Índice do Conteúdo
- Ingredientes do Carreteiro de Costela
- Modo de preparo do Carreteiro de Costela
- De onde vem o Carreteiro Gaúcho
- Como acertar o Carreteiro de Costela em casa
- Variações Regionais do Carreteiro
- Como Servir e Conservar o Carreteiro
- Tire suas dúvidas
- Posso usar costela congelada?
- Preciso usar toucinho defumado?
- Qual o melhor tipo de arroz para o carreteiro?
- Quanto tempo de fogo baixo para o arroz ficar soltinho?
- Posso cozinhar a costela na panela de pressão?
- Como reaproveitar sobras do carreteiro?
- Posso fazer o carreteiro sem arroz para servir com outra base?
- Carreteiro de Costela pode virar marmita para o trabalho?
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em julho de 2026. O Carreteiro de Costela no Tacho nasceu nas viagens tropeadas do Rio Grande do Sul, quando a carne de sol e a costela bovina descansavam em panelões de ferro ao lado do fogo de chão, junto com arroz, cebola, alho e louro para render mais gente na mesa da estância. Hoje a receita vira almoço de sábado no frio de julho, em panela grossa, com a carne desfiando solta e o arroz soltinho puxado no caldo da própria costela.
Para acertar, três detalhes importam mais que o resto: costela bovina fresca cortada em pedaços pequenos com osso (o osso é o que dá sabor ao arroz), selar bem a carne antes de juntar o líquido (sem isso o carreteiro fica apagado), e respeitar a proporção de duas medidas de líquido para uma de arroz, sempre usando o caldo que sai da carne (nunca água pura solta). O resultado é um prato único, fartura para 8 pessoas, e serve como almoço principal ou jantar nos dias gelados da Campanha e da Serra Gaúcha.
Ingredientes do Carreteiro de Costela
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Costela bovina fresca (com osso) | 1,6 kg | cortada em pedaços pequenos de 4 cm, com gordura |
| Arroz agulhinha (ou cateto) | 2 xícaras (chá) | lavado e escorrido |
| Cebola | 3 unidades médias | picadas em cubos pequenos |
| Alho | 6 dentes médios | picados finos |
| Toucinho defumado (ou bacon) | 150 g | em cubos pequenos |
| Extrato de tomate | 2 colheres (sopa) | para dar cor de panela tropeira |
| Louro | 3 folhas médias | seco ou fresco |
| Cheiro-verde (salsinha e cebolinha) | 1 maço médio | picado fino |
| Sal grosso | 1 colher (sopa) | ajustar no final |
| Pimenta-do-reino preta | 1 colher (chá) | moída na hora |
| Azeite de oliva | 3 colheres (sopa) | para o refogado inicial |
| Água quente | 4 xícaras (chá) | para o cozimento do arroz |
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 65 minutos.
tempo total: 90 minutos.
Rende 8 porções fartas (acompanhamento clássico: chimichurri gaúcho e salada de couve com limão).
Modo de preparo do Carreteiro de Costela

- Corte a costela em pedaços pequenos de cerca de 4 cm, mantendo o osso e uma parte da gordura. Tempere com sal grosso e pimenta-do-reino preta moída na hora, e reserve por 15 minutos em temperatura ambiente.
- Leve o tacho de ferro (ou panela grossa de fundo largo) ao fogo alto com o azeite e o toucinho em cubos. Deixe o toucinho dourar até derreter parte da gordura e ficar crocante na borda. Retire os cubos com uma escumadeira e reserve.
- No mesmo tacho, com a gordura do toucinho mais o azeite, sele os pedaços de costela em fogo forte, sem mexer por 2 minutos de cada lado, até formar uma crosta dourada escura. Retire a carne e reserve na tigela com o toucinho.
- Diminua o fogo para médio e junte a cebola picada na gordura que sobrou no tacho. Refogue por 6 minutos, mexendo de vez em quando, até a cebola ficar translúcida e começar a caramelizar nas bordas.
- Acrescente o alho picado e o extrato de tomate, mexendo bem por 2 minutos, raspando o fundo do tacho para soltar os pedacinhos queimados da carne (é esse fundo que dá o sabor escuro do carreteiro).
- Volte a costela e o toucinho reservado para o tacho, adicione as folhas de louro e complete com 4 xícaras de água quente. Tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por 40 minutos, até a carne ficar macia e soltar do osso quando puxada com o garfo.
- Acrescente o arroz lavado, espalhe de forma uniforme sobre o líquido, mexa só uma vez para nivelar e mantenha em fogo baixo com a tampa entreaberta. Cozinhe por 20 minutos sem mexer, até o arroz ficar cozido e o caldo ser quase todo absorvido (se necessário, adicione mais ½ xícara de água quente).
- Desligue o fogo, mantenha a tampa e deixe o tacho em repouso por 5 minutos. Polvilhe o cheiro-verde picado, acrescente os cubos de toucinho crocante reservado por cima e ajuste o sal antes de servir direto do tacho, com a colher de pau.
De onde vem o Carreteiro Gaúcho
O Carreteiro nasceu nos pousos das tropas de mulas que ligavam a Campanha Gaúcha ao porto de Rio Grande, no século XVIII e XIX. As tropas de gado e charque vinham do Sul e atravessavam o estado com tropeiros como Jesus, Bento e Araújo, que precisavam alimentar 10 a 12 peões por dia em panelões só de água, sal e carne de sol sobrante. Quando paravam nas estâncias para descanso, a receita ganhava cebola, alho e toucinho defumado, mais o arroz que começou a aparecer nas mesas gaúchas no fim do século XIX, trazido pelos imigrantes açorianos da fronteira.
O prato virou marcador de identidade: carreteiro se fazia em tacho de ferro, com fogo de chão no início e, hoje, na chama baixa do fogão a lenha da estância. A versão com costela bovina fresca em pedaços pequenos é a mais comum nos almoços de sábado em julho, porque a carne de osso longo solta mais sabor no arroz do que a carne de sol pura, e o tempo de 65 minutos de cozimento deixa tudo macio sem a etapa prévia da dessalga. Quem prefere a rota do charque encontra o mesmo perfil de sabor no Sarrabulho Gaúcho com Charque e Feijão Preto, cozido de estância que puxa fundo de panela parecido. Em cidades como Bagé, Santana do Livramento, Dom Pedrito e na fronteira com a Argentina (Salsa, La Cina, Cuchilla de la Estancia), o carreteiro segue sendo prato de estância: o tacho vai à mesa, cada um se serve, e o resto da comida gira em torno do arroz com carne.
Como acertar o Carreteiro de Costela em casa
O segredo principal é o fogo. Selar a costela em fogo alto, sem mexer, forma a crosta dourada que dá profundidade ao caldo. Cozinhar o arroz em fogo baixo, com tampa entreaberta, garante o grão soltinho sem empapado. E descansar o tacho fora do fogo por 5 minutos antes de servir firma o arroz (se servir quente demais, o grão fica mole e úmido demais).
Para o corte da costela, peça ao açougueiro para picar em pedaços com osso com cerca de 4 cm, mantendo 1 cm de gordura em cada pedaço. A gordura e o tutano do osso soltam sabor no cozimento lento e o arroz fica bem mais untuoso sem precisar adicionar creme ou manteiga no final. Se preferir menos gordura, retire o excesso visível antes de selar.
Para quem busca mais inspiração de inverno com peixe de rio e caldo engrossado, vale conferir também o Caldo de Surubim à Moda do Pantanal Mineiro, outro prato de panela grossa com perfil parecido de caldo longo e carne que desfiando no fundo.
Use arroz cateto (gaúcho) se encontrar, porque o grão curto absorve melhor o caldo da carne sem quebrar. O arroz agulhinha funciona também, mas fica mais solto e pede ½ xícara a menos de água. Evite arroz parboilizado (o sabor industrial não combina com o caldo de costela fresco).
Variações Regionais do Carreteiro
Em Quaraí e Barra do Quaraí, na fronteira com o Uruguai, o carreteiro recebe um toque de cominho e páprica defumada, lembrando o arroz com carne dos pagos uruguaios. Em Pelotas e Canguçu, o prato vira carreteiro de charque (sem costela fresca) e é servido com rodelas de ovo cozido por cima, tradição que vem do charque queijosonado da região. Em São Borja e São Luiz Gonzaga, na fronteira missioneira, a versão traz pimentão vermelho cortado em tiras finas e um toque de orégano fresco, herança dos jesuítas guaranis que cozinhavam arroz com carne desde o século XVII nas reduções.
Outra variação comum nas estâncias da Campanha é o carreteiro de costela com abóbora cabotiá: depois de selar a carne, acrescenta-se 1 xícara de cubos de abóbora junto com o arroz, que derrete no cozimento e dá um creme alaranjado ao redor do grão. O sabor fica mais adocicado e combina muito bem com chimichurri bem apimentado na hora de servir. Quem prefere trocar o arroz por creme de abóbora completo vai encontrar o mesmo perfil de fundo de panela no Caldo de Cabras Nordestino com Carne Seca e Jerimum, outro prato de panela grossa e fundo longo que segura bem o frio de julho.
Como Servir e Conservar o Carreteiro
Sirva o Carreteiro de Costela direto do tacho, na mesa da sala de almoço em julho. Acompanhe com chimichurri gaúcho (salsinha, alho, azeite, vinagre de vinho tinto, orégano e pimenta-malagueta), couve fatiada em tiras finas refogada com alho, e salada de tomate com cebola roxa e azeite. Para beber, vinho tinto da Campanha (uvas Tannat ou Cabernet Sauvignon) ou erva-mate quente na cuia durante o almoço. Em noites mais geladas, troque o vinho tinto por um Caldo de Cabrito Nordestino com Mandioca como segundo tempo: o caldo entra como abre-alas e o carreteiro vem logo em seguida, formando sequência de panela que combina muito com o frio do meio de julho.
O Carreteiro de Costela fica ainda melhor no dia seguinte, depois de descansar na geladeira por uma noite. Aqueça em fogo baixo com uma colher de água, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo. Em geladeira, dura até 3 dias bem tampado. Para congelar, separe em porções individuais em potes de vidro com tampa (não encha até a boca, porque o arroz expande ao congelar); dura até 3 meses no freezer. Descongele na geladeira de um dia para o outro e reaqueça com 2 colheres de água por porção.
Tire suas dúvidas
Posso usar costela congelada?
Sim, costela congelada funciona bem no Carreteiro de Costela, desde que descongele por completo na geladeira de um dia para o outro (nunca em temperatura ambiente, para não perder suco da carne). Seque bem os pedaços com papel toalha antes de selar, porque a umidade da carne descongelada impede a crosta dourada e o sabor do caldo enfraquece.
Preciso usar toucinho defumado?
O toucinho defumado dá a identidade tropeira do prato, mas pode ser substituído por bacon em cubos com a mesma quantidade (150 g). Em versão mais leve, use 3 colheres de azeite e dispense o toucinho, embora o sabor fique menos marcante. Outra opção é linguiça calabresa fresca em rodelas, retirando a tripa.
Qual o melhor tipo de arroz para o carreteiro?
O arroz cateto (crioulo, gaúcho) é a escolha mais tradicional do Carreteiro de Costela porque o grão curto absorve o caldo sem quebrar. O arroz agulhinha funciona, só precisa de ½ xícara a menos de água na etapa final. Evite arroz parboilizado (sabor industrial não combina com o caldo de osso) e arroz basmati (perfume que conflita com a carne).
Quanto tempo de fogo baixo para o arroz ficar soltinho?
Depois de acrescentar o arroz no caldo da costela, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo com tampa entreaberta, sem mexer. Se o arroz ainda estiver duro no centro, adicione ½ xícara de água quente e cozinhe mais 5 minutos. O ponto certo é o grão cozido mas firme, com o líquido quase todo absorvido.
Posso cozinhar a costela na panela de pressão?
Pode, mas o Carreteiro de Costela perde um pouco da identidade porque a carne desfia demais e o arroz fica empapado. Para adaptação rápida, cozinhe a costela sozinha na pressão por 25 minutos, depois siga a receita normal a partir da etapa 5 (refogado de cebola e alho). O resultado é mais rápido, mas o sabor do tacho é mais concentrado.
Como reaproveitar sobras do carreteiro?
O Carreteiro de Costela do dia seguinte fica mais saboroso, mas se sobrar muito, transforme em bolinho de carreteiro: molde porções pequenas com as mãos, empane em farinha de trigo, ovo e farinha de rosca, e frite em óleo quente até dourar. Serve como petisco de chimarrão ou entrada de churrasco com 8 a 10 bolinhos por porção.
Posso fazer o carreteiro sem arroz para servir com outra base?
Sim, basta pular a etapa 7 do modo de preparo e, depois da costela cozida no caldo, servir como cozido com polenta cremosa, batata cozida ou aipim cozido com manteiga e cheiro-verde. O líquido da carne vira molho natural e funciona como base para qualquer acompanhamento que aceite caldo encorpado.
Carreteiro de Costela pode virar marmita para o trabalho?
Pode, e é uma das melhores marmitas de inverno: aqueça no micro-ondas em potência média por 2 minutos, mexa na metade do tempo e aqueça mais 1 minuto. O arroz firma bem depois de frio e o sabor do caldo de costela intensifica. Em pote de vidro com tampa, dura 3 dias na geladeira sem perder textura.

