Lambari Frito com Angu de Polenta Cremoso: o Almoço de Agosto no Interior Mineiro

Lambari Frito com Angu de Polenta Cremoso: o Almoço de Agosto no Interior Mineiro
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 18/08/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaLambari frito à mineira servido com angu de polenta cremoso: o almoço simples e tradicional do interior de Minas Gerais para agosto frio no Lago de Furnas.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
43 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
17 ingredientes
|
13 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Por que o lambari combina com agosto no interior mineiro
  2. Ingredientes do prato
  3. Modo de preparo do lambari e da polenta
  4. Tempo de preparo e rendimento
  5. Como servir e variações regionais do interior mineiro
  6. Conservação e reaproveitamento do lambari frito
  7. Tire suas dúvidas

Atualizado em agosto de 2026. Lambari frito à mineira, com crosta sequinha por fora e carne macia por dentro, servido sobre um generoso aguentinho de polenta cremoso: é o almoço clássico de agosto no interior de Minas Gerais, dos pesqueiros do Lago de Furnas às mesas de família do Sul de Minas. A receita abaixo é simples, barata e rendosa, com poucos ingredientes e o modo de preparo ensinado em três tempos: temperar e empanar o peixe, fritar em ponto certo, e cozinhar a polenta no mesmo caldo aromático.

Por que o lambari combina com agosto no interior mineiro

Agosto entra no Brasil Central como o último mês de frio mais consistente da estação seca, especialmente nas regiões serranas do Sul de Minas, no Campo das Vertentes e na orla do Lago de Furnas. É a janela em que o lambari (Astyanax bimaculatus e espécies próximas) está gordo, fresco nos pesque-pagues e nas peixarias das cidades do entorno, e tradicionalmente servido frito, com polenta cremosa e rodelas de limão. Quem viveu infância em Alfenas, Machado, Passos, Guapé ou Carmo do Rio Claro reconhece o aroma: óleo quente, cheiro-verde e alho no mesmo fogão.

A combinação não é moda nem releitura. É a herança da cozinha de beira de represa, em que o peixe miúdo era frito inteiro logo após a pesca e a polenta aproveitava o mesmo caldo aromático , primeiro fervia a água com cebola, alho e louro, depois engrossava com fubá de moagem média. Hoje os pesqueiros do interior ainda servem o prato da mesma forma: porção generosa, peixe crocante, polenta mole e fatia de limão para acompanhar.

Ingredientes do prato

Tasty grilled sea bream served with polenta and a fresh salad, perfect for a healthy meal.
Ingrediente Quantidade Observação
Lambari inteiro fresco 1,2 kg Equivalente a cerca de 18 peixes médios, já eviscerados e com cabeça
Fubá de moagem média 300 g Para a polenta cremosa, equivalente a duas xícaras rasas
Fubá fino 120 g Para empanar o peixe antes da fritura
Farinha de trigo 80 g Para a metade da crosta, dá ponto mais sequinho ao empanado
Óleo de soja 500 ml Para fritura por imersão, equivalem a cerca de 400 ml aproveitáveis
Cebola média 200 g Equivalente a duas cebolas médias, em meias-luas finas
Alho 20 g Equivalente a quatro dentes médios, bem picados
Tomate maduro 180 g Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, em cubos
Caldo de peixe ou legumes 1,2 litro Pode ser caseiro ou industrializado, em cubo dissolvido em água fervente
Sal refinado 18 g Para temperar peixe e polenta, equivalente a uma colher de sopa rasa
Pimenta-do-reino moída 3 g Equivalente a uma colher de chá rasa, na hora
Limão-taiti 120 g Equivalente a dois limões, um para o tempero e outro em rodelas para servir
Cheiro-verde fresco 20 g Equivalente a um maço médio de salsinha e cebolinha picadas juntas
Folha de louro 2 g Equivalente a duas folhas pequenas para aromatizar o caldo da polenta

Para o empanado e a fritura:

Ingrediente Quantidade Observação
Mistura de fubá fino e farinha 200 g Proporção de 60% fubá e 40% farinha, dá cor dourada e crosta firme
Sal com pimenta-do-reino 5 g Mistura seca para polvilhar os peixes antes do empanado
Leite gelado 120 ml Para umedecer levemente o peixe antes da mistura seca, fixa o empanado

Modo de preparo do lambari e da polenta

O segredo do prato está em três decisões: secar bem o peixe antes do empanado, fritar em óleo realmente quente em pequenas levas, e cozinhar a polenta no caldo aromático em vez de água pura. Em panela grande, frite todos os peixes antes de começar a polenta, mantendo-os aquecidos sobre papel toalha, para que tudo chegue à mesa ao mesmo tempo.

Como temperar e empanar o lambari

  1. Lave os lambaris em água corrente, seque cada um com papel toalha e disponha em uma assadeira rasa. Seque especialmente a barriga e a cavidade, onde acumula mais umidade.
  2. Tempere com metade do sal, a pimenta-do-reino, o suco de um limão e três dentes de meio alho bem picado. Deixe tomar gosto por 15 minutos na geladeira, cobertos com filme.
  3. Misture o fubá fino com a farinha de trigo em um prato fundo, acrescente o restante do sal e reserve.
  4. Retire os peixes da geladeira, passe rapidamente pelo leite gelado em uma tigela e em seguida pela mistura de fubá e farinha, apertando levemente para que a crosta grude.
  5. Disponha os peixes empanados em uma bandeja larga, sem encostar uns nos outros, e reserve enquanto o óleo aquece.

Como fritar o lambari em ponto certo

  1. Aqueça o óleo em uma frigideira larga ou panela funda até atingir 180 °C, temperatura em que uma gotinha de massa solta sobe e borbulha imediatamente.
  2. Frite os peixes em levas de cinco ou seis unidades, sem amontoar, para que a temperatura do óleo não caia demais. Cada leva leva de dois a três minutos por lado.
  3. Quando o empanado estiver dourado e a espinha do lambari ceder à pressão de um garfo, retire com escumadeira e escorra sobre papel toalha. Mantenha em forno baixo (90 °C) enquanto frita o restante.
  4. Polvilhe uma pitada final de sal sobre os peixes já fritos e reserve em local aquecido.

Como cozinhar a polenta cremosa no caldo aromático

  1. Enquanto frita a primeira leva de peixe, leve ao fogo médio uma panela grossa com o caldo de peixe, a cebola, o restante do alho, o tomate, a folha de louro e uma colher de sopa de azeite. Cozinhe por 8 minutos até a cebola ficar translúcida.
  2. Acrescente o fubá de moagem média, previamente a dissolvido em 300 ml de água fria, em fio fino, mexendo sempre com um batedor tipo fuê para não empelotar.
  3. Baixe o fogo e mexa sem parar por 12 a 15 minutos, até a polenta soltar do fundo da panela e ficar cremosa, com textura de creme espesso. Acerte o sal e desligue.
  4. Mantenha a polenta coberta com filme plástico em contato direto com a superfície para não criar película dura enquanto termina a fritura.

Tempo de preparo e rendimento

Tempo de preparo: 25 minutos.

Tempo de cozimento: 18 minutos.

tempo total: 43 minutos.

Rende 6 porções generosas.

Como servir e variações regionais do interior mineiro

O prato vai à mesa em duas peças separadas: a polenta cremosa em uma travessa funda e o lambari frito em uma assadeira grande, com rodelas de limão e cheiro-verde fresco por cima. Quem quiser acompanhar com arroz branco pode montar o prato em camadas (arroz, polenta, peixe), que é o jeito de beira de represa no Sul de Minas. Em algumas casas do Triângulo Mineiro, a polenta é substituída por um pirão ralo feito com o próprio caldo de peixe engrossado com fubá, mais rústico e encorpado.

Para quem prefere versões mais leves, dá para assar o lambari no forno a 220 °C, em assadeira untada, por 18 minutos, virando na metade do tempo. A crosta fica menos crocante que a versão frita, então compensa polvilhar um pouco mais de fubá antes de levar ao forno. Outra adaptação comum em pesqueiros é servir o peixe com molho de alho dourado em azeite, que entra bem tanto sobre o peixe frito quanto sobre o assado.

Conservação e reaproveitamento do lambari frito

O lambari frito perde a crosta quando refrigerado, então o ideal é consumir no dia. Guarde o que sobrar em pote fechado por até 24 horas na geladeira, e reaqueça em forno a 180 °C por 6 minutos, sem cobrir, para devolver parte da crosta. A polenta cremosa dura até 3 dias em geladeira e volta ao ponto certo com 2 colheres de sopa de caldo de peixe quente e fogo baixo, mexendo até engrossar.

No dia seguinte, o lambari desfeito entra em recheio de omelete, em torta salgada com catupiry ou em bolinho de peixe com fubá. A polenta que sobrar vira polenta frita em palitos (basta esfriar, cortar em bastões e fritar em óleo quente), acompanhamento clássico em Minas Gerais e que reaproveita sem desperdício.

Tire suas dúvidas

Lambari tem espinha demais para comer frito inteiro?

O lambari pequeno tem espinha fina que fica macia depois da fritura, e o costume mineiro é comer quase inteiro, segurando pela cabeça. Para crianças e pessoas menos acostumadas, é possível comer só o lombo, retirando a espinha central com garfo. A espinha pequena que fica no filé é macia o suficiente para mastigar e geralmente passa despercebida.

Posso substituir o lambari por outro peixe pequeno?

Sim, o prato aceita piracanjuba, piau, matrinxã pequena ou tilápia em postas, todos comuns em pesqueiros do interior. O tempo de fritura muda: peixes em posta ficam 4 minutos por lado, e o empanado gruda melhor se você se tiver aberto o peixe ao meio, em vez de inteiro. O sabor lembra o original, mas o costume de comer com a mão só funciona com peixe pequeno inteiro.

Preciso realmente usar mistura de fubá e farinha no empanado?

Não é obrigatório, mas a mistura dá o ponto tradicional mineiro. O fubá puro dá crosta mais quebradiça e cor amarela intensa, e a farinha pura dá cor mais clara e crosta mais sequinha. A proporção 60% fubá e 40% farinha equilibra sabor e textura e é a que os pesqueiros do Sul de Minas costumam usar. Se for usar só farinha, acrescente uma colher de chá de colorau para chegar à cor dourada.

O óleo de soja pode ser substituído por outro?

Sim, mas evite azeite extravirgem para fritura por imersão (queima acima de 180 °C e deixa sabor amargo). Óleo de girassol, de canola ou de milho funcionam bem e têm ponto de fumaça acima do necessário. A banha de porco é a opção mais tradicional do interior mineiro e dá sabor extra, mas exige fritar em temperatura um pouco mais baixa (170 °C) para não queimar.

A polenta pode ser feita com caldo de legumes em vez de caldo de peixe?

Pode, e fica igualmente saborosa. O caldo de peixe entra no prato tradicional por aproveitar a água do cozimento, mas em casa é comum usar caldo de legumes caseiro ou dissolver um cubo de caldo industrializado em água fervente. O sabor final fica mais suave, então compensa acrescentar uma pitada extra de sal e cheiro-verde.

Como sei que o óleo está na temperatura certa para fritar?

O jeito mais confiável é o termômetro de cozinha, mas dá para testar sem: jogue uma pitada de fubá no óleo. Se borbulhar imediatamente e subir à superfície, está em torno de 180 °C e pronto para fritar. Se a pitada ficar parada no fundo, o óleo ainda está frio; se queimar e escurecer rápido, está quente demais e precisa baixar o fogo.

Posso empanar o lambari com antecedência?

Não recomendo mais de 30 minutos antes da fritura, porque a umidade do peixe amolece o empanado e ele abre durante a fritura. Se precisar adiantar, tempere o peixe e seque bem, deixe na geladeira sem o empanado, e aplique a mistura de fubá e farinha apenas na hora de fritar. O peixe temperado com antecedência de 1 hora fica até mais saboroso.

Lambari frito com polenta combina com qual bebida?

Cerveja clara bem gelada é a combinação clássica nos pesqueiros de Minas Gerais, junto com limonada com capim-santo ou suco de caju. Para quem prefere vinho, um vinho branco leve e gelado (como um Sauvignon Blanc jovem) segura o frito sem competir. Refrigerante de guaraná também entra bem, principalmente no almoço de família com crianças.

Para fechar a mesa mineira de agosto com chave de outro ingrediente regional, vale conferir o arroz com frango caipira à mineira e a galinha caipira com mandioca e milho, ambos do interior das Gerais. Quem quiser variar a polenta, o tutu à mineira da vovó usa a mesma base de fubá com feijão. Para fechar o cardápio de almoço com mais proteína de panela, o leitão assado à moda da roça mineira e o feijão tropeiro mineiro da roça completam a mesa.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 18 de agosto de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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