Índice do Conteúdo
- Ingredientes
- Modo de preparo
- Como servir e variações regionais
- Conservação e reaproveitamento
- Curiosidades sobre o palmito
- Dicas de compra, substituições e harmonização
- Tire suas dúvidas
- O que é palmito juçara e por que ele é diferente do palmito comum?
- Como faço para dessalgar a carne de sol sem deixar ela salgada?
- Posso usar palmito de pupunha no lugar do de juçara?
- Dá para fazer o refogado sem carne de sol?
- Qual é o melhor acompanhamento para o palmito juçara?
- Posso preparar o refogado de palmito juçara na véspera?
- Como sei se o palmito juçara está bom para comprar?
- Posso fazer essa receita sem pimenta de cheiro?
- Fontes e receitas relacionadas
🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em novembro de 2026. O refogado de palmito juçara com carne de sol é o almoço de panela do Médio Mearim, no Maranhão, e se prepara em quarenta minutos. A carne de sol dessalgada e desfiada entra no fim, quente, para dourar, e o palmito juçara, um cilindro branco e macio do centro da palmeira, dá a base cremosa do prato. O resultado é uma mistura doce e salgada, temperada com coentro, pimenta de cheiro e caldo da própria carne.
O palmito juçara é a parte interna da palmeira juçara, nativa da Mata Atlântica. No Maranhão ele é ingrediente de mesa, e a Wikipédia registra que a juçara é muito apreciada pelos maranhenses, consumida com farinha, camarão, peixe, carne de sol ou em suco e sorvete. Chapadinha, no Médio Mearim, é um dos pontos de produção do palmito na região, e faz parte dos 217 municípios do Maranhão segundo a API do IBGE.
Tempo de preparo: 40 minutos, com 20 minutos de dessalgagem da carne e 15 minutos de refogado final. Rendimento: 4 porções. Categoria: Pratos Regionais.
Ingredientes
Separe tudo antes de acender o fogo, porque o refogado é rápido. A carne de sol precisa de dessalgagem prévio, e o palmito precisa estar escorrido depois de cozido ou de conserva.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Palmito juçara | 500 g | em tiras finas, já cozido ou em conserva escorrida |
| Carne de sol | 300 g | dessalgada em água fria e desfiada |
| Cebola | 2 unidades médias | uma em cubos, a outra picada |
| Alho | 4 dentes | amassados |
| Coentro fresco | 1/2 xícara | choppado, metade no refogado e metade na finalização |
| Pimenta de cheiro | 1/2 colher (chá) | picada, sem as sementes |
| Vinagre | 1 colher (sopa) | para temperar a carne de sol |
| Azeite ou óleo de babaçu | 2 colheres (sopa) | para o refogado |
| Caldo da carne | 1/2 xícara | reservado do cozimento da carne de sol |
| Farinha d’água | 4 colheres (sopa) | para servir à parte |
| Cheiro-verde | 1/4 xícara | cebolinha verde picada |
| Sal e pimenta-do-reino | a gosto | ajuste no final |
Modo de preparo

O preparo segue quatro etapas: dessalgar a carne, refogar a base aromática, cozinhar o palmito no caldo e dourar a carne de sol. Isso evita o erro mais comum, jogar a carne cedo e deixá-la ressecar no fundo da panela.
- Dessalgue a carne de sol. Corte 300 g em tiras médias, cubra com água fria e leve ao fogo até ferver. Descarte a primeira água, que concentra o sal, troque por limpa e repita. Deixe a carne descansar 20 minutos, escorra e reserve uma xícara do líquido da última fervura, que é o caldo do refogado. Esfie com as mãos.
- Refogue a base aromática. Em uma frigideira funda, aqueça o azeite ou o óleo de babaçu em fogo médio. Refogue a cebola em cubos até ficar translúcida e dourada, cerca de 4 minutos. Junte o alho amassado e a pimenta de cheiro picada e mexa por mais 1 minuto, só até perfumar, sem escurecer o alho.
- Cozinhe o palmito no caldo. Acrescente o palmito juçara em tiras, misture para involvear o refogado e despeje a xícara de caldo. Cozinhe em fogo médio por 8 a 10 minutos, mexendo, até o palmito ficar macio e o caldo engrossar. Ajuste o sal, lembrando que a carne de sol ainda vai temperar o prato.
- Doure a carne de sol e finalize. Com o fogo alto, junte a carne de sol desfiada e seca e mexa por 2 a 3 minutos, só até dourar. Desligue, junte metade do coentro, o cheiro-verde e o vinagre e sirva em seguida, com a farinha d’água à parte.
Como servir e variações regionais
O refogado acompanha a farinha d’água, a farinha de mandioca puba da mesa maranhense, servida em tigelas individuais para cada comensal montar o próprio prato. O palmito aceita bem queijo coalho em cubos ou camarão cozido. Para um almoço de família, o feijão com a carne de sol desfiada resolve a mesa.
Se você não tem carne de sol, o mesmo refogado funciona com carne de charque dessalgado ou com carne de panela desfiada, ajustando o sal e o tempo de dessalgagem conforme o produto. Uma versão mais leve troca a carne por ovo mexido e dispensa o caldo, servindo com arroz branco e farinha. A base aromática de cebola, alho, pimenta de cheiro e coentro amarra todas as versões.
Conservação e reaproveitamento
O refogado se conserva de 3 a 4 dias na geladeira, em recipiente fechado, e deve ser aquecido bem antes de servir, porque a carne de sol pede fervura para eliminar o excesso de sal. Para congelar, faça sem o coentro, que perde o aroma, e use recipiente com tampa para evitar a cristalização do caldo. Descongele na geladeira e aqueça em fogo baixo com um pouco de água, mexendo, até o caldo ficar cremoso.
A carne de sol crua pode ficar na geladeira por até uma semana, bem coberta, e só deve ser dessalgada na hora de usar. A farinha d’água é o acompanhamento que mais sofre: prepare só a quantidade que será consumida, porque uma vez hidratada e temperada a farinha não volta ao estado de pó.
Curiosidades sobre o palmito
O palmito é a região próxima ao meristema apical, no interior dos pecíolos das folhas de determinadas palmeiras. Segundo a Wikipédia, é um cilindro branco com primórdios foliares e vasculares, ainda macios e pouco fibrosos, conservado em salmoura e cozido em diversas receitas. A palmeira juçara, também chamada de içara, jiçara, palmito-doce e ripeira, é nativa da Mata Atlântica e pode chegar a 18 metros de altura e 15 centímetros de diâmetro, com uma bainha verde de cerca de 1,5 metro chamada capitel, onde fica o palmito.
Um detalhe importante: a extração do palmito elimina o meristema apical e mata a palmeira, por isso a juçara está ameaçada de extinção, segundo a Wikipédia. O MMA trata da biodiversidade e dos biomas em seu portal sobre florestas e vegetação nativa. Uma alternativa que mantém a palmeira viva é o uso dos frutos, processados em peneiras numa bebida parecida com o açaí do Norte, chamada juçaí. As duas opções aparecem no cardápio maranhense: a carne de sol com palmito e o açaí de juçara em suco e sorvete.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Na hora de comprar, escolha o palmito juçara em conserva ou cozido, de cor branca uniforme e corte firme. A conserva em salmoura é a forma mais fácil de encontrar no comércio. Se comprar o palmito in natura, é preciso cozinhar em água com sal por cerca de 40 minutos para amaciar. Para a carne de sol, prefira a peça em fatias finas, de cor avermelhada uniforme e sem odor forte demais.
Para harmonizar, o prato pede bebida leve e gelada, como o suco de juçara que os maranhenses tomam de manhã. A acidez do palmito funciona muito bem com o picante: a pimenta de cheiro é obrigatória no prato maranhense, e uma pitada de malagueta traz o acento nordestino. Evite o coentro em excesso, porque o sabor do coentro fresco é o que dá identidade ao refogado.
Finalize com azeite de babaçu, o azeite tradicional da mesa maranhense, comprado em Garibáldi, no Maranhão, ou em lojas de produtos nordestinos. Ele substitui o azeite de oliva sem descaracterizar o prato, porque o palmito já traz o próprio dulçor.
Tire suas dúvidas
O que é palmito juçara e por que ele é diferente do palmito comum?
O palmito é a parte interna e macia do centro da palmeira, e o palmito juçara vem da juçara, uma palmeira nativa da Mata Atlântica. A diferença está na qualidade: a juçara é a espécie mais procurada e rende um palmito de excelente qualidade, muito usado no Maranhão. É servido com farinha, camarão, peixe, carne de sol ou em suco e sorvete.
Como faço para dessalgar a carne de sol sem deixar ela salgada?
O método é trocar a água duas vezes. Cubra a carne em tiras com água fria e leve ao fogo até ferver, descarte essa água, que concentra o sal, e repita com água limpa. Deixe a carne descansar 20 minutos e escorra. Reserve uma xícara desse líquido, que dá sabor ao caldo do refogado.
Posso usar palmito de pupunha no lugar do de juçara?
Pode, e o resultado fica bom, mas o sabor muda. O palmito de pupunha é usado como alternativa para reduzir a ameaça sobre a palmeira juçara. Se usar pupunha, compense com mais alho e pimenta de cheiro, porque o sabor é mais suave.
Dá para fazer o refogado sem carne de sol?
Dá. O mesmo refogado funciona com charque dessalgado ou carne de panela desfiada, ajustando o sal e a dessalgagem. Uma opção mais leve é trocar a carne por ovo mexido, dispensando o caldo, e servir com arroz branco e farinha d’água.
Qual é o melhor acompanhamento para o palmito juçara?
A farinha d’água, que é a farinha de mandioca puba da mesa maranhense, servida em tigelas à parte. Cada comensal coloca a farinha no prato e rega com o caldo do refogado. Feijão guizado e carne moída também combinam, mas a farinha d’água puxa mais o sabor do palmito.
Posso preparar o refogado de palmito juçara na véspera?
Pode adiantar o refogado do palmito na véspera, sem o coentro, e guardar na geladeira. No dia, aqueça em fogo baixo, junte a carne de sol desfiada para dourar e finalize com o coentro fora do fogo. Congelado, o prato perde o aroma do coentro, que entra só no final.
Como sei se o palmito juçara está bom para comprar?
Observe a cor e o cheiro. O palmito em conserva deve ser branco ou creme, firme ao toque e sem odor forte. Descarte o produto amarelado ou com liquido turvo na embalagem.
Posso fazer essa receita sem pimenta de cheiro?
Pode, mas o prato perde o caráter maranhense, porque a pimenta de cheiro é o tempero que aparece na mesa do estado ao lado do coentro. Se não encontrar, use pimenta-do-reino branca e mais alho, mas espere um resultado mais genérico.
Fontes e receitas relacionadas
Os dados desta receita vêm de fontes que você pode conferir: a Culinária do Maranhão na Wikipédia, que descreve o consumo da juçara com farinha, camarão, peixe e carne de sol; o verbete Içara (palmeira), com as medidas da palmeira juçara e o alerta sobre a extinção; o verbete Palmito, que explica o que é o meristema apical e a morte do palmiteiro na extração; a API de localidades do IBGE, que confirma os 217 municípios do Maranhão; e a tabela 5457 do SIDRA/IBGE, sobre a produção agrícola municipal. Sobre o tema da espécie, veja também a página de florestas e vegetação nativa do Ministério do Meio Ambiente.
Se você gosta de pratos de panela com carne de sol, conheça o caldo de carne de sol com carau, o feijão mungo com carne de sol e a chaya refogada com carne de sol e ovos. Para quem prefere o palmito na forma doce, a muçamba de mocotó com carne de sol e macaxeira mostra outra saída para a carne curada.

