Farinha de Araruta Torrada com Carne de Sol: o Almoço do Recôncavo Baiano

Farinha de Araruta Torrada com Carne de Sol: o Almoço do Recôncavo Baiano
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 05/11/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaFarinha de araruta torrada com carne de sol e feijão de corda, o almoço de panela do Recôncavo Baiano. Aprenda o preparo do polvilho na manteiga de garrafa.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
40 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
11 ingredientes
|
9 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes
  2. Modo de preparo
  3. Como servir e variações regionais
  4. Conservação e reaproveitamento
  5. Curiosidades sobre a araruta
  6. Dicas de compra, substituições e harmonização
  7. Tire suas dúvidas
  8. Fontes e receitas relacionadas

Atualizado em novembro de 2026. A farinha de araruta torrada com carne de sol e feijão de corda é o almoço de panela do Recôncavo Baiano e se prepara em quarenta minutos, tudo na mesma panela. O polvilho de araruta, que vem do rizoma da planta, é torrado na manteiga de garrafa até dourar e vira a base espessa que segura o feijão e a carne de sol desfiada. O resultado é um prato de sabor levemente adocicado, com a carne curada aparecendo no fim, quente, para contrastar com o creme de farinha.

A araruta, do gênero Maranta, é uma erva perene cujo rizoma tem fécula branca alimentícia. A Wikipédia registra que ela também é chamada de agutiguepe, embiri, araruta-caixulta, araruta-gigante, araruta-palmeira e agutingue-pé, e que o nome vem do termo arawak “aru-aru”, traduzido como “farinha de farinha”.

Na Bahia, a Secretaria de Agricultura do Estado registrou o trabalho da EBDA para resgatar a cultura da araruta em Cruz das Almas, município que a API do IBGE identifica com o código 2909802 e que comanda uma região imediata de 12 municípios. A Bahia tem 417 municípios no total.

Tempo de preparo: 40 minutos, com 20 minutos de dessalgagem da carne de sol e 25 minutos de panela. Rendimento: 6 porções. Categoria: Pratos Regionais.

Ingredientes

Separe tudo antes de acender o fogo, porque a torrada de farinha de araruta é rápida e passa do ponto rápido. A carne de sol precisa de dessalgagem prévia em água fria, e a farinha deve estar bem seca para torrar sem virar massa.

Ingrediente Quantidade Observação
Farinha de araruta (polvilho) 500 g em pacote, sem umidade, ou polvilho de rizoma de araruta
Feijão de corda 400 g de preferência já cozido e escorrido
Carne de sol 300 g dessalgada em água fria e desfiada
Manteiga de garrafa 3 colheres (sopa) para torrar a farinha e dar cor
Cebola 1 unidade média picada em cubos pequenos
Alho 3 dentes amassados
Coentro 1/2 xícara (chá) picado, para finalizar fora do fogo
Cheiro-verde 2 colheres (sopa) picado, para finalizar fora do fogo
Pimenta do reino a gosto moída na hora
Cachaça 2 colheres (sopa) opcional, para umedecer a carne de sol
Sal q.b. (a gosto) prove antes de acrescentar, a carne de sol já é salgada

Modo de preparo

A vibrant display of traditional homemade dishes featuring fresh tomatoes, salad, and fried snacks.

O ponto do prato está em torrar o polvilho de araruta na manteiga de garrafa antes de qualquer líquido entrar na panela. A torrada transforma a farinha em uma massa cremosa que envolve o feijão de corda, e a carne de sol desfiada entra no fim, fora do fogo.

  1. Dessalgue a carne de sol. Corte em cubos de meio dedo, cubra com água fria de geladeira e leve à geladeira por 20 minutos. Troque a água uma vez no meio, esfregando os cubos com a mão para retirar o excesso de sal da superfície.
  2. Escorra a carne de sol e reserve. Para um sabor mais redondo, umedeça os cubos com 2 colheres (sopa) de cachaça e reserve por 10 minutos, longe do fogo.
  3. Aqueça uma panela larga em fogo médio e coloque a manteiga de garrafa. Espere ela derreter e ficar clara, sem escurecer, o que leva cerca de 1 minuto.
  4. Jogue a cebola picada. Mexa sem parar por 3 minutos, até a cebola ficar translúcida e dourar nas pontas. Essa etapa dá corpo ao molho, e a cebola precisa realmente dourar, não apenas suar.
  5. Adicione o alho amassado e a pimenta do reino moída. Mexa por 30 segundos, tempo suficiente para soltar o aroma do alho sem queimar a cebola.
  6. Desligue o fogo e despeje a farinha de araruta na panela por cima da manteiga e da cebola. Mexa com a colher de pau até a farinha absorver toda a gordura e formar uma massa homogênea, sem partes secas soltas.
  7. Ligue o fogo baixo e cozinhe a massa por 5 minutos, mexendo sempre, até ela soltar a gordura da manteiga e começar a chiar baixinho. A araruta não deve pegar fogo, por isso o fogo baixo e a mexida constante.
  8. Acrescente o feijão de corda já cozido e escorrido, ainda quente. Jogue um pouco do caldo de cozimento do feijão, cerca de 1/2 xícara (chá), para hidratar a massa sem perder o ponto grosso. Mexa e cozinhe por mais 10 minutos, até a mistura ficar espessa e escorrendo devagar quando a panela é inclinada.
  9. Fora do fogo, junte a carne de sol desfiada, o coentro e o cheiro-verde picados. Mexa uma última vez, prove e ajuste o sal com cuidado, porque a carne de sol já traz sal e o feijão de corda às vezes já é cozinhado com ele.

Como servir e variações regionais

Sirva a farinha de araruta bem quente, direto da panela, no almoço de família. O ponto certo é o de uma massa espessa que gruda levemente no fundo. Os acompanhamentos são poucos e de sabor simples: requeijão de corte, ovo cozido, banana nanica fatiada ou manga cozida.

No Recôncavo Baiano, a araruta é servida como acompanhamento de prato de carne, e o mesmo polvilho aparece em mingaus, bolos e biscoitos. Quem não encontra a farinha de araruta no mercado pode usar polvilho de batata ou de mandioca, mas o sabor muda: a araruta é mais neutra e levemente adocicada.

Outra saída é usar a araruta em versão doce, no formato de mingau com leite e açúcar, ou em bolo de fubá com banana. Para o almoço salgado, ela combina bem com carne de sol, charque desfiado, linguiça calabresa fatiada e ovo caipira.

Conservação e reaproveitamento

Guarde a farinha de araruta em frasco bem fechado, em local seco e arejado. O polvilho absorve a umidade do ar e pode empedrar, por isso o vasilhame tem que ser vedado.

Com a araruta já torrada e o prato feito, a preparação se conserva bem na geladeira, em recipiente fechado, por até 3 dias, e deve ser aquecida em fogo baixo mexendo, porque a massa engrossa e pode agarrar no fundo da panela. Congelado em porções individuais e bem tampado, o prazo chega a 1 mês.

Como a massa engrossa tanto, uma porção rende bem: refogue de 1 colher (sopa) de polvilho com 2 colheres (sopa) de feijão de corda já cozido e um pedaço pequeno de carne de sol desfiada.

Curiosidades sobre a araruta

A araruta é uma das poucas plantas domesticadas do noroeste da Amazônia cuja parte comestível é um rizoma, e não uma raiz comum: o caule subterrâneo acumula fécula branca no mesmo ponto onde a mandioca acumula. A Wikipédia descreve a planta como perene, com flores brancas que abrem cerca de 90 dias após o plantio e rizomas de 20 cm a 45 cm, prontos para a colheita 10 a 12 meses depois.

Estudos arqueológicos indicam cultivo de araruta nas Américas há pelo menos 7.000 anos. A planta cresce melhor com temperaturas entre 23 °C e 29 °C e precipitação anual de 150 cm a 200 cm, e tolera temperaturas frias de até 5 °C.

O cultivo entrou em risco de extinção porque a indústria alimentícia substituiu o polvilho de araruta pelo de mandioca, ou pelas farinhas de trigo e milho, que custam menos. A Embrapa, por meio da Agrobiologia, mantém o resgate da cultura em sua Fazendinha Agroecológica Km 47.

Na Bahia, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, vinculada à Secretaria de Agricultura do Estado, promove desde 2008 a revitalização do cultivo, com produção de mudas, dias de campo e cursos de manutenção da lavoura no Recôncavo baiano. Em 2012 foram capacitados mais de 150 agricultores familiares de Cruz das Almas e distribuídas cerca de 2.500 mudas. Segundo registro da Seagri, cada 100 kg de araruta rendem cerca de 20 kg de fécula, e o preço de mercado variava entre 15 e 20 reais o quilo. O engenheiro agrônomo da EBDA Jorge Silveira resume o motivo da empresa: “A araruta é uma cultura milenar, genuinamente brasileira, que se encontra em vias de extinção”.

Dicas de compra, substituições e harmonização

Na hora de comprar, procure a farinha de araruta com registro do produto na embalagem, nome do produtor e data de fabricação. O sinal mais simples de qualidade é a cor: o polvilho é um creme claro, quase branco, e fino, sem cheiro forte. Se o pacote estiver úmido, com grumos ou amarelado, use logo.

Para a carne de sol, escolha a peça mais clara e com menos gordura entre as fibras. A carne comprada em fatias finas é melhor do que o pacote em cubos, porque precisa de menos tempo de dessalgagem. A manteiga de garrafa é o outro item que não se substitui.

Se quiser uma versão sem carne de sol, use linguiça calabresa defumada, bacon em cubos ou ovo caipira cozido e cortado, mantendo o processo de torrar a farinha na gordura. Para harmonização, o prato pede bebida leve e gelada, como um limão, água com gás ou vinho branco leve.

Tire suas dúvidas

O que é araruta e por que ela é chamada de farinha de araruta?

Araruta é uma erva perene do gênero Maranta, cujo rizoma acumula fécula branca alimentícia. O pó extraído desse rizoma é o que se vende como farinha ou polvilho de araruta. A Wikipédia lista os nomes alternativos agutiguepe, embiri e agutingue-pé.

Posso substituir a farinha de araruta por polvilho de mandioca?

Dá para cozinhar, mas o sabor muda. O polvilho de mandioca tem notas de amendoado e cor mais escura, enquanto a araruta é neutra e levemente adocicada. A proporção é a mesma, 500 g de polvilho para 400 g de feijão de corda.

Como faço para dessalgar a carne de sol sem deixar ela salgada?

Corte em cubos pequenos, cubra com água fria de geladeira e deixe descansar por 20 minutos, trocando a água uma vez no meio e esfregando os cubos com a mão. Não use água quente, porque ela cozinha a carne e cria uma casca salgada por fora.

Preciso usar manteiga de garrafa ou posso usar outro óleo?

A manteiga de garrafa é o ideal porque dá o sabor de fundo levemente tostado que faz parte do prato. Se não tiver, use manteiga de gado ou óleo de dendê em quantidade menor, porque o dendê pode dominar a araruta.

Por que a farinha de araruta tem que ser torrada antes de entrar o feijão?

Porque a torrada na manteiga de garrafa transforma o polvilho em uma massa cremosa que envolve o feijão de corda e dá corpo ao prato. Se a farinha entrar direto no líquido, o resultado fica com textura de mingau ralo. São 5 minutos em fogo baixo, com mexida constante.

Posso preparar a farinha de araruta na véspera do almoço?

Pode, sim. O prato pronto se conserva bem na geladeira, em recipiente fechado, por até 3 dias, e deve ser aquecido em fogo baixo mexendo, porque a massa engrossa e pode agarrar no fundo. Congelado em porções tampadas, o prazo chega a 1 mês.

A araruta serve para quem tem restrição ao glúten?

A fécula da araruta não contém glúten, e a Wikipédia registra a planta como recomendada para pessoas com restrições alimentares ao glúten, por causa da doença celíaca. O verbete a aponta ainda como alimento de fácil digestão, indicado para idosos e crianças.

Como sei se a farinha de araruta que comprei é de boa qualidade?

O polvilho de araruta é um creme claro, quase branco, e fino, sem cheiro forte. Se o pacote estiver úmido, com grumos ou amarelado, use logo, porque a umidade altera o ponto da massa. Guarde sempre em frasco bem fechado, em local seco.

Fontes e receitas relacionadas

Sobre a planta e o uso culinário, veja a página da araruta na Wikipédia. Para o resgate do cultivo na Bahia, o registro oficial está na notícia da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia sobre o trabalho da EBDA em Cruz das Almas. Os dados do município vieram da API de localidades do IBGE, que identifica Cruz das Almas com o código 2909802.

Se você gosta de pratos de panela com carne de sol, conheça o refogado de palmito juçara com carne de sol, o feijão mungo com carne de sol, o arroz de bagre com tucupi e jambu e a sopa de nabo com carne de sol e feijão de corda.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 05 de novembro de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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