais marcado do próprio peixe e das bananas verdes. A textura do caldo fica menos cremosa e mais rala, então ajuste o sal e o colorau com mais atenção. Em Rio Branco, é comum ver a caldeirada servida sem leite de coco nas versões mais antigas, então a substituição não descaracteriza o prato.
Posso substituir a banana verde por outro ingrediente?
A banana verde com casca é o que dá liga e estrutura ao caldo da caldeirada acreana, então a substituição mais próxima é a banana da terra verde cortada em rodelas grossas. Batata inglesa em cubos grandes também funciona, embora mude um pouco o sabor e a textura final. Não recomendo usar banana madura, porque ela se desfaz no cozimento e deixa o caldo doce demais para um prato salgado.
Qual a diferença entre caldeirada acreana e caldeirada amazonense?
A caldeirada amazonense tradicional costuma usar tambaqui com pirão de tucupi e jambu, com perfil mais ácido e apimentado, enquanto a versão acreana usa bananas verdes com casca, leite de coco e cheiro-verde, com perfil mais adocicado pela banana e mais cremoso pelo coco. As duas são cozidos de panela de uma panela só com peixe fresco, mas os acompanhamentos mudam bastante.
Posso fazer a caldeirada na panela de pressão?
Sim, é comum no preparo caseiro em Rio Branco, especialmente para reduzir o tempo de cozimento das bananas verdes. Reduza o tempo de cozimento das bananas para 8 minutos na pressão, espere a pressão sair naturalmente, abra a panela, adicione o peixe e cozinhe em fogo baixo com a panela destampada por mais 8 minutos. O leite de coco e o cheiro-verde entram só no final, como na receita original.
O que fazer se o peixe desfiou no caldo?
Caldeirada com peixe desfiado no caldo também fica saborosa, e o jeito mais simples de recuperar a apresentação é montar o prato com cuidado, usando uma escumadeira para tirar as postas inteiras e distribuir o caldo com as bananas em cada prato. Evite mexer no peixe durante o cozimento, porque a vibração da concha quebra as fibras da carne e desfia tudo.
Posso usar outro tipo de leite de coco?
Sim, leite de coco em garrafa industrializado funciona bem, embora o sabor fique menos fresco do que com o leite de coco caseiro feito com coco fresco ralado e água morna. Para quem não encontra leite de coco em garrafa, dá para bater 200 ml de coco fresco ralado com 200 ml de água morna no liquidificador, coar em peneira fina e usar o líquido resultante como substituto direto.
Quanto tempo antes posso preparar a caldeirada?
A caldeirada fica melhor quando preparada com algumas horas de antecedência, porque o tempo de descanso permite que o leite de coco, o cheiro-verde e o colorau se misturem ao caldo. Em clima quente do Acre, o ideal é preparar de manhã para o almoço ou no fim da tarde para o jantar, mantendo a panela tampada fora da geladeira em local fresco.
Para variar o cardápio amazonense na mesma semana, vale experimentar também a caldeirada de tambaqui amazonense com pirão, que usa tucupi e jambu em vez de banana verde e leite de coco, ou o caldo de tucunaré com tucupi e jambu, perfeito para um jantar amazonico diferente da caldeirada. Para explorar outras cozinhas regionais do Norte, o arroz de cuxá maranhense com camarão seco e vinagreira traz um perfil totalmente diferente, mais ácido e aromático, enquanto o arroz de tucunaré com tucupi e jambu do Pará é uma variação do Pará para almoço de domingo. Para fechar o almoço com uma receita de arroz regional, o arroz de chambari pantaneiro mostra outra forma de cozinhar peixe de rio com ingredientes do bioma, em versão típica do Mato Grosso do Sul.

