Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Modo de preparo
- Por que o leite amacia o peixe
- Como servir e variações regionais
- Conservação e reaproveitamento
- Curiosidades e números oficiais
- Tire suas dúvidas
- O que é a pescada à Gomes de Sá?
- Posso fazer com outro peixe no lugar da pescada?
- Por quanto tempo o peixe deve ficar no leite?
- Preciso salgar o peixe antes de temperar?
- O peixe pode ser congelado antes do preparo?
- Posso substituir azeitonas pretas por verdes?
- Qual é o ponto certo de cozimento?
- Dá para preparar a receita um dia antes?
- Que acompanhamento combina com a pescada à Gomes de Sá?
- Por que o prato se chama Gomes de Sá?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. A pescada à Gomes de Sá é o almoço de família do litoral alagoano: peixe de carne firme amaciado no leite, refogado com azeite, cebola, alho e azeitonas pretas, finalizado com coentro, salsa e pimenta-do-reino. É a versão nordestina de um prato que nasceu no Porto, em Portugal, e que aqui virou a mesa de domingo dos pescadores, entre Penedo e Coruripe.
Servida com arroz branco soltinho, pirão de aipim e salada de folhas, a pescada à Gomes de Sá leva cerca de 2 h 20 min do começo ao fim, boa parte desse tempo reservada ao descanso do peixe no leite. Rende 4 porções generosas, cabe na panela larga de pressão caseira e não exige ingrediente difícil de achar. Acompanhe a receita completa, com tabela de medidas, passo a passo e as respostas para as dúvidas mais comuns sobre o prato.
Ingredientes
A pescada à Gomes de Sá pede um peixe branco de carne firme, que segura o cozimento sem desmanchar. A tabela abaixo usa uma pescada de cerca de 1,5 kg já limpa; se comprar o peixe inteiro, peça ao peixeiro para escamar e limar, mas mantenha a pele, porque ela protege a carne durante a cozedura lenta e solta menos.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Pescada limpa | 1,5 kg | Peixe branco de carne firme, em postas grandes ou filés. Evite o tilápia, que desmancha. |
| Leite integral | 1 litro | Para o molho. Reserve 1/2 xícara antes de escorrer o peixe. |
| Limão-taiti | 1 unidade | Em rodelas, para o leite do amaciamento. |
| Azeite de oliva | 4 colheres (sopa) | Base do refogado. Use extravirgem de sabor frutado. |
| Cebola | 2 unidades médias | Picadas grosseiramente, para dar corpo ao molho. |
| Alho | 4 | Amassados e sem a pele, para o fim do refogado. |
| Azeitonas pretas | 120 g | Escuras ou sem caroço. As salgadas dão o sal do prato. |
| Leite da marinada | 1/2 xícara | Separado antes de escorrer, é o que dá cremosidade ao molho. |
| Coentro picado | 1/2 xícara (30 g) | Use só as folhas. Ajuste no final, fora do fogo. |
| Salsa ou cebolinha | 2 colheres (sopa) | Segunda camada de verde, mais delicada que o coentro. |
| Cheiro-verde | 2 colheres (sopa) | Opcional, só se achar. Dá frescor ao molho. |
| Pimenta-do-reino moída | 1/2 colher (chá) | A regra original não leva, mas combina com a carne do peixe. |
| Sal | A gosto | Prove antes de salgar, porque as azeitonas já são salgadas. |
| Pimenta-do-reino em grãos | 1/2 colher (chá) | Moída na hora, para temperar o peixe antes do leite. |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de amaciamento no leite: 1 h 30 a 2 h. Tempo de cozimento: 25 min. Tempo total: 2 h 20 min. Rende 4 porções.
Modo de preparo

O ponto que decide o prato é o descanso do peixe no leite. Ele vem da versão original, que mandava amaciar as lascas de bacalhau em leite por cerca de uma hora e meia a duas horas, e funciona do mesmo jeito com peixe fresco. O leite amacia as fibras e o molho ganha corpo sem precisar de farinha nem de creme de leite.
- Se a pescada vier inteira, peça ao peixeiro para escamar, eviscerar e tirar as guelras, mas mantenha a pele. Se vier em postas ou filés, confira se não há espinhas soltas na carne.
- Lave as postas em água corrente e seque bem com papel toalha. Tempere com o sal e a pimenta-do-reino em grãos moída na hora, distribuindo dos dois lados.
- Coloque o leite integral em uma tigela funda o bastante para acomodar o peixe, acomode as postas e cubra com as rodelas de limão. Deixe na geladeira por 1 h 30 a 2 h. Não deixe de molho por mais tempo que isso, porque a carne começa a perder firmeza.
- Na hora de cozinhar, escorra o peixe guardando o leite, separe 1/2 xícara dele e seque cada posta com papel toalha. O leite da marinada não precisa ser descartado, rende um caldo leve e sem gosto forte.
- Na panela larga, aqueça 2 colheres de azeite em fogo médio e refogue a cebola picada por 4 a 5 minutos, até ficar translúcida e levemente dourada. Junte o alho amassado e as azeitonas pretas e mexa por mais 1 minuto.
- Acrescente as postas do peixe sobre o refogado, sem empilhar. Regue com a 1/2 xícara do leite reservada e com a mesma medida de leite integral fresco. A carne deve ficar quase submersa; se o peixe for alto, vire as postas na metade do cozimento.
- Cozinhe em fogo baixo, com a tampa semiaberta, por 20 a 25 minutos. Mexa com cuidado uma vez, na metade do tempo, e nunca com colher, para não quebrar a carne. O molho engrossa sozinho conforme a água ferve.
- Desligue o fogo, junte o coentro picado, a salsa, o cheiro-verde e a pimenta-do-reino moída. Mexa delicadamente e finalize com um fio de azeite cru.
- Deixe descansar 10 minutos na panela antes de levar à mesa. O descanso deixa o molho se acomodar sobre a carne e evita que o peixe esfrie rápido demais na travessa.
Por que o leite amacia o peixe
O leite amacia a carne por ação da caseína, a proteína que fica em suspensão no líquido e age de forma lenta sobre as fibras do peixe. Na receita original, as lascas de bacalhau passavam uma hora e meia a duas horas no leite antes do cozimento. Com peixe fresco, o mesmo descanso funciona, sem o risco de desmanchar, porque a carne da pescada é mais firme que a do bacalhau salgado.
O segundo efeito é no molho. Como o leite entra quente junto com o azeite e a cebola, a caseína emulsiona os dois e forma um molho sedoso, sem farinha, sem creme de leite e sem natas. Por isso o prato tem cara de receita simples e termina com consistência de receita de restaurante.
Como servir e variações regionais
A pescada à Gomes de Sá é servida como prato principal, com o peixe no centro da travessa e o molho regado sobre o arroz branco. No litoral alagoano, o acompanhamento clássico é o pirão de aipim cozido no mesmo caldo do peixe, o que dá liga ao prato. Farofa de manteiga, feijão verde refogado e uma salada de folhas com azeite completam a mesa.
As variações regionais mantêm a técnica e mudam o peixe ou o tempero. Em Pernambuco e na Bahia, a mesma base aparece com o peixe-pombo, o Haemulon plumierii, também chamado de biquara, que vive no Atlântico ocidente. Versões baianas usam açafrão, corante que dá cor e aroma de terra ao molho, e às vezes leite de coco. Quem não acha pescada pode usar robalo, namorado ou outro peixe branco de carne firme, mantendo o mesmo tempo de cozimento.
Conservação e reaproveitamento
Guarde o peixe com o molho em recipiente fechado na geladeira, por até 3 dias. Depois desse prazo, o peixe perde firmeza e o molho pode amaciar demais. Para reaquecer, faça em fogo baixo, com a tampa fechada e sem mexer, para a carne não quebrar. O peixe desfiado e levantado do molho rende uma farofa servida na tapioca ou como petisco de festa.
O maior aproveitamento está nas aparas: se você fez a pescada inteira, guarde as aparas e as cabeças em sacola própria, congele e use depois para um caldo de peixe ou uma sopa. Congele o molho em porções de 200 ml, para manter a textura.
Curiosidades e números oficiais
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, cerca de 44 mil pescadores são beneficiados em Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Minas Gerais e Bahia, e mais de 150 milhões de alevinos já foram distribuídos para a revitalização do Rio São Francisco e a manutenção dos estoques pesqueiros. A bacia do São Francisco atravessa Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, e um estudo publicado em 2022 catalogou 304 espécies de peixes na região.
O nome do prato vem de José Luís Gomes de Sá Júnior, comerciante de bacalhau nascido no Porto, que vendeu a receita ao cozinheiro de um restaurante da Ribeira com o aviso de que, se alterasse qualquer coisa, o prato deixaria de ser capaz. A versão que desceu de Lisboa para o Nordeste mudou o bacalhau por peixe fresco, e é essa que se serve hoje no litoral alagoano.
Leia a notícia oficial sobre a pesca artesanal no Rio São Francisco, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Para conferir o número de municípios do seu estado, consulte a API de localidades do IBGE. A ficha taxonômica do peixe-pombo está no registro do WoRMS, o catálogo mundial de espécies marinhas.
Tire suas dúvidas
O que é a pescada à Gomes de Sá?
É um prato de peixe branco refogado com azeite, cebola, alho e azeitonas pretas, em que o peixe fica de molho no leite antes do cozimento. A técnica vem do bacalhau à Gomes de Sá, clássico do Porto, e chegou ao Nordeste brasileiro na versão feita com peixe fresco da costa.
Posso fazer com outro peixe no lugar da pescada?
Sim. A pescada é a mais tradicional, mas robalo, namorado, cherne ou outro peixe branco de carne firme funcionam bem. O que não substitui é o peixe de carne mole, como tilápia, porque ele desmancha no cozimento longo e não sustenta o molho.
Por quanto tempo o peixe deve ficar no leite?
De 1 h 30 a 2 h na geladeira, com rodelas de limão. Esse é o tempo da receita original para o bacalhau e funciona igual para o peixe fresco. Passando disso, a carne perde firmeza e o benefício do amaciamento se inverte.
Preciso salgar o peixe antes de temperar?
Não. Se o peixe for muito grande, uma hora de sal em água gelada ajuda, mas o método tradicional dispensa esse passo, porque o leite e as azeitonas salgadas já dão o tempero certo ao prato.
O peixe pode ser congelado antes do preparo?
Pode, desde que descongelado no refrigerador, nunca em água ou em temperatura ambiente. Congelado e descongelado da forma errada, o peixe perde a firmeza da carne e o prato não rende o mesmo. Para a melhor textura, compre o peixe fresco do dia.
Posso substituir azeitonas pretas por verdes?
Pode, mas muda o perfil do prato. As pretas salgadas dão o sal e o sabor defumado que equilibra o molho. Se usar as verdes, que são mais suaves, incremente o sal na hora do refogado e acrescente uma pitada de pimenta.
Qual é o ponto certo de cozimento?
Coza em fogo baixo por 20 a 25 minutos, com a tampa semiaberta. A carne deve estar firme, mas se separar em lascas grandes ao ser tocada com a espátula, está no ponto. Cozimento mais rápido e em fogo forte deixa a carne seca por fora e crua no centro.
Dá para preparar a receita um dia antes?
Dá, e o resultado fica até melhor, porque o peixe absorve mais o molho durante o descanso na geladeira. Guarde em recipiente fechado, com o molho por cima, e aqueça em fogo baixo na hora de servir, sem mexer com colher.
Que acompanhamento combina com a pescada à Gomes de Sá?
Arroz branco soltinho, pirão de aipim cozido no caldo do peixe, farofa de manteiga e uma salada de folhas com azeite são as combinações mais tradicionais do litoral. O arroz de camarão seco e o dendê também combinam, mas mudam o prato para uma versão mais recôncavo.
Por que o prato se chama Gomes de Sá?
Em homenagem a José Luís Gomes de Sá Júnior, comerciante de bacalhau do Porto que criou a receita original e a vendeu a um cozinheiro amigo com o aviso de que nenhuma alteração deveria ser feita. No Nordeste, o nome foi mantido mesmo depois da troca do bacalhau pelo peixe fresco da costa.
Para outras receitas do mesmo clima, veja o arroz de pitu à pernambucano, o moqueca de camarão com manga e leite de coco, a piau assado na brasa com pirão de aipim e a caldeirada de robalo com pirão.

