Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Modo de preparo
- Como servir e variações regionais
- Conservação e reaproveitamento
- Curiosidades sobre o cascudo e o Rio São Francisco
- Dicas de compra, substituições e harmonização
- Tire suas dúvidas
- Qual a diferença entre cascudo e tambicu?
- Posso substituir o cascudo por outro peixe?
- Preciso deixar o cascudo de molho antes de cozinhar?
- Por que o feijão de corda precisa cozinhar antes do peixe?
- O que é o pirão de mandioca nesse caldo?
- O cascudo precisa de marinada de 12 horas?
- Que tempero combina com o caldo de cascudo?
- Como sei se o cascudo está no ponto?
- O que servir junto com o caldo de cascudo?
- Posso fazer o caldo na pressão?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. O caldo de cascudo do São Francisco é o jantar de panela do Sertão que combina a carne firme do cascudo, um peixe de armadura de água doce da bacia do São Francisco, com feijão de corda, tomate, coentro e pirão de mandioca que engrossa o caldo. É uma receita de panela única, de baixo custo e de cocção lenta, perfeita para as noites frias de outubro.
O cascudo do São Francisco, nome científico Pterygoplichthys etentaculatus, é um loricariídeo da família dos cascudos, chamado assim pelo corpo coberto por placas ósseas que formam uma carapaça flexível. Ele vive no fundo dos rios e é consumido fresco na região. O feijão de corda, cozido até desfazer, dá corpo ao caldo, e a mandioca entra no final para virar pirão.
Ingredientes
Esta lista usa a proporção de uma panela grande para seis pessoas. O cascudo pode ser comprado em postas já limpas, o que reduz o trabalho e o desperdício, e o feijão de corda deve ser de boa qualidade, porque é ele que segura o corpo do caldo.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Cascudo do São Francisco em postas | 800 g | Peixe limpo, sem escamas e sem tripa |
| Feijão de corda | 200 g | Grão seco, limpo e de uso |
| Mandioca | 500 g | Raspada e picada, para o pirão |
| Tomate maduro | 240 g | Dois tomates sem sementes, picados |
| Cebola | 150 g | Uma cebola média, picada |
| Alho | 16 g | Quatro dentes, amassados |
| Pimentão amarelo | 80 g | Meio pimentão, em cubos |
| Coentro fresco | 30 g | Um maço, picado grosseiramente |
| Cebolinha | 10 g | Um quarto de maço, picada |
| Azeite de oliva ou óleo de canola | 45 ml | Três colheres de sopa |
| Sal | 5 g | Uma colher de chá, ajustar ao gosto |
| Pimenta-do-reino moída | 1 g | Meia colher de chá |
| Colorau | 2 g | Uma colher de chá, cor do Sertão |
| Suco de limão | 60 ml | Um limão espremido, para temperar o peixe |
| Pimenta de cheiro | 4 g | Opcional, duas unidades em rodelas |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de cozimento: 50 min. Tempo total: 1 h 20. Rende 6 porções.
Modo de preparo

O ponto principal do caldo de cascudo é a ordem das etapas: o feijão de corda cozinha primeiro e sozinho até desfazer, o refogado de tomate e cebola entra depois para dar cor e acidez, e o peixe é temperado e cozido no fim, para não desmanchar. O pirão de mandioca fecha o caldo, dando espessura sem creme de leite.
- Deixe o feijão de corda de molho em água gelada por uma hora, troque a água e escorra. Cozinhe em panela de pressão com água para cobrir dois dedos acima do grão, por 25 minutos após o fogo, ou até o feijão desmanchar ao toque do garfo.
- Enquanto o feijão cozinha, tempere as postas de cascudo com o suco de limão, parte do alho, sal e pimenta-do-reino. Deixe descansar 15 minutos na geladeira. A marinada só amacia e tira o cheiro de fundo de rio, sem cozinhar as postas.
- Em uma panela larga, refogue a cebola com o azeite em fogo médio por 6 minutos, até ficar translúcida. Junte o alho restante, o pimentão e o colorau, mexendo por 1 minuto, e adicione o tomate picado. Deixe o tomate virar molho em 8 minutos.
- Acrescente o feijão de corda cozido com uma concha do próprio caldo. Amasse alguns grãos contra a lateral da panela para soltar o amido e dar corpo. Cozinhe em fogo baixo por 10 minutos, mexendo de vez em quando para não agarrar no fundo.
- Distribua as postas de cascudo temperadas sobre o caldo, regando com o suco da marinada. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 12 minutos, sem mexer, para o peixe cozinhar por inteiro e soltar o sabor no caldo.
- Raspada a mandioca e corte em cubos pequenos. Cozinhe em água com sal por 15 minutos, até ficar macia, e escorra. Descasque as postas de cascudo, se necessário, e separe a carne em lascas grossas, descartando as espinhas.
- Volte o caldo ao fogo médio, junte a mandioca cozida e deixe apurar 8 minutos, mexendo devagar. Se ficar ralo, esmague parte da mandioca com as costas de uma colher. Ajuste o sal e desligue o fogo.
- Finalize fora do fogo com o coentro picado e a cebolinha. Sirva em tigelas funda com um fio de azeite cru e, se quiser, rodelas de pimenta de cheiro. O coentro entra no final porque perde o aroma se cozinhar.
Como servir e variações regionais
O caldo de cascudo do São Francisco é servido em tigela funda, com a carne em lascas separada do caldo, e vem acompanhado de pirão de aipim extra, feijão de corda na missô e uma saladinha de cebola crua com limão. A forma mais comum na mesa do Sertão é a concha grande, onde o peixe aparece em pedaços generosos e o caldo grosso é regado sobre o arroz branco. Quem quiser, acrescenta pimenta de cheiro ou azeite de dendê na hora de servir.
No interior da Bahia e no sertão paraibano, a mesma base ganha acompanhamentos: em vez do feijão de corda com carne seca, aparecem feijão verde e feijão de corda puro com carne de sol e macaxeira, e coco fresco ralado para dar doçura. A espinha do cascudo, que é rígida, é evitada com cuidado na hora de espiar o peixe.
Conservação e reaproveitamento
O caldo de cascudo do São Francisco se conserva na geladeira por até 3 dias, em recipiente fechado, e pode ser requentado em fogo baixo, mexendo devagar, porque o pirão engrossa mais a cada fervura. Congelado, aguenta cerca de 2 meses, mas o ideal é congelar sem o coentro e juntar a erva fresca na hora de servir. Sobras da carne podem virar pirão com farinha de mandioca.
Curiosidades sobre o cascudo e o Rio São Francisco
O cascudo do São Francisco, o Pterygoplichthys etentaculatus, é uma espécie de peixe de água doce da família dos loricariídeos, e a Wikipédia registra que ele vive na bacia do Rio São Francisco, o segundo maior rio inteiramente brasileiro, com 2.914 km de extensão. O nome cascudo vem da palavra lórica, que designa a carapaça de placas ósseas desses peixes, uma armadura flexível. Na bacia do São Francisco, as microrregiões do Alto São Francisco, Januária, Salinas, Pirapora, Alagoana do Sertão do São Francisco e Sergipana do Sertão do São Francisco somam 55 municípios, segundo a API de localidades do IBGE, e é nessa área que o consumo de cascudo fresco é tradicional.
O Rio São Francisco é o mais importante curso d’água para a pesca de água doce do Nordeste, e por isso a pesca nele tem regras oficiais de suspensão. O Ministério da Pesca e Aquicultura mantém uma página pública com os defesos vigentes no Brasil e a lista de municípios afetados, que deve ser conferida antes de comprar peixe fresco na região.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Na hora de comprar, prefira postas de cascudo com carne firme, cor rosada e sem odor forte, e peça para o peixeador retirar a pele com as placas ósseas, porque a parte que fica é a carne. O feijão de corda deve estar inteiro e com coloração viva; grão velho demora mais para cozinhar e não desfaz igual. Se a praça não tiver cascudo, o mesmo caldo funciona com carpa, tilápia ou pacu. Como harmonização, o caldo combina com cerveja escura, vinho tinto leve ou café na hora, porque o sabor do feijão pede acompanhamento sem açúcar.
Tire suas dúvidas
Qual a diferença entre cascudo e tambicu?
São nomes diferentes para o mesmo peixe de água doce de armadura. O tambicu é o nome mais usado no Nordeste, e o cascudo é o nome genérico da família dos loricariídeos. Na bacia do São Francisco, o Pterygoplichthys etentaculatus é o cascudo do rio, e o corte da carne muda entre o frito e o guisado.
Posso substituir o cascudo por outro peixe?
Sim, e a receita continua funcionando. Carpa, tilápia e pacu aceitam o mesmo tempero e o mesmo cozimento no caldo de feijão de corda. O cascudo tem carne mais firme e menos espinhas, então o peixe substituto precisa ser bem cozido e servido com cuidado na hora de espiar.
Preciso deixar o cascudo de molho antes de cozinhar?
Não é obrigatório. A marinada de 15 minutos com limão, alho, sal e pimenta-do-reino serve para tirar o cheiro de fundo de rio e amaciar levemente. Deixar por horas nessa marinada deixa a carne borrachuda, porque o ácido começa a cozinhar a superfície do peixe.
Por que o feijão de corda precisa cozinhar antes do peixe?
Porque o feijão de corda leva cerca de 25 minutos na pressão e o peixe precisa de no máximo 12 minutos no caldo. Se entrarem juntos, o peixe desmancha antes de o feijão dar o ponto. Cozinhando o feijão antes, cada etapa respeita o ponto do seu ingrediente.
O que é o pirão de mandioca nesse caldo?
É a própria mandioca cozida desfeita dentro do caldo, no final do preparo. Ela engrossa o caldo e dá aquela consistência de pirão do Sertão, sem farinha, creme de leite ou manteiga. Se o caldo estiver ralo, esmague parte da mandioca com as costas da colher.
O cascudo precisa de marinada de 12 horas?
Não. A regra das 12 horas de marinada vale para caça nativa de médio porte, como paca e capivara, que tem fibra longa. Peixe de escamas como o cascudo se beneficia de marinada curta, de 15 minutos na geladeira, e de cocção lenta e coberta. Mais tempo de marinade só prejudica a textura da carne.
Que tempero combina com o caldo de cascudo?
Coentro fresco picado no final é o tempero mais tradicional do Sertão, junto com a pimenta de cheiro e o colorau. O alho e a cebola dourada formam a base do refogado. Se você não gosta de coentro, use só cebolinha e um toque de orégano, mas o sabor fica menos típico.
Como sei se o cascudo está no ponto?
Depois dos 12 minutos de cozimento na panela coberta, a carne se separa em lascas grandes ao toque do garfo, sem desmanchar no caldo. Se soltar lascas pequenas ao mexer, passou do ponto. O teste final é o cheiro: aroma de peixe fresco, e não de peixe velho.
O que servir junto com o caldo de cascudo?
Arroz branco, feijão de corda na missô, pirão de aipim e uma salada de folhas com limão são os acompanhamentos mais comuns. Como bebida, cerveja escura ou vinho tinto leve combinam com o feijão. Em dia de festa, o caldo vira base para um pirão grande com queijo coalho em cubos, como na mesa dos engenhos.
Posso fazer o caldo na pressão?
Você pode usar a pressão só para o feijão de corda. Depois disso, a panela comum é obrigatória, porque o peixe entra no caldo já cozido e não pode ficar sob pressão, já que a carne do cascudo se desfaz com o vapor forte. O tempo total continua em torno de 1 h 20.
Para outras receitas de panela com sabor do Sertão, veja o caldo de buraco com carne de sol e feijão de corda, o caldo de inhame com charque e cheiro-verde e a sopa de broto de bambu com carne seca e queijo coalho. Para acompanhar o jantar com uma leguminosa leve, a sopa de grão-de-bico com batata-doce e cominho é outra opção rápida.
Antes de comprar peixe fresco na região, confira os defesos vigentes no Brasil publicados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e a lista de municípios afetados.

