Angu com Carne de Moçambique Caiçara: o Jantar Catarinense para o Frio de Julho

Angu com Carne de Moçambique Caiçara: o Jantar Catarinense para o Frio de Julho
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 17/07/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaAngu cremoso com carne de Moçambique dessalgada, cozido em panela de ferro com fubá mimoso, cheiro verde e tomate. Jantar de julho no litoral catarinense.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
120 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Sopa

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
12 ingredientes
|
17 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes do angu com carne de Moçambique caiçara
  2. Modo de preparo da carne de Moçambique
  3. Modo de preparo do refogado
  4. Modo de preparo do angu cremoso
  5. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  6. Origem do prato no litoral catarinense
  7. Como servir o angu com carne de Moçambique
  8. Dicas de acerto da receita
  9. Variações do ângulo
  10. Tire suas dúvidas

Atualizado em julho de 2026.

O angu com carne de Moçambique caiçara é o jantar clássico do litoral catarinense nas noites frias de julho, feito com angu de fubá mimoso bem cremoso e carne de Moçambique cozida em panela de ferro com cheiro verde, cebola e tomate. A receita tem raiz nas Companhias de Moçambique, grupos de negros escravizados que mantinham práticas culturais no litoral sulista do século XVIII, e hoje aparece nas mesas de Laguna, Florianópolis, Garopaba, Penha e Bombinhas como prato de conforto no inverno. É comida de panela grossa, feita devagar, que rende bem para uma mesa de família no sábado à noite. Na nossa versão, mantemos o angu bem cremoso (mais molhado que o angu mineiro de colher) e a carne de Moçambique cozida com a carne salgada dessalgada do dia anterior. O resultado final tem sabor de comida caseira catarinense de verdade, com perfume de louro e cebola que toma conta da cozinha nos primeiros minutos de preparo.

Esta receita rende o suficiente para oito pessoas em canecão fundo, fica pronta em cerca de duas horas e meia e usa ingredientes de qualquer feira do litoral catarinense no inverno. Pode ser servida como jantar principal em noite de geada no balneário, ou como almoço de domingo chuvoso com pirão de farinha à parte.

Ingredientes do angu com carne de Moçambique caiçara

Ingrediente Quantidade Observação
Fubá mimoso (milho amarelo fino) 500 g para o angu cremoso
Carne de Moçambique (carne salgada de porco ou charque magro) 1 kg dessalgada por 24 horas
Cebola média 3 unidades médias picadas em cubos
Tomate maduro 4 unidades médias sem sementes, picados
Alho 6 dentes picados finos
Cheiro verde (salsinha e cebolinha) 1 maço médio picado
Folha de louro 3 unidades frescas ou secas
Óleo de soja ou azeite 4 colheres de sopa para o refogado
Sal grosso 1 colher de sopa ajustar ao final
Pimenta-do-reino moída na hora 1 colher de chá a gosto
Água quente 2 litros para o cozimento
Farinha de mandioca torrada 200 g para engrossar, opcional

Rende 8 porções generosas (canecão fundo).

Modo de preparo da carne de Moçambique

Delicious Brazilian beef stew with potatoes and green onions served in a bowl.
  1. Corte a carne de Moçambique em cubos médios de cerca de 3 centímetros, retirando o excesso de gordura visível.
  2. Coloque os cubos em uma tigela grande, cubra com água fria e deixe dessalgar na geladeira por 24 horas, trocando a água pelo menos três vezes (de manhã, de tarde e de noite).
  3. No dia seguinte, escorra a carne e reserve. Em uma panela de pressão grande, coloque a carne dessalgada, cubra com água fresca e leve ao fogo alto.
  4. Quando começar a ferver, tampe a panela de pressão, abaixe o fogo e cozinhe por 40 minutos contados a partir do início do chiado. Desligue o fogo e espere a pressão sair naturalmente antes de abrir.
  5. Retire a carne cozida com cuidado e reserve o caldo do cozimento (ele entra no angu). Desfie a carne em pedaços grandes com as mãos ou com dois garfos, descartando eventuais pedaços de gordura remanescentes.

Modo de preparo do refogado

  1. Em uma panela de ferro grande (ou frigideira funda), aqueça o óleo em fogo médio.
  2. Adicione a cebola picada e refogue por 5 minutos até ficar translúcida e começar a dourar nas bordas.
  3. Acrescente o alho picado e refogue por mais 1 minuto, mexendo sempre para não queimar.
  4. Junte o tomate picado e o louro. Cozinhe por 8 minutos em fogo médio, mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar e formar um molho grosso.
  5. Adicione a carne desfiada, tempere com pimenta-do-reino e metade do cheiro verde. Mexa bem para incorporar e refogue por 5 minutos para a carne pegar o sabor do molho. Reserve.

Modo de preparo do angu cremoso

  1. Na mesma panela de ferro (sem lavar), coloque 1 litro do caldo do cozimento da carne e leve ao fogo alto até ferver.
  2. Em uma tigela à parte, dissolva o fubá mimoso em 1 litro de água fria, mexendo bem para não empelotar.
  3. Quando o caldo estiver fervendo, abaixe o fogo para médio e despeje a mistura de fubá aos poucos, mexendo sempre com uma colher de pau no mesmo sentido.
  4. Mexa sem parar por 20 minutos, raspando o fundo da panela para não grudar. O angu deve ficar cremoso, mais molhado que o angu mineiro tradicional, com consistência de mingau grosso.
  5. Se o angu ficar muito grosso, acrescente mais caldo do cozimento aos poucos, em pequenas quantidades, até atingir o ponto cremoso. Se ficar muito fino, polvilhe a farinha de mandioca torrada aos poucos e mexa por mais 5 minutos.
  6. Acrescente a carne refogada reservada ao angu, misture bem e cozinhe por mais 10 minutos em fogo baixo para os sabores se fundirem.
  7. Desligue o fogo, retire as folhas de louro e finalize com o restante do cheiro verde e o sal grosso a gosto. Sirva imediatamente em canecão fundo.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 90 minutos.

tempo total: 2 horas e 30 minutos.

Rende 8 porções generosas (canecão fundo).

Origem do prato no litoral catarinense

A carne de Moçambique tem nome que vem das Companhias de Moçambique, grupos formados por negros escravizados que mantinham práticas culturais africanas no litoral sulista entre os séculos XVIII e XIX. Em cidades como Laguna, Florianópolis, São José e Palhoça, essas companhias se reuniam em datas religiosas e o cozido com carne de porco salgada, fubá e cheiro verde virou marcador cultural dessas celebrações. O angu, por sua vez, já era base da cozinha de subsistência catarinense desde o período colonial, preparado com fubá de milho plantado nas restingas e encostas da serra do mar.

No inverno catarinense, quando a temperatura cai em Garopaba, Penha, Bombinhas e nas comunidades caiçaras do norte da ilha de Florianópolis, a combinação angu com carne de Moçambique vira o jantar clássico de sábado à noite, servido em canecão grande com pirão de farinha de mandioca e café preto forte depois. É o tipo de comida que alimenta o corpo e aquece a conversa. Hoje, restaurantes caiçaras de Porto Belo, Itapema e Barra do Sul servem o prato como carro-chefe no cardápio de julho, mas a versão caseira, feita na panela de ferro herdada da avó, ainda é a melhor.

Como servir o angu com carne de Moçambique

Sirva o angu com carne de Moçambique bem quente, em canecão fundo, com uma concha generosa por pessoa. Acompanha muito bem pirão de farinha de mandioca feito à parte (farinha de mandioca torrada misturada com caldo da carne e cebola refogada), couve refogada no alho e uma rodela de laranja para refrescar entre as garfadas. Para a sobremesa, banana caramelada com açúcar e canela ou café preto forte com bolo de fubá.

Em mesa de pé na comunidade caiçara, o angu costuma ser acompanhado de cachaça de engenho do vale do Rio Tijucas, vinho quente com canela e cravo, ou cerveja artesanal de Blumenau. Acompanhamentos clássicos do litoral norte são a conserva de pimenta malagueta caseira e o azeite de oliva extra virgem catarinense de Rancho Queimado regado por cima no momento de servir.

Dicas de acerto da receita

O segredo do angu bem cremoso é mexer sem parar na fase de adicionar o fubá ao caldo. Se você parar mesmo por 30 segundos, o fubá gruda no fundo da panela e solta cheiro de queimado que compromete o prato inteiro. Reserve os 20 minutos de mexer como tempo sagrado.

Para a carne de Moçambique ficar saborosa, não puxe o tempo de dessalga. As 24 horas com troca de água três vezes são o que remove o sal sem deixar sabor residual. Se tiver pressa, troque a água a cada uma hora por seis horas, mas o resultado não é tão bom quanto as 24 horas.

O angu pode ficar mais grosso no dia seguinte, depois de esfriar. Na hora de reaquecer, adicione caldo de carne ou água quente aos poucos, em fogo baixo, até voltar à consistência cremosa. Nunca reaqueça em fogo alto, ele gruda no fundo.

Se não encontrar carne de Moçambique (chamada em algumas regiões de carne salgada magra de porco), substitua por charque magro de boa qualidade, também dessalgado por 24 horas. O sabor fica um pouco diferente, mas o resultado segue sendo cozido catarinense autêntico.

Variações do ângulo

Versão com pirão de peixe (comunidades caiçaras do norte): substitua metade da carne de Moçambique por pescada amarela ou corvina cozida e desfiada, e prepare pirão com o caldo do peixe engrossado com farinha de mandioca torrada.

Versão com batata doce (interior agreste de SC): adicione 300 gramas de batata doce descascada em cubos ao refogado. Cozinha junto com o tomate e desmancha um pouco, dando doçura natural e corpo extra ao angu.

Versão paraibana (Nordeste): adicione quiabo cortado em rodelas e maxixe no refogado, no estilo da carne de Moçambique paraibana que se vê em Campina Grande nos meses de julho. O angu fica mais encorpado e com pegada afro-brasileira mais marcada.

Versão vegana: substitua a carne de Moçambique por cogumelos shitake salgados (dessalgados por 4 horas) e adicione castanha de caju triturada no refogado. O angu fica com sabor umami surpreendente mesmo sem carne.

Tire suas dúvidas

O que é exatamente a carne de Moçambique?

É carne salgada de porco (ou charque de boi em algumas regiões), cortada em cubos e dessalgada antes do cozimento. O nome vem das Companhias de Moçambique, grupos culturais de origem afro-brasileira que se reuniam no litoral sulista nos séculos XVIII e XIX. Hoje o termo virou nome regional da carne salgada magra em Santa Catarina.

Posso usar fubá comum no lugar do fubá mimoso?

Pode, mas o resultado fica diferente. O fubá mimoso é mais fino e produz angu mais cremoso e aveludado, com textura lisa. O fubá comum (mais grosso) deixa o angu com granulado visível e consistência mais rústica, mais parecido com o angu mineiro de colher. Para a versão catarinense clássica, o mimoso é o ideal.

Quanto tempo de dessalga a carne precisa?

Vinte e quatro horas na geladeira, com troca de água pelo menos três vezes, é o padrão para carne de Moçambique em Santa Catarina. Se você tiver pressa, troque a água a cada hora por seis horas, mas o sabor final não fica tão limpo. Não tente dessalgar em menos de seis horas, o sal residual arruina o prato.

Posso fazer o angu sem panela de pressão?

Pode, mas vai demorar mais. Em panela comum com tampa, a carne de Moçambique demora cerca de 90 minutos para ficar macia. Em panela de pressão, fica pronta em 40 minutos depois do início do chiado. Se você quer manter o sabor rústico, a panela de ferro com tampa pesada é o melhor meio termo.

O prato pode ser congelado?

Sim, congelado em pote hermético dura até 90 dias no freezer. O melhor é congelar o angu e a carne separados, para preservar a textura. Na hora de servir, descongele na geladeira de um dia para o outro e reaqueça em panela grossa com um pouco de caldo de carne, mexendo até voltar à cremosidade original.

Qual a diferença desse angu para o angu mineiro?

O angu mineiro tradicional é mais seco, servido como acompanhamento de pratos com molho (tutu, feijão tropeiro, torresmo). O angu catarinense do litoral é mais cremoso, mais molhado, servido como prato principal com a carne misturada. Também não vai queijo ralado, que é marca registrada da versão mineira.

Posso trocar a carne de Moçambique por carne seca?

Pode, mas o sabor muda bastante. A carne de Moçambique tem sabor mais suave e textura mais macia depois do cozimento, enquanto a carne seca é mais fibrosa e com sabor mais intenso. Se trocar por carne seca, dessalgue também por 24 horas e adicione uma folha de louro extra no cozimento para suavizar.

Qual a melhor farinha de mandioca para engrossar?

A farinha de mandioca torrada e seca, tipo 1 ou tipo 2, é a indicada. Ela engrossa o angu sem empelotar e dá sabor neutro que não compete com o tempero da carne. Evite farinha de mandioca hidratada (farinha de mesa), que deixa o angu com textura borrachuda e sabor doce indesejado.

Por que não usar azeite de dendê no angu catarinense?

O azeite de dendê é marcador da cozinha baiana, não da catarinense. Se você quiser dar um toque de cor e sabor afro-brasileiro, adicione apenas uma colher de sopa no final do cozimento, mas o prato tradicional do litoral de SC não leva dendê. A cor amarelada do angu vem do fubá e do tomate refogado.

Para conferir outras receitas de inverno que combinam com este angu de Moçambique, veja também o Pinhão Cremoso com Bacon Defumado e Couve, o Caldo de Surubim à Moda do Pantanal Mineiro, o Caldo de Piranha da Fronteira Gaúcha, o Caldo de Cabras Nordestino com Carne Seca e Jerimum, o Sopa de Capeleti com Galinha Caipira da Serra Gaúcha e o Caldo de Cabrito Nordestino com Mandioca. Todos combinam muito bem como entrada ou acompanhamento neste mesmo jantar de julho no litoral catarinense.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 17 de julho de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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