Panelada Cearense com Feijão-Verde: Almoço de Panela para o Inverno do Sertão

Panelada Cearense com Feijão-Verde: Almoço de Panela para o Inverno do Sertão
Conteúdo Criado e Revisado pela nossa equipe
Atualizado em: 03/08/2026Revisado por: Verificado em fontes oficiais
Resposta rápidaPanelada cearense de feijão-verde, carne de sol e costelinha: cozido do Cariri que aquece o almoço de agosto no sertão, com pirão de fubá e arroz branco.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
110 min

🍽️ Rendimento
4 porções

🌍 Cozinha
Brazilian

📋 Categoria
Prato principal

⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
20 ingredientes
|
8 passos

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📑 Sumário deste guia
  1. Ingredientes do prato
  2. Modo de preparo
  3. Tempo de preparo e rendimento
  4. Como servir e o que acompanhar
  5. Erros comuns e variações regionais
  6. Receitas nordestinas de agosto para variar o cardápio
  7. Tire suas dúvidas

Atualizado em agosto de 2026. A panelada cearense é um cozido de panela típico do sertão do Cariri e do Vale do Jaguaribe, feito com feijão-verde, carne de sol dessalgada, toucinho, costelinha suína, calabresa e bacon, que cozinha por cerca de uma hora e meia em panelão grande até o caldo ficar cremoso e o feijão desmanchar. É o tipo de prato de sábado e domingo que sustenta a família nas noites frias do interior do Ceará, com origem nas cozinhas de fazenda onde o feijão-de-corda e as carnes secas garantiam energia para o trabalho no roçado. Em agosto, quando as noites começam a esfriar e a chuva fina ainda não chegou, a panelada funciona como almoço de panela que reune a família em torno do fogão, geralmente acompanhada de arroz branco, pirão de fubá e rodelas de laranja. Esta versão de panelada rende seis porções generosas e foi ajustada para cozinhas que não têm panelão de ferro nem fogão a lenha, mantendo o sabor original do sertão.

Ingredientes do prato

Os cortes e as quantidades abaixo servem seis pessoas e podem ser ajustados conforme o tamanho da panelada, que tradicionalmente é feita em panelão de alumínio ou ferro grosso, no fogão a lenha. A proporção entre o feijão-verde e as carnes secas e frescas varia de família para família no sertão do Ceará.

Ingrediente Quantidade Observação
Feijão-verde (feijão-de-corda) descascado 500 g Equivalente a cerca de 2 xícaras e meia, fresco ou congelado
Carne de sol magra dessalgada 400 g Cortada em cubos médios, dessalgada em água gelada por 12 horas
Toucinho fresco em cubos 200 g Com a capa de gordura, para render o caldo
Costelinha suína em pedaços 300 g Equivalente a aproximadamente 4 costelas pequenas
Linguiça calabresa fresca em rodelas 150 g De preferência a artesanal do Cariri
Bacon em cubos 100 g Para iniciar o refogado e soltar a gordura
Cebola média picada 180 g Equivalente a duas cebolas médias, em cubos pequenos
Alho picado 30 g Equivalente a uma cabeça pequena, sem o miolo
Tomate maduro picado 150 g Equivalente a dois tomates médios sem sementes
Pimentão vermelho picado 80 g Equivalente a um pimentão médio, sem as sementes brancas
Salsinha e cebolinha 30 g Equivalente a um maço pequeno, picados juntos
Coentro fresco 15 g Equivalente a meio maço pequeno, só as folhas
Folha de louro 1 g Equivalente a uma folha pequena, sem o cabo
Cominho em pó 3 g Equivalente a uma colher de chá rasa
Pimenta-do-reino 2 g Equivalente a meia colher de chá, moída na hora
Sal a gosto Adicionar no final, depois de provar o caldo das carnes
Água 2,5 l Para cobrir as carnes e cozinhar o feijão até amaciar

Para o pirão de panelada:

Ingrediente Quantidade Observação
Caldo da panelada coado 700 ml Reservado antes de servir, ainda bem quente
Fubá de milho mimoso 120 g Equivalente a aproximadamente 1 xícara, peneirado
Manteiga da terra ou manteiga comum 20 g Para finalizar o pirão e dar brilho

Modo de preparo

Close-up of a tasty Asian meal featuring pork, vegetables, and rice, beautifully arranged.
  1. Coloque a carne de sol em uma tigela, cubra com água gelada e deixe dessalgar na geladeira por cerca de 12 horas, trocando a água três vezes para soltar bem o excesso de sal.
  2. Escorra a carne, seque com um pano limpo e corte em cubos médios de aproximadamente 3 cm, retirando os excessos de gordura escura que ficam nas bordas.
  3. Em um panelão de alumínio grosso, leve ao fogo médio o bacon até derreter a gordura, depois acrescente o toucinho e a costelinha suína, mexendo até dourarem de todos os lados, o que leva cerca de 8 minutos.
  4. Adicione a carne de sol já dessalgada e a calabresa, refogue por mais 5 minutos para que as carnes incorporem o sabor da gordura do bacon.
  5. Acrescente a cebola, o alho, o tomate e o pimentão, mexendo bem até a cebola ficar transparente e o tomate desmanchar, o que costuma levar 6 a 8 minutos.
  6. Tempere com cominho, pimenta-do-reino e a folha de louro, regue com a água e deixe ferver em fogo alto, depois reduza para fogo médio e cozinhe com a tampa semiaberta por 30 minutos, até as carnes ficarem macias mas ainda firmes.
  7. Acrescente o feijão-verde, ajuste o sal com cuidado porque a carne de sol já tem sal residual, e cozinhe por mais 40 a 50 minutos em fogo baixo, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo, até o feijão ficar cremoso e o caldo engrossar.
  8. Verifique o ponto: o caldo deve estar levemente espesso, o feijão desmanchando, mas com as carnes inteiras. Desligue o fogo, retire a folha de louro e finalize com a salsinha, a cebolinha e o coentro picados, misturando delicadamente.

Tempo de preparo e rendimento

Tempo de preparo: 20 minutos.

Tempo de cozimento: 90 minutos.

tempo total: 110 minutos.

Rende 6 porções generosas (acompanha pirão de fubá e arroz branco no mesmo prato).

Como servir e o que acompanhar

A panelada tradicional chega à mesa no próprio panelão de alumínio, ainda borbulhando, para preservar a temperatura e o aroma. Sirva primeiro o cozido em pratos fundos, com concha generosa para garantir feijão, carnes e caldo grosso. Em seguida, distribua o pirão de fubá em canecas ou tigelas pequenas, servido à parte para que cada pessoa acrescente a quantidade desejada.

Os acompanhamentos clássicos do almoço cearense de agosto são arroz branco solto, farofa de manteiga, couve refogada no alho e rodelas de laranja para limpar o paladar entre uma garfada e outra. Para a bebida, a cachaça artesanal de alambique do Cariri é a indicação mais regional, mas suco de caju gelado ou uma cerveja bem leve também combinam. Se sobrar panelada, ela fica ainda mais saborosa no dia seguinte, porque o feijão continua absorvendo o sabor das carnes. Guarde em pote de vidro com tampa, na geladeira, por até três dias. Para reaquecer, leve ao fogo baixo com um fio de água, mexendo até voltar a borbulhar.

Erros comuns e variações regionais

O erro mais frequente é não dessalgar a carne de sol em água gelada pelo tempo suficiente. Doze horas é o mínimo para um corte de 400 g, e trocar a água três vezes garante que o sal residual não domine o prato. Outro deslize é adicionar sal logo no refogado: a carne de sol já é salgada por natureza, então o sal só entra no final, depois de provar o caldo. Acrescentar o feijão-verde antes da carne ficar macia é outro tropeço comum. O feijão cozinha mais rápido que a carne seca, então se entra junto com as carnes, ele vira papa antes da hora. O ponto certo é colocar o feijão-verde só depois dos 30 minutos iniciais, quando a carne já cede à pressão do garfo. Por fim, cozinhar em fogo alto durante todo o processo deixa o caldo ralo e as carnes borrachudas: o ideal é manter fogo médio-baixo, com a tampa semiaberta, para que o líquido reduza lentamente e o feijão solte amido suficiente para engrossar o caldo sem precisar adicionar fubá diretamente na panelada.

No Sertão Central, próximo a Quixadá, a panelada costuma levar também paçoquinha de carne de sol desfiada no final, dando uma textura granulada. Já no Cariri, no sul do Ceará, a versão de festa adiciona linguiça de Maranguape e dobradinha, transformando o cozido em panelada completa, servida em panelões enormes em casamentos. Para adaptar a panelada em casa, em cozinhas que não têm panelão de ferro nem fogão a lenha, a panela de pressão funciona bem, reduzindo o tempo de cozimento das carnes para 25 minutos e do feijão-verde para 15 minutos depois. Outra opção é usar feijão-verde congelado, encontrado em pacotes de 500 g em mercados de todo o Brasil, sem perder o sabor característico do prato. Quem não come carne suína pode substituir o toucinho e a costelinha por peito de frango com osso e dobradinha bovina, mantendo a alma nordestina do cozido.

Receitas nordestinas de agosto para variar o cardápio

Para quem está montando um cardápio nordestino de agosto, vale combinar a panelada com outras receitas que já passaram por aqui, cada uma puxando para um estado do Nordeste. O escondidinho de carne de sol com macaxeira e queijo coalho é paraibano de origem e funciona bem como entrada no mesmo almoço, porque leve e contrastante com a panelada mais pesada. Já o arroz cearense com pequi é o acompanhamento cearense perfeito, trazendo o sabor do cerrado para dentro do prato nordestino.

Para fechar a semana com chave de ouro, vale variar com o buchada de bode sergipana em outro dia, que também é cozido de panela, mas tem personalidade própria pelo uso das miúdos. E quem quiser um jantar mais leve depois do almoço de panelada pode apostar no caldo de cabrito nordestino com mandioca, que aquece as noites frias de agosto com a leveza do jerimum. O quibebe paraibano com jerimum e carne seca também entra bem no rodízio, com textura cremosa e sabor adocicado de abóbora que contrasta com a panelada.

Tire suas dúvidas

Posso usar feijão-carioca no lugar do feijão-verde?

Não é o ideal, porque o feijão-carioca tem casca mais firme e demora mais para cozinhar, alterando a textura cremosa típica da panelada. Se não encontrar feijão-verde fresco, prefira o congelado ou o feijão-de-corda seco, que mantém a alma do prato. O feijão-carioca pode até cozinhar, mas o caldo não atinge a mesma cremosidade.

Quanto tempo a carne de sol precisa ficar de molho?

Para 400 g de carne de sol, o ideal são 12 horas de molho em água gelada na geladeira, com troca de água a cada quatro horas. Pular essa etapa deixa a panelada salgada demais e com textura borrachuda, porque o sal concentrado na superfície da carne não se dilui durante o cozimento.

Dá para fazer panelada na panela de pressão?

Sim, a panela de pressão reduz o tempo total em quase metade. Refogue tudo normalmente, adicione a água, tampe e cozinhe por 25 minutos depois que pegar pressão para a carne de sol ficar macia. Acrescente o feijão-verde e cozinhe por mais 15 minutos sem pressão, com a tampa aberta, até o caldo engrossar.

Posso substituir a carne de sol por charque?

Pode, desde que o charque seja de boa qualidade e dessalgado do mesmo jeito que a carne de sol. O sabor muda um pouco, porque o charque tem mais cura e menos sabor de carne fresca, mas o resultado continua muito próximo. A vantagem é que o charque é mais fácil de encontrar em mercados do Sudeste.

Qual o melhor acompanhamento para a panelada?

O arroz branco soltinho e o pirão de fubá feito com o próprio caldo da panelada são obrigatórios. Para acompanhar, couve refogada no alho, farofa de manteiga e rodelas de laranja completam o prato com a acidez que limpa o paladar. Quem quiser pode acrescentar uma cachaça artesanal de alambique do Cariri para fechar o almoço.

Posso congelar a panelada pronta?

Sim, a panelada congela bem por até três meses em pote de vidro com tampa ou saco zip próprio para freezer. Para descongelar, leve direto ao fogo baixo com um fio de água, mexendo até ferver e a textura voltar. Evite descongelar em micro-ondas, porque o feijão tende a ficar borrachudo e as carnes perdem suculência.

Por que a panelada tem que cozinhar em panelão e não em panela comum?

O panelão grande distribui o calor de forma uniforme e permite que o caldo reduza na medida certa, criando a cremosidade característica da panelada. Em panela pequena, o feijão não tem espaço para cozinhar uniformemente e pode queimar no fundo antes de amaciar. Se não tiver panelão, use a maior panela de alumínio grosso que tiver em casa.

É possível fazer panelada vegetariana?

É possível, mas deixa de ser panelada no sentido tradicional. Para uma versão vegetariana, troque as carnes por cogumelos grandes salteados, grão-de-bico cozido e cenoura em cubos, mantendo o feijão-verde e o refogado de cebola, alho e tomate. O sabor fica interessante, mas é outra receita, então vale avisar os convidados que é uma releitura.

Quanto tempo a panelada dura na geladeira?

Em pote de vidro com tampa, a panelada dura até três dias na geladeira sem perder qualidade. Depois disso, o feijão começa a azedar e as carnes mudam de textura. O ideal é consumir em até dois dias, sempre reaquecendo em fogo baixo com um fio de água até voltar a borbulhar antes de servir.

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Marina Cordeiro
Marina CordeiroConfeitaria

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

Atualizado em 03 de agosto de 2026

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Escrito por Marina Cordeiro

Confeiteira e blogger de receitas há mais de 8 anos. Especialista em sobremesas brasileiras, bolos caseiros e receitas práticas de família. Formada em Gastronomia pela Anhembi-Morumbi com extensão em Confeitaria Profissional. Adora resgatar receitas tradicionais e adaptar pra cozinhas modernas. Cada receita do site é testada e aprovada na sua própria cozinha.

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